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Empréstimo obrigacionista de €35 milhões não desobriga FCP de vender (e a culpa das contas é de NES)

Fernando Gomes, administrador financeiro da SAD portista, considerou um sucesso a operação de Oferta Pública de Subscrição para o triénio 2017/2020, tendo a procura superado a oferta em 1,31% das obrigações colocadas em bolsa. Com as contas no vermelho, os € 35 milhões em caixa não isenta, contudo, o clube de vender alguns craques da equipa

Isabel Paulo

José Coelho / Lusa

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A SAD do FC Porto divulgou, ontem ao final da tarde, na Euronext, em Lisboa que o empréstimo obrigacionista de 7.000.000 obrigações nominativas foi totalmente subscrito por um total de 3471 investidores, 23% dos quais injetaram um valor superior a € 10 mil. Fernando Gomes adiantou que os € 35 milhões da operação destinam-se a “financiar a atividade normal do clube”, advertindo que o sucesso do empréstimo - o oitavo em 14 anos (num total de €184,5 milhões) - não dispensa a SAD de transferir jogadores no mercado de verão.

No prospeto das condições da Oferta Público, a SAD refere ainda que a subscrição a consolidar o passivo num prazo mais alargado e a refinanciamento de operações com vencimento próximo, como é o caso do empréstimo obrigacionista lançado em 2014, no valor de €20 milhões, que foi então colocado no mercado com taxa nominal bruta de 6,75%, bem mais atrativa do que a da subscrição atual (4,25%).

Embora a taxa de juro nominal líquida seja ainda apelativa para os investidos - 3,08% - a subscrição que se vencerá em 2010 não está isenta de risco face aos sucessivos resultados negativos da SAD, que registou na época passada com um prejuízo recorde de €58,4 milhões. Na linha vermelha, ficou ainda o primeiro semestre de 2016/17 com receitas negativas de quase € 30 milhões.

Em falência técnica, a SAD regista um capital próprio negativo de € 62,2 milhões, resultados que comprometem as regras de fair-play da UEFA e já obrigaram o clube a negociar com o organismo europeu “metas de emagrecimento orçamental e ainda uma multa de € 1 milhão/época”, segundo apurou o Expresso junto de fonte próxima da SAD.

Ontem Fernando Gomes não adiantou o tipo de “acordo de desenvolvimento” assinado com a 'troika' do futebol, mas assegurou que as regras do fair-play financeiro estão a ser respeitadas.

Administração lesada por NES

A culpa dos défices de tesouraria mais recentes foi, ontem, imputada a Nuno Espírito Santo, que, segundo Fernando Gomes, não deixou que Danilo, Herrera e André Silva fossem vendidos no verão passado. “O treinador não quis vender os que podiam ser vendidos”, afirmou ontem, transferências que teriam livrado a SAD dos atuais “problemas financeiros”.

Despedido sem títulos nem troféus, tal como os quatro treinadores anteriores, NES é agora a causa útil da crise nos cofres e em campo que se prolonga há quatro anos, tendo o administrador financeiro portista assegurada que, apesar da obrigação de vender jogadores, o próximo treinador irá ter uma equipa competitiva. As conversações sobre o plantel estão suspensas até à apresentação de Sérgio Conceição, que deverá ser oficializado esta quita-feira, à tarde.