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Fantasma de Natal Marega assombra Marítimo na vitória do FC Porto

Dragões venceram por 3-1 num jogo em que os madeirenses passaram mais de metade do tempo a jogar com 10. Reyes e Marega, por duas vezes, fizeram os golos do triunfo que coloca os azuis e brancos lado a lado com o Sporting na frente do campeonato. Fábio Pacheco marcou para os insulares

Tiago Oliveira

MIGUEL RIOPA/GETTY IMAGES

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No clássico "Conto de Natal" de Charles Dickens, Ebenezer Scrooge é visitado (pode recordar em baixo uma cena da nostálgica versão da Disney) na véspera de Natal por três fantasmas que o fazem ter uma perspetiva diferente da vida. Se não foi bem uma nova visão que o Marítimo ganhou, decerto que Marega tratou de fazer de fantasma do Natal Passado e do Natal Presente perante a equipa que o revelou ao futebol português. O maliano foi a grande figura da vitória por 3-1 ao bisar frente ao Marítimo e a ajudar ao FC Porto a mais uma vitória no campeonato. Com a ajuda do fiel escudeiro Brahimi.

Em dois lances que, para o olho mais desatento, poderiam parecer repetição um do outro, o argelino assistiu Marega para os golos que deixam os dragões passar o Natal em primeiro lugar juntamente com o Sporting. Sem assombrações perante uns madeirenses que até ficarem a jogar com dez venderam cara a derrota.

Face à equipa que goleou o Vitória de Guimarães por 4-0, Sérgio Conceição tirou Iker Casillas e Corona para meter José Sá e Brahimi e manteve Reyes no onze, com Ricardo e Maxi a partilharem a ala direita. Já Daniel Ramos, ao leme de um Marítimo estável num 5º lugar de respeito, surpreendeu ao lançar um onze montado com 3 centrais para tentar estancar a sociedade Aboubakar/Brahimi. Funcionou com um.

O jogo começou com um FC Porto com mais bola mas algumas dificuldades em desmontar a barreira defensiva dos insulares. Rápidas trocas de bola a explorar o espaço entre os centrais e os alas foram sempre uma das armas mais utilizadas. Numa dessas jogadas, Maxi após uma grande simulação deixou para Ricardo, que rematou prensado para defesa de Charles aos 13 minutos.

Se é certo que a equipa maritimista parecia algo desconfortável com a nova estratégia assumida, conseguiu ir repelindo as tentativas azuis e brancas até que o abre latas de sempre voltou a funcionar. Sim, esse mesmo, as bolas paradas e o pé esquerdo de Alex Telles. Cruzamento do lateral e Reyes a marcar aos 19 minutos no coração da área. Como mandam as regras, de cima para baixo.

Sem tirar o pé do acelerador, o FC Porto continuou a ameaçar e Brahimi esteve perto do golo num lance em que tira um defesa do caminho com um toque de grande classe. Com Zainadine em destaque no sector defensivo, sobreviveu e, mais, respondeu mesmo à altura. Na primeira vez que se aproxima da área contrária com perigo, Ricardo Valente é lançado em velocidade pela direita e remata para defesa apertada de José Sá. Na recarga, Fábio Pacheco não facilitou e fez o 1-1 aos 26 minutos.

Expulsão a facilitar

A equipa da casa ficou um pouco abalada e não respondeu de imediato. Só paulatinamente foi-se acercando de forma mais assertiva até um dos momentos do jogo. Entre os 36 e os 39 minutos, Gamboa vê dois cartões amarelos e deixa a sua equipa a jogar com dez. Na sequência do segundo livre, Marcano ia marcando mas o golo chegaria mesmo a fechar a primeira parte. Brahimi vê a desmarcação de Marega e faz um passe rasgar que o avançado, perante a mancha de Charles, converte com categoria para fazer o 2-1.

Os segundos 45 minutos trouxeram um FC Porto naturalmente mais dominador perante um Marítimo que pouco mais conseguiu fazer do que limitar os danos e tentar manter-se vivo no jogo. Apesar de oportunidades de Marega, Danilo e uma entrada agitadora de Corona, o 3-1 tardava em chegar e mais uma arrancada de Ricardo Valente deixou o aviso aos dragões.

O golo da tranquilidade só chegaria já na fase final da partida, num lance tirado quase a papel químico do segundo golo do Porto. Passe de Brahimi, agora Marega a aguentar a carga e a rematar para o seu 12º golo na Liga. 3-1 aos 78 minutos e jogo praticamente resolvido perante um Marítimo já sem forças.

Até final da partida, deu para o Dragão mostrar a sua sintonia em época natalícia e pouco mais, com duas equipas já a pensar noutras itinerâncias. Com a vitória, o FC Porto partilha o cadeirão do primeiro lugar do campeonato até ao final do ano civil com um dérbi lisboeta no horizonte e carregado de confiança. É um campeonato ao rubro e sem previsões, possíveis. Para isso só com o fantasma do futuro.