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Sérgio Conceição: “Vou continuar a dizer o que penso”

Gosta de pressão, vive da pressão, quer ganhar todos os jogos, diz que chegou ao clube de sonho e garantiu rigor e disciplina para o dia a dia. Sérgio Conceição foi apresentado como novo treinador do FC Porto e estas são as coisas que proferiu

Diogo Pombo

MIGUEL RIOPA

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O primeiro a falar foi Pinto da Costa, que foi breve a passar pelas devidas formalidades:

"Apresentar uma pessoa, uma figura, uma personalidade do FC Porto que toda a gente conhece. Foi, sobretudo, um exemplo de dedicação e amor ao clube e a uma camisola. Se não fosse assim, não estaria aqui hoje, junto de nós. Sérgio, sabemos que o teu coração, que é muito grande, é um coração azul e branco. Bem-vindo a esta casa. Esta cadeira não é de sonho porque está em pé."

Depois, passou a palavra a Sérgio Conceição, que estava engravatado, bem vestido e, aparentemente, calmo.

O discurso direto do novo treinador do FC Porto

"Começar por agradecer ao senhor presidente e a toda a estrutura do FC Porto pela confiança. Agradecer, também, a Deus. Desculpa um pouco a minha emoção por falar nas duas pessoas mais importantes na minha vida, os meus pais, que estão a olhar para mim com muito orgulho."

"Eu, com 16 anos, depois de três meses muito difíceis a tentar convencer o meu pai a vir jogar para os juniores do FC Porto, no dia em que me deixou aqui, para assinar o contrato, tive a seguir o dia mais difícil da minha vida, que foi a perda dele. Esta ascensão como treinador é um sonho."

"Este é um momento difícil do FC Porto, mas estes são momentos que me fazem superar. Com a minha ambição e qualidade no trabalho, que sei que tenho - as pessoas podem julgar que o FC Porto foi buscar um ex-atleta de raça e determinação, que é verdade, são características que tenho como treinador. Viemos aqui dar o melhor, somos exigentes, rigorosos e disciplinados no nosso dia a dia. Queremos dar a alegria a todos os adeptos de conquistar títulos".

"Foi com enorme alegria e amor ao clube que eu vim. Estou convencido que, em maio, vou conseguir estar feliz e os portistas felizes. Os meus estão feliz hoje, mas vão ficar mais felizes no final do ano, pela conquista de títulos. Obrigado aos que acreditam, aos que não acreditam, vou ter a oportunidade de provar que estamos aqui para trabalhar da melhor forma."

"Estou plenamente consciente da exigência deste clube, que é estar ao mais alto nível. E estar ao mais alto nível é conquistar títulos."

As respostas às perguntas dos jornalistas

"Prometo aos adeptos uma ambição muito grande no nosso dia a dia para conseguir o principal objetivo, que é o campeonato."

"Não venho para aqui para aprender, venho para ensinar. Aqui, no FC Porto, a matriz que terei terá de ser diferente da que tive nos últimos seis ou sete ano. Isto de se ganhar no grito já não existe. Ter ambição e raça é importante, mas é preciso muito mais do que isso. É preciso inteligência e que os jogadores percebam o que o treinador quer."

"A pressão faz parte do jogo, gosto da pressão, faz-me desconfiar constantemente daquilo que estou a fazer. Neste momento, é o clube com melhor expressão que represento. Tenho o know-how de perceber o que é o futebol. Comigo, os jogadores estão extremamente pressionados no dia a dia. O rigor é grande."

"Consegui, todas as épocas, potenciar jogadores e fazê-los crescer."

"Vou continuar a dizer o que penso."

A análise ao plantel dos dragões

"São situações que vou ter a oportunidade de falar com o senhor presidente. Compreendo o momento, não digo que não poderão sair jogadores, mas isso é em particular com a direção. Uma coisa é certa, e posso garantir: vamos ter um FC Porto muito competitivo no próximo ano."

"Vamos ter oportunidade de falar nisso. Vamos ter uma equipa determinada, com estatuto e com força para lutar pelos títulos que temos pela frente no próximo ano."

"Entendo a vossa curiosidade e as vossas perguntas, mas não posso falar. A seu tempo, terão oportunidade de saber."

A formação e os jovens

"Já fiz o trabalho de casa daquilo que são os jogadores promissores e que têm capacidade, no futuro próximo, de serem incluídos na equipa principal."

Obsessão pelo campeonato?

"Não é uma questão de obsessão. Se pergunta a um treinador do FC Porto se é importante ganhar a Taça de Portugal, esse é, no mínimo, um dos objetivos. Faz parte do que é a exigência e a ambição de quem trabalha nesta casa."

Depois, a versão da história de Pinto da Costa

"Não tínhamos pressa em escolher um treinador. Sabia o que queria. Não vou revelar que outros treinadores posso ter contactado, isso seria deselegante. Quando o Nuno Espírito Santo, por proposta do seu empresário, se propôs a rescindir o contrato, a partir daí tive de pensar em treinador. E tinha, na minha ideia, três ou quatro treinadores, em que não constava o Sérgio. Não constava, porque sabia que tinha assinado um contrato com o Nantes, por três anos. Pensava que era impossível ele vir."

"Fiz dois ou três contactos e, a 27 de maio, no dia em que comemoravam os 30 anos da vitória em Viena, almocei com o Luciano d'Onofrio, no restaurante Lusíadas. Quando lhe transmiti que, realmente, quem gostaria para treinador do FC Porto era o Sérgio Conceição, ele disse-me: 'Olhe, jantei com ele ontem e o Sérgio também gostava imenso de vir para o FC Porto. É o sonho dele'. Mais tarde, o Sérgio estava no meu gabinete e perguntei-lhe se queria ser o treinador do FC Porto."