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Rui Vitória: “Costumo dizer aos meus jogadores que só pelo olhar deles sei o que estão a pensar”

Ser “treinador é uma profissão de isolamento total”, diz Rui Vitória

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Quem é mesmo Rui Vitória? Este mês a revista “Forbes” publica um perfil do treinador do Benfica que levou o clube ao tetracampeonato e já faz sonhar com o penta. O título é: “Rui Vitória - Nunca duvidem dele”.

O treinador dos encarnados, de quem muitos adeptos duvidaram a quando da saída de Jorge Jesus para o Sporting, assume que a primeira época no clube foi a que teve os momentos mais duros. E que ser “treinador é uma profissão de isolamento total”. Ainda assim, diz, está preparado para qualquer que seja o momento dramático.

“Tenho capacidade de lidar com as situações com a maior tranquilidade e segurança do mundo. Digo isto com orgulho. É evidente que foi um momento difícil [o ciclo de três derrotas consecutivas com o Sporting na primeira época à frente do Benfica]. A pressão é de quem está a competir a este nível. É uma pressão e exigência que tenho comigo mesmo e é natural neste clube”, explicou.

O desenlace da história todos nós já sabemos: foram dez jogos à distância de um ponto até ao final da época, quando no Natal muitos comentadores já eram capazes de dar o título ao Sporting.

Segundo Vitória, parte do seu sucesso deve-se à gestão do plantel, a busca de recursos nas escolas do clube.“Sabemos que trabalhamos muito melhor do que alguns dos clubes mais ricos do mundo, que basta estalarem os dedos e compram o jogador feito. Nós temos de ir descobri-los, fazê-los e trabalhar. (...) Tem sido uma imagem que cola à minha função de treinador, a de lançamento de jovens, mas não faço isso como chavão. Faço por convicção”, disse.

Depois, há ainda a grande proximidade com os jogadores. “Costumo dizer aos meus jogadores que só pelo olhar deles sei o que estão a pensar. Às vezes as pessoas confundem isto com 'devem andar todos aos abraços e jantaradas'. Não é nada disso. Tenho é de ter conhecimento. (...) Conhecemos o agregado familiar todo, como é a vida de cada um dos jogadores. Sabemos, não no sentido da espionagem, mas no sentido de perceber o contexto familiar. Se os nossos bebés não nos deixam dormir, os filhos dos jogadores deixam que eles durmam?”, explicou.