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Os cinco no estádio do Algarve: o melhor e o pior da goleada no Portimonense-FC Porto

Segunda vitória consecutiva do FC Porto na pré-época (em jogos abertos ao público) com triunfo folgado por 5-1 frente ao Portimonense. A equipa de Sérgio Conceição continua a deixar boas indicações para o campeonato que se avizinha

Tiago Oliveira

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É um chavão antigo do futebol: as pré-épocas valem o que valem, mas é inegável que mesmo a feijões os adeptos gostam é de ganhar. Razões para os adeptos do FC Porto sorrirem com mais uma vitória, desta vez com direito a mão cheia. 5-1 frente ao Portimonense e mais uma boa exibição de uma equipa que neste jogo deu poucas hipóteses ao adversário, apesar das tentativas.

Soares, Aboubakar, Brahimi (x2) e Hernâni foram os marcadores de serviço para os dragões, enquanto Ewerton apontou o tento de honra dos algarvios. Em dois jogos no Algarve, o FC Porto apontou dez golos, mostrou bom futebol e parece estar com a moral em cima. Vale o que vale, mas a confiança parece ter pegado de estaca nas hostes portistas. Vamos à análise.

O melhor

Entrada demolidora
8, 11 e 22 minutos. Três golos do FC Porto (quatro, com o tento mal anulado aos 4 minutos a antecipar-se ao primeiro golo validado de forma incorreta por fora de jogo) e um começo de rompante dos dragões a não dar qualquer chances ao Portimonense. Com a dupla Tiquinho Soares e Aboubakar a dar cada vez melhor conta de si, os extremos muito participativos a criar espaços entre linhas, Óliver a fazer de forma exímia o papel de pequena formiga maestro e os laterais com grande frescura física a darem sempre largura, o jogo fluiu com velocidade e qualidade. Já se nota o dedo de Sérgio Conceição, que, no cômputo geral, terá razões para estar satisfeito.

Brahimi
O irrequieto mago argelino é daqueles jogadores capaz de irritar qualquer adepto, com a sua fixação em chamar sempre o jogo a ele com a bola colada ao pé e as já famosas "rotundas." Mas o que faz dele um jogador capaz de originar um impropério é precisamente também o que o torna um atleta especial, capaz de arrancar um lance de génio a qualquer instante. Um Dr Jekyll e Mr. Hyde do mundo do futebol que hoje foi mais Hyde, com dois golos (o primeiro sobretudo de fino recorte) e constantes ameaças a defesa algarvia. Quando está a este nível, não é fácil pará-lo.

Reação algarvia
O resultado é expressivo, mas não se pense que o Portimonense também não deixou boas indicações. Após o assalto ao jogo por parte do FC Porto nos primeiros 25 minutos, a equipa conseguiu disputar mais a partida, criou problemas à defensiva azul e branca e chegou mesmo ao golo aos 33 minutos. Destaque para o marcador Ewerton, para o médio Paulinho e para o defesa esquerdo Lumor, que se mostrou muito intenso e a apoiar o jogo defensivo e ofensivo com qualidade.

O pior

Adormecimento
Após a entrada forte do FC Porto na primeira parte, seguiram-se 20 minutos de grande torpor até ao intervalo para desagrado claro do treinador portista. A equipa dos mais utilizados pareceu acusar o cansaço, deixou de dominar o jogo e começou a perder bolas em catadupa. Tudo conjugado, o Portimonense subiu no terreno e começou a criar mais jogo ofensivo, perante a apatia geral. Só o intervalo e os substitutos (que, regra geral, entraram bem) trouxeram outra dinâmica aos dragões e à partida, se bem que nunca ao nível dos primeiros 45 minutos.

Danilo
Quo vadis? O pêndulo defensivo portista, que costuma ser sinónimo de regularidade exibicional foi hoje o ponto mais fraco da equipa, falhando passes atrás de passes e sendo incapaz de fazer a ligação defesa-ataque com a qualidade do costume. Nem as tarefas mais recuadas ficaram a safo, o que resultou numa maior exposição do sector defensivo e mais deficiências. A época foi longa, estará cansado, mas esperava-se mais.

Defesa algarvia
Cinco golos sofridos e mais algumas oportunidades. O sector mais recuado do Portimonense teve dificuldades ao longo do jogo todo em lidar com as fases de maior fulgor portista e, basta ver que após um período de equilíbrio, as substituições ofensivas dos dragões aumentaram o ritmo e voltaram a colocar problemas. À exceção de Lumor, revelaram alguma falta de ritmo e recorreram demasiado à falta. A rever.