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É oficial: o Porto é uma equipa como as outras

O FC Porto empatou contra o Desportivo das Aves (1-1) e deixou a imagem de uma equipa amorfa e lenta - tudo o que não fora até este sábado

Pedro Candeias

FRANCISCO LEONG

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E, de repente, Soares voltou a jogar, coisa que não acontecia há dois meses, e Marega também, coisa que não acontecia há três semanas.

A primeira ideia que me veio à cabeça foi esta: o Porto tinha conseguido manter-se na liderança e pôr pé e meio nos ‘oitavos’ da Liga dos Campeões sem dois dos seus três avançados. E como uma ideia tosca faz-se sempre acompanhar de outra, seguiu-se esta: se o Porto se aguentou assim, imagino como é que isto vai ser a partir de agora com toda a gente disponível.

Acontece que o futebol não é assim tão linear como os tipos (como eu) que o tentam analisar gostariam que fosse. E aconteceu que o regresso de Soares ao onze coincidiu com o fim de uma outra ideia tosca: a de que o FC Porto era irresistível e imune.

Obviamente, não era.

Frente ao Desportivo das Aves, o FC Porto esteve, assim como assim, irreconhecível. Não foi a equipa que pressiona e asfixia e empurra o adversário lá para trás ou força o erro alheio. Nunca conseguiu ligar os contra-ataques. Raramente circulou bem a bola. E, acima de tudo, disparatou mais do que é costume nas marcações coletivas e individuais, o que permitiu ao Aves chegar-se à frente várias vezes.

Aliás, na primeira-parte, o Aves criou mais oportunidades do que o Porto (3 contra 1, contei-as eu), uma por Arango, duas por Salvador Agra que… Bom, se Agra fosse um piloto japonês a precipitar o seu jato sobre um bombardeiro a gritar kamikaze acertaria em cheio no Pacífico.

Exemplo um: Soares fez um passe para Ricardo que recebeu de pé direito e rematou de pé esquerdo para o 1-0.

Exemplo dois: Salvador agra recebeu um passe de Amilton com o pé direito, a bola saiu trôpega e quando ia para chutar já tinha José Sá em cima dele. Pois então, chegou o intervalo: 1-0 a premir a eficácia do FC Porto, que jogava mal, e a castigar a ineficácia do Aves, que jogava bem, ou melhor, muito bem e num sistema de três defesas, quatro médios e três avançados.

Na segunda-parte, o encontro prosseguiu de igual forma. Ou seja, um Porto cansado e preso de movimentos, provavelmente a pagar as correrias na Turquia contra o Besiktas, e um Aves a beneficiar do controlo no meio-campo que advinha do facto de ter mais jogadores lá metidos: os quatro médios em linha e dois dos a defender por dentro.

E o instante em que Corona foi expulso por falta sobre Vítor Gomes, foi o instante em que tudo mudou: Sérgio Conceição retirou Soares e pôs Maxi para cerrar as linhas; e Lito abdicou de um dos centrais, pôs Ryan Gauld, recuou Paulo Machado e alinhou Gauld e Vítor Gomes em lugares mais subidos.

Às tantas, num cruzamento de Amilton, Vítor Gomes apareceu no meio da defesa portista e fez o empate que, para sermos justos, o Desportivo das Aves já merecia. Depois, o encontro partiu-se, os cartões amarelos saltaram do bolso para a mão do árbitro, houve uma ou outra ocasião de perigo, mas o relógio foi andando até ao minuto 95’ sem que nada de realmente interessante acontecesse.

E, agora, um parêntesis para Lito Vidigal. O homem disse que queria ganhar ao FC Porto e redisse nesta entrevista à Tribuna Expresso (ver AQUI.) que tinha a certeza que vai ser campeão nacional a treinar um grande. Confiança não lhe falta e as equipas que ele treina jogam melhor do que eram suposto jogar. Talvez seja melhor levarmos o que ele diz um bocadinho mais a sério, relativizando o ar de frete e de desdém que apresenta sempre que fala na TV.