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Antigo dirigente do Sporting: “Toda a gente diz que o presidente do Sporting está muito doente”

“Não é próprio um presidente de um clube expor os jogadores da equipa principal”, diz Torres Pereira, ex-vice de Bruno de Carvalho em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença esta quinta-feira

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Foto António Pedro Santos / Lusa

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Bruno de Carvalho está doente, está em burnout, como disse Eduardo Barroso. “Toda a gente diz que o presidente do Sporting está muito doente”, logo, por uma questão de responsabilidade para com os ativos do clube, este deve ser afastado, diz Torres Pereira, ex-vice de Bruno de Carvalho, em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta quinta-feira.

“Se me perguntar o que se vai passar a seguir, diria que há um facto muito importante para isso: toda a gente diz que o presidente do Sporting está muito doente. E, a ser verdade, esse facto não pode pôr em causa a continuidade da gestão do Sporting, porque estamos a falar da SAD, que é cotada em bolsa, estamos a falar de uma situação financeira com empréstimos obrigacionistas que se vencem, com accionistas, etc, etc”, começou por dizer.

Para Torres Pereira, esta situação tem que ser resolvida pelo próprio Conselho Directivo. “Se é verdade que o presidente está doente e que dessa doença decorre uma diminuição das suas faculdades para a gestão do Sporting, então quem tem que ter isto em conta, avaliar a situação e tomar as decisões decorrentes desta situação é o Conselho Directivo”, disse.

Torres Pereira foi vice de BdC entre 2011 e 2017. No ano passado, saiu da liderança do Sporting devido a um desentendimento com o presidente, depois deste ter anunciado as alterações aos estatutos do clube - uma centralização de poder - que acabaram por ser aprovadas em fevereiro deste ano.

Segundo Torres Pereira, “paixão por um clube desportivo não pode justificar que se passe esta “linha vermelha” que separa os princípios das conveniências ou as convicções dos interesses. Isso não. Aquela proposta [de alteração dos estatutos] claramente passava. E o correr dos tempos veio demonstrando, desde então, num avolumar de factos e comportamentos, de intolerância e linguagem, que ultimamente tem envergonhado os sportinguistas e tido o efeito que tem na equipa de futebol”.

“Muita gente atribui a um post no Facebook o problema que se põe hoje. Não tem a ver com um post, mas com a sequência de acontecimentos que mostram uma visão do Sporting incompatível com os seus interesses. Se hoje temos uma equipa de futebol animicamente destroçada, um treinador sobre brasas, os adeptos angustiados, muitos envergonhados e divididos, uma emissão obrigacionista posta em causa, cotação das acções congelada, etc, etc, isso deve-se inequivocamente e exclusivamente às atitudes e comportamentos do presidente do Sporting”, atirou.

“Não é próprio um presidente de um clube expor os jogadores da equipa principal. Se eu gostei dos erros [dos jogadores], não. Odiei aquilo. Mas ele não pode tratar os jogadores desta maneira - e no passado também já o fez. Há um destempero na intervenção do presidente do Sporting que não é normal. Não pode ser assim. E agora foi longe demais”, acusou.