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Cristiano Ronaldo no tribunal: defendeu Jorge Mendes e queixou-se de estar a ser perseguido

Cristiano Ronaldo até tentou jogar ao “ataque”, durante o interrogatório, mas a juíza rebateu e colocou-o no seu sítio - o de arguido

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© Stefan Wermuth / Reuters

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Um jogo de futebol tem, por regra, 90 minutos e a audiência de Cristiano Ronaldo, na segunda-feira, no Tribunal de Instrução de Pozuelo de Alarcón, em Madrid, durou o mesmo tempo. Mas, ao contrário do que se passa nos relvados, o internacional português não foi quem pressionou, mas quem foi pressionado.

Esta terça-feira já começaram a vir à superfície os primeiros pormenores sobre a sessão.

Segundo o “Correio da Manhã”, Cristiano Ronaldo até tentou jogar ao “ataque”, durante o interrogatório, e terá insinuado que estaria a ser alvo de perseguição pelo fisco espanhol. “Se não me chamasse Cristiano Ronaldo não estaria aqui sentado”, disse.

Mas a juíza Mónica Gómez Ferrer rebateu e colocou-o no seu sítio - o de arguido. “Não se engane, senhor Cristiano. Tal como você está aí sentado, também já estiveram outras pessoas conhecidas. Você está a ser processado e investigado devido a um suposto delito fiscal, de acordo com as provas apresentados pelas Finanças. E sobre isso quem decide sou eu”, disse a magistrada.

De acordo com o jornal espanhol “ABC”, durante a audiência houve vários momentos de tensão entre CR7 e a juíza. No início da sessão, Cristiano Ronaldo começou por dizer que fez “tudo bem e dentro das leis”.

“Digo sempre aos meus assessores que tenham tudo em dia e pago corretamente, que não quero problemas”, explicou o jogador do Real Madrid.

Quando questionado sobre a suposta utilização de empresas off-shore nas Ilhas Virgens britânicas, CR7 respondeu que “não sabia”.

O “ABC” conta que podem vir ser chamados a depor mais quatro nomes ligados ao jogador: Carlos Osório, seu advogado, Chris Farnell, responsável pela gestão dos seus direitos de imagem, Jorge Mendes e o sobrinho do agente, Luís Correia, diretor executivo da Polaris.

Cristiano Ronaldo - por oposição ao caminho escolhido por Falcão em tribunal - decidiu tirar, ainda durante a sessão, qualquer suspeita que pudesse haver sobre Jorge Mendes. “O Jorge é o meu representante, trata dos meus contratos, mas não dos meus assuntos fiscais”, apontou.

O internacional português foi ouvido no âmbito de uma acusação por quatro delitos fiscais no valor de 14,7 milhões de euros. Este montante é relativo ao valor recebido pelos seus direitos de imagem entre 2011 e 2014.