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O conto de Danilo e dos postes na vitória dos dragões sobre os vimaranenses

Aboubakar, Danilo e André André (por duas vezes) foram os marcadores de serviço na vitória de 4-0 do FC Porto frente a um Vitória de Guimarães desfalcado. Dragões seguem rumo aos quartos de final da Taça de Portugal

Tiago Oliveira

JOSE COELHO/ Lusa

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"Água mole em pedra dura tanto dá até que fura." Diz o povo e que o diga Danilo, protagonista de um duelo muito particular na vitória por 4-0 do Futebol Clube do Porto sobre o Vitória de Guimarães. O antagonista desta duelo? A baliza adversária. Foi aguentar o possível mas, mesmo sem forçar, os dragões, outra vez sob o signo das bolas paradas, carimbaram a goleada e a passagem aos quartos de final da Taça de Portugal.

A competição rainha do futebol português é um sonho assumido de Sérgio Conceição que, na antevisão da partida, fez questão de se referir à final perdida em 2015 frente ao Sporting (na altura como técnico do Sporting de Braga) como uma "espinha atravessada na garganta."

Chegar de novo ao Jamor é objetivo pessoal e, neste caso, transmissível ao plantel que mais uma vez mostrou-se em sintonia com as ideias do treinador. Que reforçou o sinal não só com palavras mas também com o onze escalado, onde Casillas regressou cinco jogos depois e só Brahimi e Filipe ficaram a descansar no banco.

Já Pedro Martins não se podia dar ao mesmo luxo. A braços com uma onda de lesões que o privou de algumas peças fundamentais, o técnico vimaranense optou também por poupar alguns elementos como Raphinha ou Héldon e dar espaço a outros jogadores. Sem perder a ambição de voltar a um palco onde a caminhada do ano passado só terminou aos pés do Benfica.

Dados lançados para um início de jogo onde os dragões cedo apareceram a controlar o jogo, mesmo sem grande intensidade, com o Guimarães a tentar responder em ataques rápidos. E começou logo com o primeiro ato do duelo à luz da lua do pistoleiro Danilo. Num lance já tantas vezes visto esta época, Alex Telles bate um canto com o médio a antecipar-se e a rematar contra o poste esquerdo da baliza de Miguel Silva aos 5 minutos. Postes 1, Danilo 0. E não ficaria por aqui.

Não faltava muito para o primeiro da partida. Na grande área do Vitória de Guimarães, há contacto entre a mão de Victor Garcia (num lance muito contestado pelos vimaranenses) e a bola com Carlos Xistra a apontar para a marca da grande penalidade. A responsabilidade coube a Aboubakar que, aos 12 minutos, não vacilou e fez o 1-0. Foi o sexto golo em três jogos do camaronês.

Os homens da cidade berço tentaram responder à vantagem madrugadora e logo aos 17 minutos tiveram próximos do empate num lance construído pelos dois jogadores mais perigosos dos visitantes, Konan e Fábio Sturgeon, com o primeiro a avançar pela esquerda e a cruzar para a cabeça do segundo que viu a bola passar rente à barra da baliza de Casillas. Os dois tentavam agitar as águas e manter o estádio do Dragão em alerta.

Seria o FC Porto a ter a oportunidade mais perigosa até final da primeira parte, aos 25 minutos. Carambola à entrada da área com (acho que já adivinharam) Danilo a recuperar a bola e a rematar contra, o que mais, o poste direito vimaranense. Postes 2, Danilo 0. Para resolver nos segundos 45 minutos, após um resto de primeira parte morno, sem grande intensidade de parte a parte.

À terceira é de vez

No reatar da partida, o ritmo manteve-se semelhante apesar de o Guimarães parecer disposto a arriscar mais no assalto à defesa contrária. E era quando Pedro Martins estava no processo de lançar Héldon no jogo que os azuis e brancos chegam ao 2-0. Por intermédio de quem? Finalmente Danilo. Novo canto, novo cruzamento de Telles e novo cabeceamento do médio só que desta vez com a bola a enroscar-se nas malhas da baliza adversária. 58 minutos, postes 2, Danilo 1, agora a contar para júbilo do público do dragão.

O jogo parecia estar encaminhado para os lados do dragão e Sérgio Conceição começou a mexer na equipa que, continuando sem forçar, viu o Vitória abrir mais espaços ao tentar partir em busca do prejuízo. Já após Danilo ter perdido mais um duelo com a baliza, foi assim que, pouco depois de entrar, André André estava no sítio certo para após uma excelente jogada de Herrera e um remate acrobático de Aboubakar, rematar na recarga para fazer o 3-0 aos 64 minutos. Sem festejar frente à equipa onde passou quatro épocas.

Tudo resolvido, mas Héldon ainda quis deixar um travo de nota artística com um remate portentoso de meia distância que só parou no poste. Com direito a agradecimento de Casillas. Até final, espaço para André André fazer jus ao seu nome e bisar na partida, após mais uma bola parada aos 83 minutos. Canto, cabeçada de Soares e desvio em cima da linha de golo.

4-0, goleada firmada e passagem mais do que garantida. Ainda deu para o desaparecido Óliver regressar e para olés nas bancadas que não refletem a réplica que o Guimarães conseguiu dar a espaços. Para a posteridade fica o resultado e mais uma etapa na história que Sérgio Conceição quer construir na Invicta. Agora nos quartos de final da Taça de Portugal.