Tribuna Expresso

Perfil

FC Porto

Seis minutos demolidores para uma mão-cheia de sorrisos no Dragão

FC Porto de mão cheia leva de vencida um Portimonense que se apresentou desinibido no Dragão. 5-2 para os azuis e brancos, com bis de Brahimi, que os deixa na liderança provisória da Liga à espera do resultado do Sporting

Tiago Oliveira

JOSÉ COELHO/LUSA

Partilhar

Seis minutos, três golos. Seria porventura redutor resumir um jogo a dois números. E teria razão. Quase sempre. Neste caso são os números que ajudam a perceber o que foi a vitória por 5-2 do FC Porto sobre o Portimonense, numa exibição de mão cheia no Dragão que os algarvios também souberem abrilhantar com bons momentos. Já lá vamos.

Numa conferência de imprensa onde acredita ter sido demasiado questionado sobre o Benfica ("8/10 perguntas" como afirmou), Sérgio Conceição ainda arranjou tempo para alertar para os perigos que a turma de Portimão trazia após boas exibições em recintos de respeito no futebol português, como a Luz ou os Arcos. Era preciso uma entrada forte para que as virtudes dos alvinegros fossem contidas.

Pelo seu lado, Vítor Oliveira não precisava de alertas. Ia ao terreno de uma equipa que contava por vitórias os jogos disputados no campeonato, sem golos sofridos no seu reduto. Aguentar o ímpeto e conseguir trazer para o relvado do Dragão o bom futebol que tem caracterizado o Portimonense era o objetivo. Palavra aos intervenientes.

Corona foi a novidade no onze dos dragões, face aos titulares que tinham vencido o Rio Ave na anterior jornada por 2-1, e foi um dos destaques da equipa que cedo deu combustível à exibição a todo o vapor, que caracterizou o jogo dos azuis e brancos. Constantemente a tentarem explorar a profundidade com as cavalgadas de Aboubakar e (sempre ele) Moussa Marega, as oportunidades apareceram logo aos 4 e 6 minutos e a pressão não cessou.

Brahimi e Corona (que tal como seus colegas mexicanos, tinha como nome na camisola "FuerzaMexico", por causa dos recentes terramotos e desastres naturais) davam água pela barba à defensiva algarvia que, ainda assim, ia repelindo como podia para que os restantes colegas conseguissem trocar a bola no meio campo adversário. O que ainda foi conseguido em certos momentos. Até aos seis minutos de futebol heavy metal (como diria Jurgen Klopp) e mais água do que barba. Não acredita? Ora vejamos.

20 minutos, golo de Marcano após canto de Alex Telles e carambola na grande área. Mais três minutos e palco agora para Aboubakar, após assistência de Corona. Primeiro de cabeça contra o defesa, e depois de pé esquerdo para o fundo das redes. Finalmente aos 26, novamente o ala mexicano, agora numa grande jogada individual, faz um passe primoroso para Marega que, perante a saída do guardião Ricardo, pica a bola. 3-0 e fogo no Dragão.

O Portimonense parecia prestes a afundar-se sem retorno, mas Vítor Oliveira fez uma mudança tática a partir do banco que permitiu equilibrar a contenda e dar mais bola à equipa, a juntar a um aparente adormecimento do FC Porto. Após ameaçar, e com Danilo a não acompanhar defensivamente, reduziram mesmo aos 36 minutos por intermédio da nova estrela da companhia, o japonês Nakajima. Até ao final da primeira parte, futebol mais inconsequente e a hipótese de uma recuperação improvável a pairar.

Os 45 de Brahimi

Mas eis que entra em ação o mago argelino. Sempre no seu jeito de agarrado à bola, decidiu acalmar os ânimos dos portistas e lançou-se para uma segunda parte de grande nível, levando os companheiros com ele. Tudo voltou à diferença de três logo aos 4 minutos da primeira parte, quando Brahimi aproveitou um passe de Marega para (também com a ajuda de um desvio) fazer um 4-1.

As famosas rotundas e paços de baile seguiram-se de forma regular, perante o gáudio da plateia do Dragão, e seria ele a iniciar e concluir a grande jogada que culminou na mão-cheia de golos para os azuis e brancos. Arrancada de Brahimi, passe para Aboubakar, calcanhar para Herrera, simulação do mexicano, gingar do argelino e remate certeiro. 5-1 aos 68 minutos e tudo mais que resolvido.

O jogo baixou então ligeiramente de ritmo e Sérgio Conceição começou a gerir para os importantes desafios que se avizinham (Mónaco e Sporting), apesar de as boas jogadas continuarem a ser mais regra do que exceção. O Portimonense ganhou novo ímpeto com as suas substituições e conseguiu mesmo reduzir outra vez, desta vez por intermédio de Ruben Fernandes, aos 73 minutos.

5-2 que se aguentou até final do jogo e aos aplausos do Dragão e a reunião de equipa em pleno relvado que já se tornou tradição. Se o Portimonense leva dois golos (e a certeza de poder sempre incomodar) marcados como consolação para a 17ª derrota consecutiva no terreno do FC Porto, os dragões seguem para o primeiro lugar provisório, à espera do que o Sporting pode fazer com o Moreirense. Próxima deslocação para a Liga? Alvalade.