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Se não é inédito, é insólito: FCP dá o pontapé de saída da pré-temporada sem uma contratação vistosa

Ano 1 de Sérgio Conceição arrancou, hoje, sem novas estrelas no Olival. A fé no Dragão dos anos de ouro é grande, mas num clube intervencionado pela UEFA a margem para reforçar o plantel caído em desgraça é curta

Isabel Paulo

No regresso ao trabalho do FC Porto a única cara nova é a de Sérgio Conceição

d.r.

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Se não é inédito, é algo insólito: O outrora poderoso dragão da era Pinto da Costa deu o pontapé de saída da pré-temporada 2017/18 sem uma contratação vistosa para animar a malta em jejum de títulos desde 2013.

A exceção à regra em tempos de contração financeira é Sérgio Conceição, o sexto eleito e nova esperança de Pinto da Costa na sua mais longa travessia do deserto desde que chegou ao comando dos azuis e brancos, há 35 anos.

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No Centro de Treinos do Olival, em Gaia, apresentaram-se 19 velhos conhecidos de uma longa lista de 36 jogadores, uns ausentes porque o treinador não conta com eles, outros, como Brahimi e Maxi Pereira autorizados a comparecerem mais tarde, como Marega e Aboubakar que esteve na Taça das Confederações, na Rússia, e cujo futuro ainda está por definir.

Numa apresentação com muitas incertezas, não faltou Casillas, a mais cara vedeta da equipa, que também ninguém afiança se sai ou fica no clube intervencionado pela troika da UEFA, por ter infringido as regras do fair play financeiro ao acumular défices crónicos de gestão, o último dos quais de € 58,8 milhões, em 2016/17.

Casillas em 'rebaixa'

Segundo fonte próxima do clube, a permanência do guarda-redes espanhol “está dependente de negociações salariais em baixa, face aos quase €10 milhões de ordenado anual bruto”, comparticipado até agora em 50% pelo Real Madrid. Casillas já afirmou que gostaria de permanecer no Porto, mas o jornal 'Marca' avançou que a aventura portuguesa estará perto do fim, possivelmente para regressar à La Liga com as cores da Real Sociedad.

Maxi Pereira, há dois anos no Dragão com o segundo salário mais elevado do plantel, é outro dos pesos-pesados portistas que poderá abreviar a estadia no Porto. Embora ainda tenha mais um ano de contrato, o lateral uruguaio é um dos ativos que podem assegurar um retorno chorudo aos depauperados cofres do clube em regime de emagrecimento salarial. Até agora, o destino mais provável do jogador desviado ao Benfica será a China, o novo paraíso milionário dos futebolistas em final de carreira.

Rúben Neves, um amor pouco eterno

Pressionado a vender para não inflacionar a multa de €700 mil euros/ano - que poderá subir até aos €2,2 milhões se os portistas não cumprirem o acordo rubricado em maio com a UEFA -, o FC Porto já encaixou € 38 milhões com a venda da estrelinha André Silva ao AC Milan, mais € 5 milhões com o equívoco Deproite, que rumou ao Wolverhampton.

A nova equipa de Nuno Espírito Santo deverá ainda anunciar a qualquer momento a aquisição de Rúben Neves, apesar das juras de amor eterno de Pinto da Costa, que há pouco mais de um ano declarou que o jovem atleta da casa seria “um símbolo da mística por várias gerações”. O negócio pode chegar aos € 20 milhões, € 18 para fechar contrato, mais € 2 por objetivos.

A pressa da administração portista na operação do médio de 20 anos é explicada por fontes do clube com as metas do défice acordada com a troika da UEFA , após o FC Porto se ter comprometido a chegar ao break-even em 2020/21, sendo que só poderá apresentar até €30 milhões de prejuízo no exercício que fechou agora em 30 de junho.

Em março, no fecho de contas relativas ao primeiro semestre de 2016/17, a SAD voltou a apresentar um resultado líquido consolidado negativo de € 29,58 milhões, penalizada pela ausência de vendas no mercado de verão e de janeiro. Fernando Gomes, que há um mês culpou Nuno Espírito Santo pelas contas no vermelho do Dragão no último ano, voltou a referir a necessidade da SAD em transferir jogadores até 30 de junho.

Ao que o Expresso apurou, a meta era encaixar em transferências cerca € 100 milhões, não tendo a SAD ido ainda além dos € 50 milhões, razão pela qual a entrada nas contas da época finda de Rúben Neves possa ser decisiva para “ajudar a livrar o FC Porto dos atuais problemas financeiros”.

“Se for comunicada brevemente e os clubes provarem que o negócio só estava dependente de exames médicos ou outros pormenores, pode ainda integrar o Relatório e Contas anual, mas depende muito dos avaliadores financeiros da UEFA”, acrescenta fonte próxima do clube.

Além da multa, o Porto verá o número de jogadores inscritos baixar de 25 para 22 na próxima época na nas competições europeias, outro dos motivos que leva o a SAD a querer encurtar o plantel principal.

Boly, defesa-central, mudou-se do Braga para o Porto na época passada, mas deverá sair do FC Porto muito em breve, tal como os emprestados José Manuel, Bolat, Bueno, Suk, Adrián Lopez, Gonçalo Paciência, Quintero, Josué, José Angel, Victor García ou Gudiño, que hoje assinaram o ponto no Olival mas tudo indica serão transferidos, emprestados ou cedidos a título definitivo.

Contratações cirúrgicas

Numa época de prudência as contratações “terão de ser cirúrgicas, possivelmente negociadas por empréstimo”, referiu ao Expresso um ex-dirigente portista. Os custos contratuais já entrarão nas contas da próxima época, o que ajuda a explicar o eclipse de debutantes, esta manhã, no Olival, o local de trabalho da equipa de Sérgio Conceição nas próximas duas semanas.

Dia 15, já com uma lista menos provisória, o plantel segue para o México, onde vai disputar a Supercopa Tecate, amigável com o Cruz Azul e o Chivas Guadalajara.

De regresso a Portugal, defrontam o Vitória de Guimarães, a 23 de julho, seguindo-se um estágio de seis dias no Algarve, que contempla um jogo com o Portimonense.

O último jogo da pré-época será o da apresentação oficial da equipa aos sócios, no Estádio do Dragão, frente ao Deportivo da Corunha, a 29 de julho.

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