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Ivo Vieira: “Quase que dava dó ver o Estoril em campo”

Chegou em vantagem mas saiu com uma derrota que o próprio diz que podia ter sido bem pior. Muito crítico, o técnico do Estoril assumiu a responsabilidade pelo resultado mas apontou também o comportamento dos seus jogadores

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Carlos Rodrigues/Getty

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A derrota

"Este jogo foi preparado de forma natural, como todos os outros. Sabíamos que estávamos em vantagem mas não poderíamos estar à sombra desse resultado. A estratégia passava por isso, sabíamos que o Porto partia em desvantagem e que ia entrar forte, ia fazer muito jogo direto. Preparámos isso durante a semana, no treino, mas a verdade é que o Porto conseguiu tirar partido por algum mérito do Porto, porque é uma equipa forte, mas no jogo direto por muito mérito daquilo que foi a nossa equipa, obviamente na minha pessoa como responsável"

Responsabilidade

"Vou sempre dar o corpo às balas naquilo que são os resultados menos conseguidos da equipa. Quase que dava dó ver o Estoril em campo, não ganhava uma primeira bola, não dava dois toques na bola. Foi um jogo muito aquém do esperado. Eu tenho de pensar bem porque eu sou responsável mas estes atletas também têm de repensar aquilo que é jogar numa instituição como esta, não basta vestir uma camisola, têm de trabalhar o suficiente para dignificar a mesma. Temos aqui um emblema, temos pessoas que lutam por nós, que olham por nós, que puxam por nós, que estão do nosso lado mesmo nestes momentos difíceis. A responsabilidade é minha mas os jogadores são aqueles que desfrutam no campo e que têm de dar mais. Uma coisa é perder sendo competente e oferecendo dificuldades ao adversário, dando o seu máximo, mas com um comportamento destes temos de parar para refletir sobre aquilo que foi o nosso comportamento embora houvesse algumas alterações por causa das condicionantes do jogo, mas não se justifica este comportamento de em 20 minutos sofrer três golos quando vínhamos de uma vantagem. Tínhamos 45 minutos para jogar e isto é mais uma questão mental, todos nós queremos o melhor mas os nossos jogadores têm de perceber que com este comportamento em campo é impossível."

Alterações

"Houve algumas alterações por causa dos regulamentos mas quem vem para o jogo e quem prepara para jogar contra o Porto ou outra equipa da mesma dimensão tem de estar super motivado, tem de disputar o jogo, tem de ser feliz no jogo mas tem de ser muito intenso. Ainda hoje de manhã falámos sobre isto, tem de perceber que eram só 45 minutos e mesmo com todas as limitações tem de haver um compromisso muito grande, isto já para não dizer que o Porto podia ter feito mais 2 ou 3 golos e estávamos a falar de um resultado pesadíssimo, que foi pesado em 20 minutos na mesma mas que podia ter sido catastrófico por aquilo que foi o nosso comportamento em campo"

Os problemas da equipa

"Não fomos intensos, não metemos o pé, não ganhámos primeiras bolas, também não ganhámos segundas bolas, jogámos muito atrás, não atacámos a bola, fomos muito frágeis nas bolas paradas. A nossa equipa não é isto. Eu sou o responsável, eu assumo a responsabilidade mas os jogadores tem de perceber aquilo que fizeram e se quiserem no futuro caminhar em termos profissionais no futebol têm que apelar à sua consciência e perceber se realmente este é o comportamento adequado. Perder por mérito, tudo bem. Mas nós quase que não disputávamos a bola. O Porto tinha dois homens na frente, poderosos e fortes, mas contra quatro dos nossos pareciam sempre que eram mais. Nós somos humanos, temos duas pernas e dois braços e tínhamos de fazer mais pelo jogo e por aquilo que aconteceu fizemos muito pouco, para não dizer que não fizemos nada."