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FC Porto: o melhor, o pior e o primeiro troféu da pré-época na vitória frente ao V. Guimarães

Os dragões saíram vencedores do Troféu Cidade de Guimarães com uma vitória por 2-0 frente à equipa da casa e golos de Aboubakar e Soares. Num duelo rijo a fazer lembrar jogos mais intensos, André André foi expulso após sete minutos em campo mas, pelo segundo jogo consecutivo, os portistas deixaram excelentes indicações. Com onze e com dez

Tiago Oliveira

YURI CORTEZ/GETTY

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Teste, teste é jogar a sério e se há coisa a retirar do jogo entre Futebol Clube do Porto e Vitória de Guimarães é que os jogadores encararam o jogo com toda a garra. Por vezes até demais. As entradas ríspidas de parte a parte foram-se desenrolando de parte a parte e, nem a expulsão de André André logo no reatar da segunda parte (e pouco depois de ter entrado) acalmou os ânimos.

Mas, como nos dizem os Rio Grande, falemos de coisas bem melhores, do jogo com a bola no pé. Aí os dragões foram consideravelmente melhores e ganharam justamente por 2-0 para assegurar a conquista do Troféu Cidade de Guimarães. Aboubakar e Soares, aos 21 e aos 26 minutos respetivamente, foram os autores dos tentos e pontuaram uma primeira parte onde aquele que parece ser o onze que mais garantias dá a Sérgio Conceição nesta fase dominou (e criou), com ênfase no primeiro tempo. Os segundos 45 minutos, como costuma acontecer, viram um desafio em que as constantes substituições tiraram ritmo aos dois lados.

Se no Guimarães muito ainda se encontra para definir no plantel de Pedro Martins, o Porto parece já uma equipa de ideias assentes e confiante. Para confirmar nos próximos jogos

O melhor

Dupla diz presente
Soares e Aboubakar foram os artilheiros de serviço e foram sempre muito intervertidos na manobra ofensiva da equipa. O camaronês marcou pelo segundo jogo consecutivo e, mais uma vez deixou boas indicações, enquanto Tiquinho subiu o nível relativamente às últimas partidas e foi sempre um quebra cabeças para os antigos colegas. No 4-4-2 que parece ser a base para o arranque do campeonato, o Porto arrisca-se a ter uma dupla que, quando estiver (ainda) mais afinada, poderá ser um caso sério.

Dinâmica portista
Os motores ainda estão a aquecer para a dura época que se avizinha, mas a manutenção do núcleo duro do campeonato passado parece estar a dar ao Porto uma acutilância assinalável para esta fase. Futebol a regra e esquadro, transições rápidas, pressão alta e agressiva, criatividade e muita gente na área foram ingredientes da exibição portista (sobretudo na primeira parte) e que originaram um número redondo de oportunidades de golo. Sempre a um ritmo elevado. A jogar com dez desde os 52 minutos, mesmo com as substituições normais desta fase, a equipa respondeu geralmente bem.

Ambiente no estádio
Para o mau e para o bom (já aqui voltaremos), o duelo Guimarães-Porto é sempre quente e o duelo fora das quatro linhas mostrou o habitual entusiasmo no apoio às equipas. Numa casa bem preenchida, os cânticos fizeram-se sempre ouvir e, mesmo a perder, os adeptos vimaranenses nunca desarmaram e estiveram sempre ativos. Sem nunca esquecer os antigas atletas da casa agora a militar no rival da cidade Invicta, recebidos invariavelmente com aplausos.

O pior

Agressividade
Eu disse-vos que já explicava, foi rápido. Para o bom e, neste caso para o mau, o jogo foi sempre ríspido e as entradas mais agressivas foram-se sucedendo de forma pouco condizente com um jogo amigável. Até que o caldo entornou mesmo e André André, logo no início do segundo tempo entrou fora de tempo sobre Hurtado e João Pinheiro (árbitro que entrou para a segunda parte a substituir Jorge Sousa) não teve dúvidas em expulsar o jogador portista. A mão pesada do árbitro não acalmou totalmente os ânimos e os carrinhos e entradas impetuosas manifestaram-se até ao final. Desnecessário.

Fraca réplica vimaranense
Os comandados de Pedro Martins ainda vivem uma fase de consolidação após muitas mexidas relativamente à excelente época passada mas, ainda assim, esperava-se mais da equipa que jogava em casa perante os adeptos e a lutar por um troféu. Casillas foi um um mero espectador durante os primeiros 45 minutos e, mesmo a jogar com mais um, tirando um erro de José Sá, as ocasiões também foram escassas. Há muitos aspetos por melhorar.

Corona e Marega
Os dois atletas foram as notas menos positivas da exibição portista. Corona ainda se mostra muito preso de movimentos e não tem decidido bem, nem em qualidade nem em quantidade. Marega fez o primeiro jogo da pré-época e, se é certo e que o pouco tempo de treino e a natural falta de ritmo atenuam, mas se o avançado quer segurar um lutar no plantel, terá que fazer muito mais.