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Há quase três anos que o FC Porto não quer nada com a Taça da Liga

O FC Porto não conseguiu melhor que um nulo na estreia da edição 2017/18 da Taça da Liga, frente a um Leixões bem organizado defensivamente. Faltou imaginação e ritmo: os dragões só conseguiram criar perigo após a entrada de Corona, Brahimi e Marega, a meio da 2.ª parte. Já não foi a tempo e há 2 anos e 8 meses que os azuis e brancos não sabem o que é ganhar na competição

Lídia Paralta Gomes

MANUEL ARAÚJO/LUSA

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A Taça da Liga é uma competição, digamos, estranha. Mal-amada por uns, uma oportunidade para outros, as equipas pequenas dizem que é feita a pensar nos grandes e, verdade seja dita, talvez seja.

Mas, no futebol, a lógica é muitas vezes apenas uma palavra - e é por isso que há tanta gente que o adora. E no último ano não há quem não tenha encontrado um pouco de alegria na conquista do Moreirense, numa final contra o Sp. Braga, a culminar uma final four em que até só estava um dos grandes, o Benfica.

Todos nós sabemos que a lógica nem sempre é lei, mas há factos que ainda nos deixam de boca aberta. Como o de nenhum dos grandes ter ganho na primeira jornada da fase de grupos. Ou, mais improvável ainda, o facto do FC Porto na verdade não ganhar na Taça da Liga há mais de dois anos e oito meses. Sim, true story. Janeiro de 2015 é a data da última vitória dos dragões na competição, frente à Académica.

Ainda não foi esta terça-feira, frente ao Leixões, uma das equipas em melhor forma na 2.ª Liga, que acabou a o divórcio entre o FC Porto e a agora denominada Taça CTT. Porque não é muito fácil ganhar quando se adopta uma postura mais coincidente com um final de pré-época. Fora os últimos 25 minutos, após a entrada de Corona, Brahimi e Marega, o FC Porto foi uma equipa lenta, sem ritmo, com muito pouca imaginação, mesmo que tenha jogado com alguns habituais titulares e outros elementos com muitos minutos esta época.

O nulo não é, assim, um resultado completamente descabido, num jogo, bem, típico de Taça da Liga. O Leixões chegou ao Dragão com muitos adeptos e uma bela organização defensiva, sem medo de pressionar ou rematar à baliza de José Sá, que voltou a ser titular, com Sérgio Conceição a deixar novamente Casillas no banco.

Galeno, avançado brasileiro de 20 anos, foi titular pela primeira vez no FC Porto

Galeno, avançado brasileiro de 20 anos, foi titular pela primeira vez no FC Porto

MANUEL Araújo/LUSA

A 1.ª parte foi um deserto de ideias da parte da equipa da casa, que apenas contou com a vontade de Galeno, 20 anos, titular pela primeira vez. A vontade era tanta que o jovem brasileiro não travou o ímpeto quando aos 13 minutos recebeu um belo cruzamento atrasado de Oliver, rematando muito, muito por cima. Ainda antes da meia-hora, Reyes quase conseguiu emendar um livre de Otávio.

E quanto a lances de perigo na 1.ª parte, estamos falados.

Ainda antes do intervalo, Hernâni tentou fazer um slalom entre os defesas do Leixões e mal ganhou algum espaço resolveu rematar contra um mar de pernas de adversários. A desinspiração era tal que mal o relógio bateu nos 45 minutos, Vasco Santos apitou para intervalo. “Nem mais um segundo disto”, parecia querer dizer o juiz.

O certo é que após o intervalo o jogo melhorou um pouco. O FC Porto entrou mais acelerado, sempre à procura de Galeno, embora sem grande eficácia. Talvez aborrecido com a produtividade da equipa que escolheu para iniciar o jogo, Sérgio Conceição chamou Corona, Brahimi e Marega e foi com eles em campo que o líder do campeonato começou a criar mais perigo. Corona, após passe de Brahimi (73’), Reyes, após cruzamento rasteiro de Maxi (79’) e Marega, depois de um cruzamento de Corona (87’) falharam oportunidades claras.

Faltou portanto ao FC Porto algo que até tem sido regra ao longo da temporada: agressividade e eficácia. E enquanto isso, os 2 anos e 8 meses estão quase a tornar-se em três anos, muito tempo sem ganhar em qualquer competição, quanto mais numa competição interna.