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Foi mão, não foi mão, e aquele fora de jogo? E o VAR (os lances polémicos vistos por especialistas)

Especialistas e ex-árbitros estão divididos quanto a alguns dos lances polémicos do dérbi na Luz, mas nenhum põe em causa o lance que deu origem ao golo do Sporting

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MIGUEL A. LOPES/LUSA

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Se dúvidas houvesse que o dérbi de quarta-feira à noite foi polvilhado por polémicas, Rui Vitória marcou logo o tom de análise ao embate com o Sporting quando disse, já no final do encontro, aos jornalistas: “Vou ficar atento às carreiras estes dois árbitros, para ver como decidem no futuro em situações semelhantes”.

O aviso surpreendente, tendo em conta que veio do estoico e sereno Rui Vitória, ainda está no ar. E o motivo é simples: o resultado de um empate por uma bola chegou aos 90 minutos. Mas antes disso houve algumas situações que puseram a atuação do árbitro Hugo Miguel em causa - inclusive, um possível fora de jogo que antecedeu o golo do Sporting aos 19 minutos.

No entender dos ex-árbitros e comentadores desportivos que escrevem esta quinta-feira nos desportivos nacionais, a opinião é unânime: não houve qualquer irregularidade no golo dos leões. Contudo, os restantes lances são mais dúbios.

Aos 34 minutos, após um cruzamento de Salvio, Jonas rematou dentro da grande área na direcção da baliza de Rui Patrício, mas Fábio Coentrão apareceu pela frente. A bola que tinha rumo marcado à baliza do Sporting foi embater na cara e no braço esquerdo do defesa leonino que estava esticado.

Após consulta do VAR, o árbitro Hugo Miguel optou por não marcar grande penalidade.

“A posição que Fábio Coentrão cria é de aumentar o volume para a sua baliza. Eventualmente, acredito que poderá ter ficado neste lance mais uma grande penalidade por assinalar contra o Sporting. Olhando para a fotografia do lance, o jogo teria de ser interrompido e exibido cartão vermelho a Fábio Coentrão, porque a bola ia para a baliza e assinalar penálti contra o Sporting”, defendeu António Rola, especialista de arbitragem, em declarações à BenficaTV.

Jorge Faustino, ex-árbitro e comentador de arbitragem, ficou com uma impressão muito diferente do mesmo lance. “Jonas rematou contra a face de Fábio Coentrão. Ficou a dúvida se a bola teria desviado ou não, posteriormente, no braço direito do sportinguista que está em posição de ganhar volumetria. Benefício da dúvida para o árbitro”, escreve no “Público” esta quinta-feira.

Ainda antes deste momento, aos 28 minutos Coentrão empurrou Jardel dentro da grande área do Sporting. Para todos os comentadores desportivos do “Jogo”, ficou por marcar um penálti. (Este lance, por alguma razão, não aparece em análise em mais nenhum desportivo.)

“Sem querer disputar a bola, deliberadamente Coentrão empurra e apoia-se em Jardel, impedindo-o de saltar”, apontou José Leirós, comentador de arbitragem do desportivo, em declarações ao desportivo.

Já aos 60 minutos, Jonas voltou a fazer das suas: rematou dentro da grande área e a bola foi embater em Piccini. Mais uma vez, depois de consultar o VAR, o árbitro não assinalou nada. “Já vi lances idênticos sancionados com grande penalidade. Sempre que existiram dúvidas, nunca se assinalou nada de forma favorável ao Benfica”, disse António Rola.

“Jonas rematou à baliza de Rui Patrício e a bola desviou no braço de Piccini. Remate feito de muito perto pelo que, Piccini, apesar de tentar, não conseguiu evitar o contacto com a bola. Por isso, não houve infracção”, defendeu, por sua vez, o ex-árbitro Jorge Faustino.

Aos 74 minutos, William Carvalho pode ter obstruído Jímenez ao receber uma bola que ressaltou dentro da grande área do Sporting. O árbitro deixou seguir a partida.

“A bola tocou no braço de William Carvalho no interior da grande área sportinguista. Estava, no entanto, a ser agarrado por Jiménez nesse mesmo braço. A ser assinalada infracção, seria a primeira, contra o Benfica”, justificou Jorge Faustino.