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Adversário para Aboubakar? Só mesmo a Ana

Em noite de tempestade, o FC Porto foi um vendaval que passou por Setúbal, batendo um muito fragilizado Vitória por claros 5-0. Aboubakar marcou três, já leva 20 na temporada e Marega completou a mão-cheia de golos, que coloca os dragões de novo na liderança do campeonato

Lídia Paralta Gomes

FRANCISCO LEONG/Getty

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Não foi um FC Porto particularmente brilhante ou criativo. Intenso ou espectacular. Não foi porque nem sequer preciso. Aliás, só assim se justifica que o primeiro golo da equipa de Sérgio Conceição no Bonfim só tenha surgido à passagem da meia-hora, o primeiro dos cinco golos com que os dragões derrotaram o V. Setúbal, o primeiro dos três de Aboubakar, para uma vitória que coloca o FC Porto de novo a par do Sporting no topo da tabela do campeonato.

Não foi preciso mais FC Porto porque este V. Setúbal não pede mais. No Bonfim mora neste momento uma equipa fragilizada, quase deprimida, sem capacidade de reação e que apenas vai assustando no talento de Costinha e Amaral. E por isso, mal surgiu o primeiro do FC Porto, veio a derrocada - o único adversário do líder do campeonato passou a ser a Ana. A tempestade Ana, digo, que trouxe primeiro o vento e depois a chuva, às tantas os dois ao mesmo tempo o que por vezes tornou a bola quase impossível de controlar.

O V. Setúbal, diga-se, durou dois minutos e a primeira situação de perigo do jogo até foi dos sadinos: Edinho surgiu cara-a-cara com José Sá, mas demorou uma eternidade a decidir-se e o guarda-redes dos dragões rapidamente resolveu o lance.

A partir daí, o ator principal passou a ser Aboubakar. O camaronês tocou duas vezes, como o carteiro, ainda antes dos 15 minutos e aos 31’ marcou mesmo, a responder de cabeça a um canto marcado por Alex Telles.

José Couceiro pediu falta do avançado no momento do golo, com uma veemência tal que levou a equipa de arbitragem a expulsá-lo. A partir daí o V. Setúbal não só ficou em desvantagem como que abandonado à sua sorte - o descalabro adivinhou-se ali mesmo.

Assim que rapidamente o FC Porto avançou para o avolumar de marcador. Primeiro por Marega, aos 40’, numa jogada que podia ser de pinball - Aboubakar rematou para a defesa de Cristiano, na recarga Maxi rematou para o poste e o ressalto acabou por embater nas pernas de Marega e seguir para a baliza. Marega que tanto falhou na Luz, agora como que atraiu o golo.

Marega marcou dois na vitória do FC Porto em Setúbal

Marega marcou dois na vitória do FC Porto em Setúbal

José Sena Goulão/Lusa

O terceiro demorou mais cinco minutos, uma grande penalidade que Aboubakar sofreu e concretizou, mesmo que Cristiano tenha adivinhado as intenções do avançado e ainda tenha tocado na bola.

Bater em feridos

Com 3-0 no marcador e uma equipa absolutamente derrotada do outro lado, a 2.ª parte seria apenas um pró-forma, não fosse Sérgio Conceição um treinador ambicioso. E depois de uns minutos em que o ritmo baixou a temperaturas quase negativas, o FC Porto voltou à carga e ainda marcou mais dois para acentuar a crise sadina - já são cinco as derrotas consecutivas do V. Setúbal, que se aproxima perigosamente dos lugares de despromoção, para juntar à crise diretiva.

Aos 69’ Aboubakar fez o terceiro hat-trick na carreira, o segundo pelo FC Porto e o 20º golo da temporada - um recorde para o camaronês -, ao responder sem oposição e no coração da área a um cruzamento de Marega na esquerda. Já dentro dos últimos 10 minutos seria a vez do maliano fazer o seu bis, aproveitando mais um erro defensivo do Setúbal, desta vez de Nuno Pinto, para se isolar e picar a bola à saída de Cristiano - foi o melhor golo da noite invernal que se abateu sobre o Bonfim.

E depois de um clássico sem golos, muito por culpa do desperdício do FC Porto, esta semana serviu para os dragões tirarem a barriga de misérias: foram cinco golos na Champions perante o Mónaco e cinco golos no campeonato, este domingo.

Não está mal para resposta cabal.