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A geringonça portuga e a startup alemã

O FC Porto venceu (3-1) o Red Bull Leipzig no Dragão e subiu ao segundo lugar do seu grupo, com seis pontos. Sérgio queria jogar em 4x4x2, foi obrigado a mudar para o 4x3x3, mas levou de vencida um adversário dos tempos modernos. Os portistas dependem, agora, apenas deles próprios para seguirem em frente

Pedro Candeias

Sim, Maxi entrou e margou um golo. Em contra-ataque, servido por Aboubakar

MIGUEL RIOPA

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Ele há coisas assim, que põem o senso-comum e também o bom-senso num saco que se manda às urtigas.

Coisa número um. O voluntarioso e maciço Moussa Marega fez um sprint por volta dos dois, três minutos, lesionou-se, atirou-se para o relvado, saiu, reentrou com uma coxa elástica, continuou a coxear, sprintou outra vez, ganhou um canto e foi substituído, o canto foi marcado e Herrera fez o 1-0. O senso-comum e o bom-senso dizem-nos que um tipo lesionado tem de sair para evitar que o rasgão muscular seja maior e dali venham males maiores - e Moussa Marega esteve mais ou menos 10 minutos lesionado dentro de campo.

Coisa número dois. O igualmente voluntarioso e maciço Vincent Aboubakar fez um sprint, sofreu um toque, a bola sobrou para um colega, o árbitro parou a jogada e assinalou a infração, a falta foi batida e aconteceu o 2-1. O senso-comum e o bom-senso e a lei de jogo (e neste caso, acrescem os gritos de Sérgio Conceição) dizem-nos que um árbitro deve dar a lei da vantagem a não ser em situações-limite, como os penáltis - um livre quase lateral naquela zona é um lance que está a meio caminho entre o sensivelmente perigoso e o rigorosamente inútil, mas foi assim que Danilo fez o golo.

Coisa número três. Um defesa é um defesa e Maxi Pereira é sobretudo um defesa, e foi ele quem fez o 3-1 após um passe de ruptura bem metido de Aboubakar que é um avançado sobretudo avançado - este é apenas o quarto golo de Maxi nas competições europeias, para que se perceba a coisificação desta efeméride que deixou o Porto com seis pontos, em segundo lugar e a depender apenas de si para se qualificar para os oitavos-de-final.

E pelo meio deste jogo aconteceram outras meias-coisas, acima de tudo nesta espécie de startup futebolística que dá pelo nome de Red Bull Leipzig: a espantosa fragilidade a defender bolas paradas (na Alemanha, tinha sofrido dois golos da mesma forma), a estranha ausência de Timo Werner no onze titular (belo golo de chapéu a José Sá), e a pouco germânica frieza quando foi preciso defender o resultado.

Obviamente que o primeiro e o terceiro pontos foram forçados por este Porto 2017-18, robusto e confiante, capaz de alternar entre sistemas e mudar de planos com o jogo a decorrer porque quer ou porque é obrigado (e, hoje, a lesão de Marega obrigou-o), e que tem na capacidade física e mental as respostas adequadas para um plantel que é limitado nas opções, mas inquebrável na vontade. Por outro lado, nunca saberemos se o resultado seria 3-1 se Marega não se tivesse lesionado, provocando a mudança do 4x4x2 para o mais conservador (e seguro) 4x3x3 que provavelmente permitiu controlar melhor o meio-campo alemão; mas, lá está, aí já estaríamos novamente no plano do senso-comum e isso, já sabemos, bate tendencialmente de frente com a realidade das coisas.