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Conceição não inventa, Conceição cria soluções

O mundo abriu a boca de espanto quando percebeu que Sérgio Conceição havia colocado Sérgio Oliveira no onze para o encontro com o Mónaco. Pois bem, cedo se percebeu que não se estava perante uma invenção: o treinador do FC Porto fez a leitura perfeita do jogo e com competência e mesmo sem deslumbrar saiu de Monte Carlo com uma vitória por 3-0

Lídia Paralta Gomes

VALERY HACHE/Getty

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No dia em que Cristiano Ronaldo fez o jogo 400 pelo Real Madrid, o 150.º jogo em competições europeias e no dia em que um português mais anónimo, Nuno Morais, fez o seu centenário na Europa, Sérgio Conceição deu a titularidade a um jogador que tinha até esta noite zero-minutos-zero em provas oficiais esta época.

E, guess what, Sérgio Conceição acertou, mais uma vez.

Sérgio Conceição acertou em Sérgio Oliveira mas acertou em muitas outras coisas neste encontro em que o FC Porto venceu o Mónaco de forma altamente competente por 3-0, em Monte Carlo. Essa tem sido, aliás, umas das imagens de marca deste novo FC Porto, equipa curta mas com a qual o técnico português vai encontrando soluções e aprendendo com os erros.

Porque se no primeiro jogo dos dragões na Champions, frente ao Besiktas, houve um claro erro de estratégia, talvez o único de Conceição em toda a temporada, em Monte Carlo o técnico fez uma abordagem perfeita e de certa forma surpreendente, não tivesse ele apostado num elemento que nada havia jogado esta época.

Não foi uma invenção, como cedo se percebeu. Porque Conceição não inventa, Conceição é mais de resolver problemas e criar soluções.

Sérgio Oliveira, diga-se, não marcou, nem sequer fez uma assistência, mas foi importante para os outros serem melhores. Permitiu a Herrera jogar um pouco mais adiantado e fazer uma transição entre-linhas que tantas vezes ajudou o FC Porto a tornar-se uma equipa de processos simples. E deu também uma mãozinha a Danilo na hora de defender e escudar o corredor central - na sua estatística pessoal aparecerão ainda uns quantos desarmes.

Tão acertada quanto paciente, a estratégia do FC Porto só começou a dar frutos à meia-hora de jogo - até lá o jogo foi francamente chato porque ninguém quis arriscar muito e, com mais bola, o Mónaco não conseguia criar qualquer tipo de perigo porque o FC Porto era muito coeso no meio-campo.

Não foi competente o Mónaco, foi competente (e eficaz) o FC Porto, que aos 31 minutos fez o primeiro na primeira vez que chegou com perigo à baliza. Foram precisos três remates, é certo, mas só porque Diego Benaglio foi talvez o melhor em campo dos campeões franceses. Após um lançamento lateral de Telles, a boa andou a saltitar de cabeça em cabeça na área até chegar ao pé direto de Danilo que rematou com força para a primeira defesa apertada do suíço. Na primeira recarga de Aboubakar, a defesa foi ainda melhor mas à terceira já não deu para suster mais um remate do camaronês.

Noite desastrada do Mónaco, em que nada correu bem: nem os momentos de classe de Falcao

Noite desastrada do Mónaco, em que nada correu bem: nem os momentos de classe de Falcao

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/Getty

O golo foi como um murro no meio do nariz do Mónaco, que a partir daí nunca mais se levantou. Apenas tentou uma reação no início da 2.ª parte, mas o FC Porto tinha tudo muito bem delineado: com mais um homem no centro do terreno (Sérgio Oliveira, lá está), os dragões foram secando a profundidade do ataque rival, grande ponto forte dos monegascos.

Ainda assim, até ao 2.º golo do FC Porto, aos 69 minutos, o jogo teve por momentos algo partido, imprevisível. O bis de Aboubakar surgiu, por isso, numa altura ideal para a equipa de Sérgio Conceição. Tudo num contra-ataque simples, após uma bola ganha por Herrera. O mexicano colocou depois em Brahimi e, a partir daí, foram três toques: passe em profundidade para Marega, com o maliano a cruzar para Aboubakar que só precisou de fazer a emenda.

Após um remate à trave de Falcao, o Mónaco deixou definitivamente de existir enquanto equipa com cabeça, critério e frescura para ir atrás do resultado e as transições rápidas do FC Porto voltaram a funcionar mesmo ao cair do pano, numa daquelas bolas que parecia não querer entrar: o primeiro remate (fortíssimo) de Marega foi bem defendido por Benaglio, a bola sobrou para Herrera que em frente à baliza rematou contra o guarda-redes, Marega recolheu o ressalto, viu Layun sem marcação e deixou para o mexicano que, finalmente, lá conseguiu fazer o terceiro para o FC Porto.

A vitória foi gorda e, apesar do jogo não ter sido sempre bem jogado, foi merecida, porque uma equipa teve estratégia e outra não. O FC Porto repetiu o 3-0, o mesmo 3-0 com que ganhou ao Mónaco na final da Champions em 2004 e emendou a mão (e de que maneira) depois da entrada em falso no jogo de estreia na edição deste ano da Liga dos Campeões.