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Abel Silva, herói de Riade, diz que foi enganado e devolveu o dinheiro

Segundo ex-futebolista, o seu único erro foi ter aceite 30 mil euros de um investidor chinês. Quando lhe foi pedido para viciar um resultado, devolveu o dinheiro, confessa

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Suspeito de corrupção e de ter viciado jogos de futebol da II liga, juntamente com elementos da claque dos Super Dragões, Abel Silva, ex-jogador do Benfica mas mais conhecido por o “herói de Riade”, defende-se das acusações de que é alvo, em entrevista ao “Record” esta sexta-feira.

Segundo ex-futebolista, o seu único erro foi ter aceite 30 mil euros de um investidor. Quando era diretor desportivo do 1º de Dezembro, um grupo de pessoas contactou-o, em nome de um investidor que não revela o nome, para me lhe apresentar um projeto. “Explicaram-me que tinham recolhido as melhores impressões sobre mim, conheciam-me como jogador, reconheciam a minha competência nas mais diversas facetas da carreira e queriam-me à frente de um clube, desempenhando precisamente as mesmas funções que tinha no 1º de Dezembro”, disse.

Estes investidores, de acordo com o que o “Record” apurou, queriam um clube no norte e outro no sul do país - o Leixões e o Oriental. Abel Silva ficaria responsável pelo clube marvilense. Durante as negociações, estiveram envolvidos elementos da claque dos Super Dragões - esta informação foi confirmada pelo ex-jogador. “Falei com o Aranha, dos Super Dragões, que insistiu na ideia mais forte: contavam comigo e que eu era a pessoa certa para o lugar certo”, disse Abel Silva ao “Record”.

O ex-jogador acabou por aceitar a proposta dos investidores e começou a acompanhar o novo clube. “Cometi então o erro mais clamoroso de todo o processo e do qual me arrependo. Como prova da confiança deles e de que havia condições para levar a cabo a tarefa, deram-me 30 mil euros para despesas, no sentido de serem gastos quando e como fosse preciso. Era, em absoluto, o início do projeto e uma forma de se apresentarem como pessoas credíveis”, disse.

“Nas vésperas de um jogo, sensivelmente a meio da semana que o antecedeu, fui confrontado com o pedido de um favor. Disseram-me que precisavam de mim para interferir num jogo em que uma das equipas devia vencer por dois golos de diferença e que eu, por ter bons conhecimentos, devia falar com alguns jogadores. Disse que não, ao que eles contrapuseram com a ideia do investidor, que era um homem muito voltado para as apostas e que precisava desse favor. Foi então que caí na real”, revelou ao desportivo.

Após este momento, Abel Silva devolveu o dinheiro que lhe tinham oferecido - e diz que nunca pediu nada a nenhum jogador.

As notícias que vieram na quinta-feira a público deixaram-no com “uma tristeza muito grande com um sentimento de injustiça tremendo”. “Aquilo de que sou acusado não corresponde à verdade. E isso dói. Tenho uma carreira, como jogador, treinador e dirigente, da qual me orgulho e, aos 47 anos, ninguém me pode apontar o dedo em termos de honorabilidade”, explicou.