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CR7 acusa fisco espanhol de ter acusação “inconsistente” e volta a defender Jorge Mendes

Segundo os advogados de Cristiano Ronaldo, não é possível equacionar qualquer “acordo” tendo em vista a liquidação dos quatro delitos fiscais de que o jogador é acusado, pois a acusação é “inconsistente” e “não tem fundamento algum”

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GERARD JULIEN

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Pelo que depender de Cristiano Ronaldo, Jorge Mendes não será acusado de nada. O super-agente desportivo é suspeito de ter ajudado a orquestrar a fuga ao fisco espanhol de que o jogador português foi acusado em junho - quatro delitos fiscais, cometidos entre 2011 e 2014, lesando o Estado espanhol em 14,7 milhões de euros.

Mas a acusação de fuga ao fisco é “inconsistente” e “não tem fundamento algum”, já que já se baseia “na utilização arbitrária de critérios contrários ao Direito Tributário”, alegaram os advogados de Cristiano Ronaldo, numa carta enviada ao tribunal de instrução de Pozuelo de Alarcón, a que o “El Mundo” teve acesso. Mais: não podem ser imputadas culpas a Jorge Mendes, frisaram.

De acordo com o matutino espanhol esta terça-feira, os representantes de Cristiano Ronaldo dizem não equacionar qualquer “acordo” tendo em vista a liquidação dos quatro delitos fiscais de que é acusado, pois não faz sentido que a acusação tenha como fundamento “a diferença entre o que [CR7] declarou e o que a Agência Tributária considera tributável em Espanha.”

Segundo a defesa de CR7, “o que se discute [no processo] não é realmente a cessão de direitos de imagem a uma sociedade residente nas Ilhas Virgens Britânicas com a finalidade de ocultar o verdadeiro valor obrigatório a tributar”.

A fraude denunciada pelo fisco espanhol “não tem qualquer relação causal com o uso de uma estrutura corporativa para a gestão de direitos, mas um problema fiscal de qualificação”, sublinharam.

Na mesma missiva enviada ao tribunal espanhol, os advogados de CR7 fizeram questão de sublinhar não devem ser atribuídas quaiquer culpas a Jorge Mendes neste processo. “Não conseguimos vislumbrar, nem sequer hipoteticamente, que contribuição teria realizado [Jorge Mendes] nas tarefas de ordem tributária[ de Cristiano Ronaldo]”, lê-se no final da carta. “Não se lhe atribuem conhecimentos tributários que permitam argumentar de forma razoável que tenha induzido ou contribuído para que pagasse menos impostos.”