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Quatro impressões digitais de Sérgio Conceição que já se notam no novo FC Porto

Dos três grandes, o FC Porto é o único que trocou de treinador para esta época. Como seria de esperar, viram-se diferenças na equipa e na forma de jogar entre o que foi com Nuno Espírito Santo e o que parece já ser com Sérgio Conceição. O primeiro jogo oficial foi a vitória (4-0) contra o Estoril e eis quatro pontos que já se distinguem no jogo dos dragões

Diogo Pombo

MIGUEL RIOPA

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1. Médios lado a lado, participam em tudo

O 4x4x2 é a forma de viver de Sérgio Conceição e, neste esquema, o que se costuma passar é haver um médio, mais defensivo, robusto e com queda para o roubo de bolas. E outro, mais solto, com olho atacante e especializado em passar a bola perto das duas áreas. Quem melhor se dá com a bola fica mais à frente de quem tem uma relação séria com fechar espaços, dar coberturas e delimitar a linha de pressão a meio campo - por hábito, é o que acontece.

Mas, neste novo FC Porto, viu-se Óliver Torres a viver muito mais ao lado de Danilo, na mesma linha, com e sem a bola. Ambos recuavam para dar hipóteses na saída de bola, os dois encostavam-se à área adversária para receberem passes a encarar a baliza e fazerem a bola rodar pela equipa. E viu-se como ambos poderão prosperar mais a viverem assim: perto de Danilo, o espanhol tem uma referência para pressionar os contrários e não se cansar tanto a correr atrás da bola; com Óliver mais perto, o português não tem de assumir tanta responsabilidade nas saídas de bola e fica com uma opção de passe mais próxima.

2. Pressão imediata e lá em cima

O momento em que os dragões perdiam a bola era como um toque de alarme - todos despertavam para a urgência de a recuperar. Este FC Porto pressiona mais rápido, com maior urgência e uns valentes metros mais à frente no campo. Viram-se os jogadores a apertarem logo o espaço e a obrigarem o adversário que tem a bola a decidir mais rápido, o que, respeitando a lógica, faz sentido - a probabilidade de errar aumentar quanto maior for a pressão que existir para quem tem de tomar uma decisão.

Nesta tarefa, os dois avançados trabalharam muito. Era constante ver um deles a apertar o espaço ao adversário que tinha a bola, por dentro, fechando a linha de passe, e o outro a aproximar-se do guarda-redes, para impedir que o atraso seja uma opção válida - ou para intercetar uma tentativa desse passe.

"Entrámos fortes no jogo. Ao intervalo falei sobre a nossa primeira fase de construção de jogo, tinha de ser mais rápido. O Estoril estava num bloco médio/baixo e tínhamos de criar espaços. Temos trabalhado bem sobre isso. Não me importo de falar sobre os nossos princípios. Se o fizermos bem, é difícil pararem-nos", disse Sérgio Conceição, no final da primeira partida oficial do seu FC Porto

"Entrámos fortes no jogo. Ao intervalo falei sobre a nossa primeira fase de construção de jogo, tinha de ser mais rápido. O Estoril estava num bloco médio/baixo e tínhamos de criar espaços. Temos trabalhado bem sobre isso. Não me importo de falar sobre os nossos princípios. Se o fizermos bem, é difícil pararem-nos", disse Sérgio Conceição, no final da primeira partida oficial do seu FC Porto

MIGUEL RIOPA

3. Os extremos

Os dois tipos esguios, com técnica nos pés, velocidade nas pernas e ideias aventureiras na cabeça, não se limitam a abrir na linha e esperar pela bola. Brahimi e Corona funcionaram, mais ou menos, como se estivessem amarrados por uma corda - quando um tinha a bola, ou ela rolava lá perto, o outro era puxado para o centro do campo. Menos de extremo à espera de um passe que atire a bola para o outro flanco ou a fazer diagonais para a área, mais de extremo a associar-se ao jogo e a dar superioridade numérica nos sítios onde está a bola.

Acontecia mais quando o argelino tinha a bola - é quem tem mais finta, invenção, imprevisibilidade e habilidade para ultrapassar homens como se fossem mobília de casa - e o mexicano se juntava a Óliver e Danilo, para baralhar marcações e dar mais um ponto de referência para tabelar. Até se viu muito como ambos iam pedir a bola ao centro, bem dentro, para serem Alex Telles e Ricardo Pereira os homens que dão largura à equipa, projetando os laterais para lá da linha do meio campo.

4. Jogar para a frente e com respeito por quem está de frente

É a vantagem de ter dois homens na frente. Quando o Estoril, por raras vezes, conseguiu incomodar o FC Porto no início das jogadas, perto dos centrais, eles ou Danilo recorriam a uma solução - uma passe bem vertical, se possível rasteiro, para Aboubakar ou Soares (ou Marega). Quando acontecia, imediatamente um dos extremos, ou o outro avançado, movia-se para receber um passe de primeira. E, sobretudo, receber a bola de frente para a baliza.

O respeito por quem é da mesma equipa, está virado para a baliza e pode receber a bola, foi maior do que as tentativas de receber, rodar e tentar fazê-lo com a bola e um adversário encostado. Viu-se muita gente a mexer para dar uma opção de passe perto e frontal para a baliza, para que a equipa pudesse galgar metros jogando a bola mais na perpendicular, do que em paralelo à baliza. Dos 471 passes feitos pelo FC Porto, o site WhoScored contou que 343 fizeram a bola andar para a frente.