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Racismo no Chelsea: quatro ex-jogadores avançam com processos contra o clube

Quatro antigos jogadores da academia do Chelsea avançaram com um processo judicial contra o clube, devido a terem sido vítimas de racismo, durante os anos 1990. Estes eram vítimas de abusos verbais de forma recorrente

Expresso

Eden Hazard, avançado belga do Chelsea

Julian Finney

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Quatro antigos jogadores da academia do Chelsea avançaram com um processo judicial contra o clube, devido a terem sido vítimas de racismo, durante os anos 1990, pelos treinadores Graham Rix e Gwyn Williams, dois históricos do clube londrino, conta o “Guardian” esta terça-feira.

Esta notícia surge após na última semana ter sido instaurado outro processo ao Chelsea, por outros três ex-jogadores da equipa, com a mesma queixa.

De acordo com os testemunhos dos jogadores recolhidos pelo jornal britânico, estes eram vítimas de abusos verbais de forma recorrente.

Um dos jogadores confessou mesmo que ficou tão traumatizado com o tratamento que foi alvo durante aqueles anos, que ficou incapaz de comer uma banana em público, no seu primeiro trabalho já fora dos campos de futebol. Pensava: “Não posso sentar-me aqui e comer uma banana porque alguém vai ver e chamar-me c***** de negro ou macaco”, contou.

Tanto Graham Rix, na época treinador da equipa de juniores do Chelsea, como Gwyn Williams, que teve uma série de cargos em Stamford Bridge, negam todas as acusações de que são alvo.

“Eu fui contratado pelo Gwyn Williams para o Chelsea. Não foi imediatamente aparente [que ele era racista] porque, quando estava a tentar contratar-me, ele sabia que existiam mais clubes interessados em mim e, por isso, era a pessoa mais simpática do mundo. Eu cresci com cinco irmãos em Hounslow e nunca tinha experienciado racismo antes. Mas depois que comecei a treinar pelo Chelsea, aí comecei a ouvir as palavras que ele ia estar sempre a usar: nig nog (negro), preto maldito, macaco”, disse outro jogador ouvido pelo “Guardian”.

“Éramos vítimas de todo o tipo de abusos nos chuveiros. Lembro-me de estarmos todos a mudar de roupa nos balneários. E ouvir: “Olha para a grande p*** negra, p*** de burro”, disse.