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Em Bilbao, sê oval: o Leinster é campeão europeu de râguebi

Daniel Carter despediu-se do râguebi europeu com uma lesão que o impediu de jogar a final da Champions Cup (algo como o equivalente à Liga dos Campeões do futebol) com os franceses do Racing 92, que perderam (15-12) com os irlandeses do Leinster. Foi a primeira final da competição que se jogou fora dos países que mais ligam a râguebi na Europa

Diogo Pombo

David Rogers

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Ter uma notícia destas, a qualquer coisa como uma hora de se jogar a final de uma Liga dos Campeões, é pior do que pisar um presente canino no primeiro vez que se planta a sola do sapato fora de casa, de manhã, antes de enfrentar o dia - uma lesão não deixará Daniel Carter jogar.

Ora, enfrentar esta notícia é duro, porque Carter é o único jogador de râguebi que já foi considerado, por três vezes, o melhor do mundo, ele vem do país (Nova Zelândia) que melhor joga râguebi, e ficar sem ele no dia da final da Champions Cup, seria um pesadelo em qualquer dia. Mesmo que o médio de abertura já tenha 34 anos.

Porque, antes dele, o Racing 92 já ficara sem Maxime Machenaud, médio de formação, capitão e chutador da bola aos postes, também devido a uma lesão. Duas ausências que contribuíram para que ficasse sem o lado bom da final da principal competição europeia de clubes em râguebi.

Pela segunda vez em três anos (já jogara a final da prova em 2016), o milionário clube parisiense perdeu.

Num encontro sem que alguém pegasse na bola e tocasse com ela na área de ensaio, os irlandeses do Leinster foram chutando até à vitória.

Stephen McCarthy

Johnny Sexton, abertura que, há menos de dois meses, ganhara o torneio das Seis Nações só com vitórias, com a Irlanda, bateu duas penalidades - e, pelo meio, viu uma placagem sua a lesionar Pat Lambie e obrigar o Racing a jogar com o terceiro abertura do plantel. Mas foi o pontapé que o neozelandês e trintão Isa Nacewa converteu, a dois minutos do fim, a confirmar o estreito resultado (15-12).

A rodear a final estava um San Mamés a abarrotar de gente reunida pelo râguebi num estádio de futebol. Foi a primeira vez que a final da Champions Cup se jogou fora de um dos países do Reino Unido, de França ou da Itália, leia-se, longe das nações que, por tradição, mais ligam e se preocupam com o râguebi na Europa.

Ainda lesionado ou já curado, Carter vai mudar-se, no verão, para o râguebi japonês, a derradeira aventura na carreira de um dos melhores jogadores de sempre, no país que acolherá o próximo Mundial, em 2019.

O Racing 92 continuará, certamente, a ser o esbanjador de milhões à moda do râguebi - Carter era o jogador mais bem pago do mundo e recebia cerca de 1,2 milhões de euros, por época -, para manter ou fortalecer um plantel que, com o francês Machenaud e o sul-africano Lambie, juntou também o neozelandês Joe Rococo, o fijiano Leone Nakarawa e os franceses Virimi Vakatawa, Teddy Thomas e o Yannick Nyanga (capitão). Estrelas atrás de craques que só ainda não venceram este título.

E o Leinster quererá, sobretudo, guardar as fundações deste sucesso, assentes em muitos jogadores que sustentam a seleção irlandesa e os fizeram ganhar todos os nove jogos que realizaram nesta Champions Cup. São a segunda equipa a conquistá-la por quatro vezes (antes, em 2009, 2011 e 2012), a par do Toulouse.