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Matheus defendeu tudo, menos a dança de Corona

O FC Porto foi a Braga vencer por 1-0, num jogo em que o resultado só não foi mais dilatado porque o guarda-redes brasileiro agarrou, socou, afastou e sacudiu todos os remates que lhe apareceram à frente. Só não conseguiu travar a magia de Corona, que resolveu o jogo com um golo fenomenal

Lídia Paralta Gomes

HUGO DELGADO/EPA

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Foi uma coisa de breakdance e depois de espectáculo de dança contemporânea. Falo do lance do golo do FC Porto, o golo que deu mais uma vitória ao FC Porto, a quarta em tantos outros jogos do campeonato. Um golo que vale um triunfo na sempre difícil casa do Sp. Braga, onde os grandes nunca passam com facilidade.

Estávamos no minuto 7 e Brahimi faz uma daquelas jogadas à Brahimi em que finta um, finta outro e de premeio tenta fintar mais três ou quatro. Na última tentativa de finta, a bola bate em Rosic e vai ter ao pé de Corona. Pé esse que inicia uma espécie de dança, como se ganhasse vida própria. Começa o pé de Corona por controlar a dita bola com um pequeno toque, com outro ainda no ar faz um chapéu a Sequeira e ainda sem deixar a bola sentir o que é a relva, um remate para o fundo das redes.

Tudo isto em movimento. Foi bonito.

E, para bem do FC Porto, uma salvação, porque tudo o resto que foi à baliza (e foi muita coisa), foi agarrado, socado, afastado, sacudido miraculosamente por Matheus, guardião do Sp. Braga que só não conseguiu mesmo defender a dança do pé de Jesus Corona. E às vezes até defendeu duas vezes, como quando à passagem da meia-hora Aboubakar tabelou com Ricardo e depois rematou em plena área. Matheus defendeu o remate do camaronês e a seguir ainda defendeu a recarga de Marega, que passado cinco minutos cabeceou para a baliza após mais um ataque rápido do FC Porto. Mas Matheus defendeu.

Matheus voltou a tirar um golo feito a Aboubakar já no início da 2.ª parte, após um cruzamento perfeito de Ricardo e um cabeceamento também nada mau. Só que estava lá Matheus. E depois, a 10 minutos do fim, Alex Telles foi por ali abaixo e rematou cruzado. Uma palmada de Matheus fez com que a bola não fosse para as redes, mas sim para o poste.

A vitória do FC Porto é assim justa e só não foi mais gorda por causa de Matheus. Tudo isto num bom jogo de futebol, principalmente na 1.ª parte, em que os dragões começaram muito bem, mas sempre tiveram resposta por parte do Sp. Braga, com Fábio Martins e Xadas em destaque, com bom entrosamento no ataque e um par de oportunidades também elas desperdiçadas.

HUGO DELGADO/EPA

Na segunda parte o jogo ficou mais monótono, mais jogado a meio-campo, que Sérgio Conceição foi povoando, primeiro com Otávio, depois com André André, na tentativa de controlar as operações. Operações essas que começaram a fazer-se inicialmente bem mais longe das áreas, ainda que a disponibilidade física de Marega tenha ajudado a criar algum perigo. Mas o FC Porto só voltou a ficar verdadeiramente perigoso mais para os últimos 20 minutos. Além da oportunidade de Alex Telles, também Aboubakar esteve em noite pouco inspirada: aos 68' foi isolado por Danilo, após um erro na saída de bola do central Bruno Viana, e só com Matheus pela frente optou pelo remate de primeira, que foi muito ao lado. Uma daquelas oportunidades que o número 9 não tem por hábito falhar.

Quanto ao Sp. Braga, nunca deixou de tentar, mas o apagamento de Xadas e a quebra física natural de quem jogou há pouco mais três dias não permitiram aos homens de Abel Ferreira ir atrás de um resultado mais risonho.

A vitória não tem assim grande contestação e FC Porto junta-se ao Sporting na liderança do campeonato. À quarta jornada são as únicas equipas apenas com vitórias.