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Os fogaceiros levaram a fogaça, os portistas fizeram a festa

O FC Porto confirmou o título com uma vitória (2-1) tranquila sobre o Feirense. O palco para a celebração está montado e segue dentro de momentos

Pedro Candeias

Gualter Fatia

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Aconteceu alguns minutos depois da hora prevista pois eram quase oito e meia da noite quando o FC Porto - Feirense das oito e um quarto arrancou. Motivo: a festa do novo campeão do futebol português.

[A pontualidade nunca foi o nosso forte.]

Em campo entraram duas equipas que não podiam estar mais distantes, na medida em que uma chegava com o título no bolso e a outra buscava a proverbial cartada na manga: ganhar no Dragão e garantir logo ali a manutenção. Ora, isto era pouco provável, mas não era impossível, porque, bem vistas as coisas - e pondo-me na cabeça do treinador dos fogaceiros -, o Porto não precisava de pontos, estaria cansado, quem sabe ressacado, e Sérgio Conceição podia até estar na disposição de dar um jeitinho a um colega em início de carreira.

Só que não.

Sérgio foi implacável nas escolhas que fez - apenas Reyes entrou no onze para o lugar do castigado Felipe - e o FC Porto entrou com os seus melhores jogadores. E os seus melhores jogadores a jogarem juntos, e sem a ansiedade que antecede um jogo de título, seriam teoricamente irresistíveis perante o frágil Feirense. Na prática foi pior.

Na primeira-parte, apenas Crivellaro assustou Casillas num remate chapéu longínquo que bateu no poste. De resto, Soares, Telles, Sérgio Oliveira, Reyes (bola ao ferro) tiveram as suas oportunidades desperdiçadas; depois, a supremacia estatística (o Porto chegou a ter quase 70% de posse de bola) traduziu-se no golo de Oliveira, que matou no peito e chutou de pé direito e foi direito a Sérgio Conceição para celebrar com um abraço. Oliveira, a par de Marega, é uma ressurreição com o alto patrocínio deste treinador.

Na segunda-parte, o FC Porto entrou com um bocadinho mais de pressa e chegou velozmente ao 2-0, por Brahimi, após combinação notável com Aboubakar. Nesse instante, Sérgio Conceição relaxou, distribuiu bacalhaus e sorrisos pelo banco de suplentes, perguntou a Vaná se era hora de entrar em campo, enquanto, lá dentro, o jogo prosseguiu com o Porto por cima e o Feirense aparentemente resignado à sua sorte. Houve um penálti que não foi penálti porque o VAR fez recuar Luís Godinho e os fogaceiros ainda reduziriam para lá do minuto 90, por Valencia.

Mas nessa altura já a defesa portista tinha a cabeça naquela roda final com que o FC Porto terminou cada um dos seus jogos esta época. E este, sendo excecional, não foi exceção.