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Será que vem aí outro brilharete no râguebi português?

A seleção nacional de sub-20 de râguebi está na final do World Rugby Trophy, após vencer (16-13) as Ilhas Fiji, esta quarta-feira. O que quer dizer que Portugal está a um passo de, pela primeira vez e no próximo ano, jogar o Campeonato do Mundo do escalão

Diogo Pombo

FRANKIE DEGES

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Há 10 anos, o Campeonato do Mundo de râguebi teve, pela primeira vez, uma seleção composta por amadores a jogá-lo. Advogados, veterinários, médicos e estudantes, tipos que, durante quatro anos, transformaram todo o tempo livre que tinham em tempo com a bola oval para o sacrifício culminar em defrontarem, por exemplo, a Nova Zelândia. O país glutão do râguebi, onde os bebés já pensam nisso quando estão na barriga das mães. Esses portugueses foram o ponto alto do râguebi nacional, mas, agora, pode estar prestes a surgir outro feito.

Ou melhor, já surgiu.

A seleção nacional de sub-20 venceu, esta quarta-feira, as Ilhas Fiji, garantiu a passagem à final do World Rugby Trophy, e aqui tem que entrar o contexto. Para começar, esta nação do Pacífico tem um amor e uma dedicação ao râguebi incomparáveis, é uma terra onde os miúdos crescem a brincar com uma bola e a querer jogá-lo, o país que, o ano passado, venceu o torneio olímpico de Sevens, no Rio de Janeiro. E os rapazes portugueses ganharam-lhes (16-13), estiveram sempre a ganhar e até a sorte esteve do lado deles - no último minuto, um pontapé de penalidade fijiano, que igualaria o resultado, bateu num dos postes.

Os mais pequenos portugueses, incapazes perante a genética e a morfologia, foram melhores que os maiores, mais fortes e mais corpulentos fijianos. Ganharam como o tinham feito contra o Uruguai (20-18), anfitrião da competição, e Hong Kong (31-24).

Prosseguindo no contexto, os portugueses vão jogar a final do segundo torneio do escalão. O World Rugby Trophy é uma espécie de Mundial B no escalão de sub-20, uma segunda categoria à qual a seleção chegou porque, em abril, venceu o torneio que está no sopé desta hierarquia - aí, Portugal ganhou à Holanda, Roménia e Espanha. Agora, caso vença, no domingo (20h), o Japão, garantirá a presença entre as 12 melhores seleções no Campeonato do Mundo.

Ou seja, onde estão os neozelandeses, os australianos, os sul-africanos, os ingleses, os franceses e as demais nacionalidades que costumam ordenar no râguebi.

Falta vence os japoneses, os mais fortes deste torneio, pois em 2015 e 2016 jogaram entre a elite do râguebi sub-20. Neste World Rugby Trophy venceram as três partidas que jogaram contra Chile, Canadá e Namíbia por, pelo menos, 14 pontos de diferença. São e sempre foram os candidatos à vitória na prova, mas talvez haja uma coisa que não têm a mais que os portugueses.

A raça, a união e o espírito de sacrifício.

Tudo qualidades que, há 10 anos, vimos e ouvimos dos Lobos que foram ao Campeonato do Mundo. E que vemos António Vidinha, capitão desta seleção de sub-20, a repetir nas palavras que proferiu após a vitória sobre as Ilhas Fiji. “Ganhámos porque esta equipa tem uma alma inigualável, esta equipa é diferente no que toca ao querer. Nós queremos sempre mais do que os outros. Pelo trabalho e o sacrifício de toda a gente, a humildade de todo o grupo, desde o staff aos jogadores, até os que não foram convocados para estar nesta competição, todos eles fazem parte”, explicou o ponta e centro do GD Cascais.

Domingo à noite saberemos se este grupo de portugueses terão conseguido outra proeza no râguebi português, 10 anos volvidos dos Lobos que foram a um Campeonato do Mundo.