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Rasgadinho? Não, não, muito entretido

O FC Porto-Boavista é historicamente um duelo intenso e o deste sábado foi um jogo cheio de, vamos chamar-lhes, "incidências": houve lesões, erros, golos anulados, houve intervenções decisivas do VAR. Mas, acima de tudo, foi um interessante jogo de futebol, que os dragões venceram por 2-0, mantendo assim a liderança do campeonato

Lídia Paralta Gomes

FRANCISCO LEONG/Getty

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Há jogos com muitos golos, outros com muitos casos, outros com azares e também os há aqueles para os quais não há muito a dizer. O FC Porto-Boavista deste sábado como que entra em todas estas categorias ou em nenhuma delas.

Foi um jogo, como dizer, com muitas “incidências”, essa palavra que dá para tudo e que não dá para nada, mas que será talvez a mais acertada para definir aquilo que se passou no Dragão. Para lá da vitória do FC Porto por 2-0, que mantém a equipa de Sérgio Conceição no topo da tabela, aconteceu um pouco de tudo: duas lesões para o Boavista, um erro grave do guarda-redes, uma expulsão que afinal não foi, uma redenção de Sérgio Oliveira traída por uma escorregadela, duas intervenções decisivas do VAR, um Óliver vivo, tantas outras coisas.

Historicamente, os jogos entre FC Porto e Boavista são quentes, rasgadinhos. Este foi muito, muito entretido.

Porque para lá das tais “incidências”, também se jogou à bola. E bem. Principalmente na 1.ª parte, que praticamente abriu com o golo de Felipe, a irromper defesa do Boavista adentro de cabeça ainda o relógio não contava 2 minutos. Na primeira jogada de insistência do FC Porto, Sérgio Oliveira bateu primeiro o canto, depois foi buscar a segunda bola e por fim deixou-a boa de cabecear para o central brasileiro fazer o seu 4.º golo no campeonato - e podia ter repetido a dose também de cabeça aos 14’, mas Vagner estava atento.

Entrar a perder não estaria certamente nos planos do Boavista de Jorge Simão, uma equipa organizada e que ataca bem - o 6.º lugar no campeonato à entrada desta jornada não era coincidência - mas nem por isso a equipa renegou o seu ADN. Aliás, nenhuma das equipas o fez, pelo que os primeiros 45 minutos foram muito interessantes, com as duas equipas ao ataque. Faltaram apenas as oportunidades.

Para juntar à emoção propriamente dita e inerente da bola a rolar de pé para pé, houve ainda um momento VAR para dar aquele sal à 1.ª parte. Aos 40 minutos, Manuel Oliveira viu uma falta feia de Vítor Bruno, acabado de entrar, e sacou do cartão vermelho. Mas depois de rever as imagens, admitiu o excesso de zelo de uma entrada algo despropositada mas não violenta, trocando a tonalidade da cartolina.

Tudo acabou com um aperto de mão entre o juiz e Vítor Bruno, na maior civilidade.

A 2.ª parte começou um pouco mais atabalhoada, com o Boavista com alguns ascendente a partir dos 50 minutos. Mateus, em lances consecutivos, esteve perto de marcar: primeiro foi estorvado por Sérgio Oliveira quando tentava cabecear e depois foi Casillas a travar um remate cruzado muito perigoso.

A parada de Casillas parece ter abanado o FC Porto, tal como a entrada de Óliver para dar mais criatividade ao meio-campo. A partir daí, a equipa da casa tomou conta do jogo. Aboubakar tentou que se fartou, mas Rossi ia limpando o possível e o impossível e acabou por ser num erro que os dragões chegaram ao 2-0.

O VAR, um dos protagonistas do FC Porto-Boavista

O VAR, um dos protagonistas do FC Porto-Boavista

NurPhoto/Getty

Numa reposição de bola, aos 62’, o guarda-redes Vagner chamou Idris, mas quem apareceu foi Herrera, que roubou o ouro e seguiu para baliza.

Um par minutos depois, momento VAR número 2, este ainda mais rocambolesco. Manuel Oliveira viu uma carga de Sparagna sobre Maxi e assinalou grande penalidade. Aboubakar pediu para marcar, Brahimi pediu para marcar, Herrera olhou também como quem pede para marcar. Mas Sérgio, o treinador, tinha prometido que Sérgio, o jogador, ia marcar o próximo penálti e Sérgio, o jogador, marcou mesmo.

Bem, mais ou menos.

Enquanto Sérgio Oliveira festejava efusivamente com Sérgio Conceição o 3-0, os jogadores do Boavista pediam duplo toque do jogador do FC Porto na hora de bater o penálti. Chamado o VAR, o veredicto: na marcação, o médio escorregou e terá tocado duas vezes na bola.

Foi a última “incidência” num bom jogo de futebol, num bom espectáculo, num bom entretenimento de hora e meia. Para a história factual ficam os 3 pontos do FC Porto, o regresso às vitórias e a permanência no topo da tabela.