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Os leões estão contentes (e com cerveja à mistura), mas o título desejado é outro

A vitória na Taça CTT, a primeira conquistada pelo Sporting em 11 edições, deixou Jesus ufano. É o seu segundo troféu em Alvalade, "mais um passo" na recuperação da cultura vencedora que o técnico tri-campeão pelo Benfica quer importar para o território leonino

Isabel Paulo

MIGUEL RIOPA/Getty

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Na terceira época em Alvalade, Jorge Jesus está orgulhoso do seu troféu pelos leões, mas após a suada vitória frente à equipa do Vitória de Setúbal, ganha na lotaria dos penáltis, avisou que, em Braga, o Sporting deu apenas mais um passo num clube sem cultura de ganhar títulos. A modéstia nunca foi o forte o técnico que tri-campeão nacional do outro lado da Segunda Circular e, ontem, Jesus voltou a não esconder o seu ADN: “Foi com essa intenção que vim para o Sporting, para colocar o clube ao nível do FC porto e Benfica, que ao longo destes anos, comandaram o futebol em Portugal. Quero transformar a esperança em títulos. O Sporting nem era o quase, nem lá chegava”.

Jesus, que não chegou, viu e venceu em Alvalade, justifica a demora no milagre dos títulos com a falta de hábito. “Não é fácil chegar a um clube que já não tem cultura de ganhar títulos. Se fosse ao contrário, era só dar seguimento, mas aqui tivemos de transformar esta mentalidade e meter os adeptos todos a acreditar”, sentenciou, ontem, satisfeito com a onda verde que acorreu ao Estádio Municipal de Braga.

Que a Taça da Liga foi um pequeno passo para os leões rumo a um desejado amanhã maior foi, também, a mensagem deixada aos adeptos por Fábio Coentrão. No final do jogo, a antiga estrela do Benfica sem brilho no Real Madrid lembrou que o título ambicionado “é outro”. “Sabe bem (a Taça da liga), vim para esta casa para ganhar títulos. Não é este o título que verdadeiramente queremos, queremos o campeonato”, revelou, elogiando Rui Patrício, “o maior do mundo”.

Bas Dost, o conselheiro: “Muita cerveja que amanhã é tranquilo”

Igualmente otimista, Bas Dost referiu o “grande sentimento” em vencer a Taça CTT, prometendo que “este não é o último título”. Numa análise à partida adiantou num português arrevesado que da “primeira parte nem é preciso falar; a segunda foi muito boa, com muitas oportunidades”. O holandês, animado, deixou ainda um conselho aos sportinguistas: “Muita cerveja que amanhã é tranquilo”

Do lado do Vitória, José Couceiro, apesar do desaire (4-5 nos penáltis), confessou que perder o troféu sem sofrer qualquer derrota em campo “é difícil digerir. "Não ganhámos a Taça, mas não perdemos jogo nenhum; defrontámos o Sporting, o Benfica e Braga e não perdemos com ninguém. Quem consegue fazer isso tem de ter mérito”, conclui o antigo treinador do FC Porto, que lembrou à massa associativa o orgulho na equipa que não perde há oito jogos consecutivos no tempo regulamentar.