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Baltemar Brito duvidou de Mourinho mas acredita que o treinador ainda "voltará a ganhar tudo"

Em entrevista, o treinador que está agora no Luxemburgo, fala dos primeiros tempos de trabalho com José Mourinho, do "atrito banal" que os separou e aponta Sérgio Conceição como "a grande sensação" deste campeonato.

Baltemar Brito com José Mourinho no Chelsea

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Quanto, em 2001, Baltemar Brito começou a trabalhar com José Mourinho no União de Leiria, a primeira impressão não foi especialmente positiva: "Logo nos primeiros tempos vimos que ele era diferente, mas, confesso, cheguei a andar apreensivo porque ele trabalhava pouco", conta o técnico brasileiro em entrevista ao "Record" publicada este domingo.

A bola era privilegiada ao físico: "No meu tempo era treinar até morrer. Os treinos de quarta e quinta-feira, principalmente, eram muito duros. (…) Quando vi que o Mourinho só queria trabalhar com bola e que tinha uma enorme preocupação com a recuperação, fiquei apreensivo e até comentei com o Rui Faria que aquilo não ia dar certo", prosseguiu.

O certo é que deu, sobretudo no FC Porto onde Baltemar Brito considera que "Mourinho marcou um ciclo. Há um antes e um pós-Mourinho.”

Sobre o motivo que terá levado à separação de ambos, depois do trabalho conjunto no FC Porto e na primeira passagem de Mourinho pelo Chelsea, Baltemar Brito fala de "um atrito banal" entre ambos, sem se alongar em comentários. "Foram sete anos desgastastes... Talvez houvesse também algum cansaço", admite.

Quanto ao momento atual do técnico do Manchester United, Baltemar Brito acredita que Mourinho "terá de reformular o seu plantel". "Acredito que voltará a ganhar tudo", frisa.

Depois do trabalho com José Mourinho, Baltemar Brito andou pela Líbia, Emirados Árabes Unidos e Brasil. Agora treina o Titus Petánge, do Luxemburgo, uma equipa semiprofissional num país onde "as pessoas não ligam assim tanto a futebol".

De Portugal, estranha que nunca tivesse surgido um convite, além daquele que aceitou do Belenenses, em 2010, e que deu em nada: "“Para meu espanto e admiração, depois de ter trabalhado com o Mourinho, a única abordagem que tive daqui foi mesmo essa do Belenenses. Assinei contrato e nunca cheguei a trabalhar." Uma mudança de direção no clube assim o determinou.

Sobre o campeonato português, ao qual continua atento, o técnico brasileiro elogia o trabalho do técnico do FC Porto: "Tenho de tirar o chapéu ao Sérgio Conceição. Do nada fez muito! Ele é a grande sensação deste campeonato".