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Rogério Casanova

William Carvalho deixou que André Gomes lhe roubasse uma bola. Ninguém recupera facilmente de uma situação destas, lamenta Rogério Casanova

O Sporting perdeu em Barcelona (2-0) e Rogério Casanova tem (ou melhor, tinha) algumas coisas a dizer sobre Alan Ruiz, "nomeadamente ao nível das suas faculdades cognitivas, aparelho reprodutor, e odor corporal"

Rogério Casanova

Alex Caparros

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Rui Patrício

Uma saída supersónica aos pés de Suárez evitou o tipo de golo que o uruguaio já marcou aproximadamente setenta vezes na carreira. Na segunda parte, um Messi invulgarmente pouco esclarecido sobre o obstáculo à sua frente, também tentou replicar um golo que já marcou quinhentas vezes, dezassete das quais esta semana. Patrício voltou a não deixar. Não é que seja impossível marcar-lhe golos, como a época tem comprovado. Mas é preciso cumprir um de dois requisitos: 1) fazer um remate indefensável; ou 2) ser amigo pessoal de Rui Patrício.

Piccini

Admito perfeitamente que já tenha havido um lateral do Sporting que fosse ultrapassado no 1x1 menos vezes do que Piccini, ou que deixasse passar menos bolas altas para as costas do que Piccini, ou que fizesse mais dobras interiores do que Piccini; no meu tempo de vida é que não. Nas notícias sobre a sua recente renovação de contrato, ficámos a saber que Messi, por ser o melhor jogador do Mundo, passou a receber sensivelmente um Piccini por mês. Nós, por sermos as melhores pessoas do Mundo, temos direito a um Piccini por semana, e nem sequer foi preciso fugirmos ao fisco.

Coates

Entrou em campo de boa fé, e com aspecto de quem não se queria chatear, mas a maneira muito pouco patriótica como o seu compatriota o fintou ao minuto 24 pareceu despertar-lhe o instinto competitivo e decidiu a partir daí arrancar para uma das melhores exibições da época. Nem Suárez, nem Messi (que viu incredulamente um drible seu revogado pela perna do uruguaio) voltaram a passar por ele.

Mathieu

O menos exuberante do trio mais recuado inicial, mas esteve bem a defender, e mostrou a habitual serenidade a sair a jogar, com a bola colada ao pé com a intransigente adesividade de um patch de nicotina no braço nostálgico de um ex-fumador. Nas últimas nove épocas em Espanha converteu um livre direto e marcou quatro autogolos; esperemos que tenha pavor a simetrias.

Ristovski

A alteração de sistema tático provocou uma barafunda tática tão grande nos primeiros quinze minutos que deve haver gente na internet a afirmar que a manobra do Sporting nesse quarto de hora foi financiada e organizada pelo George Soros. Com o tempo, acabou por acertar posicionamentos e movimentos com Piccini, esteve seguro no passe, veloz a recuperar defensivamente, e ainda bloqueou in extremis um remate de Alcácer. É cada vez mais fascinante a facilidade com que se arranjam laterais direitos bons e baratos.

William Carvalho

Um jogo três ou quatro fasquias abaixo do que era legítimo esperar, situação que acaba por ter uma explicação óbvia: aos vinte minutos de jogo, William deixou que André Gomes lhe roubasse uma bola, e depois o ultrapassasse em posse da mesma. Por mais solidez psicológica que um ser humano tenha, ninguém recupera facilmente de uma situação destas, e não surpreende que William tenha passado o resto da noite solitariamente embrenhado numa retrospetiva de vida.

Battaglia

A extraordinária iniciativa ao minuto 22 representa o melhor resumo do contributo de Battaglia: demonstrando a inimpugnável disponibilidade para ir receber a bola em qualquer ocasião (mesmo quando manifestamente não é boa ideia ser ele a ir receber a bola) foi à faixa esquerda e de repente deu por si a progredir sozinho no meio-campo ofensivo, tendo então tomado a única opção utilitária naquelas circunstâncias: perder imediatamente a bola para poder logo a seguir pressionar o adversário para a qual perdeu. E assim se conquistou mais um lançamento em zona atacante. Não jogou mal, Battaglia, pois raramente o faz, mesmo que a soma dos seus recursos por vezes se assemelhe a um complexo esquema-pirâmide.

Bruno César

O superpoder de Bruno César é a capacidade para obrigar adversários a derrubá-lo em falta quando não existe uma clara necessidade de o fazer. Utiliza este truque com brio uma mão cheia de vezes por jogo, de uma maneira que nunca deixa de impressionar, e é talvez a sua melhor qualidade, seguida de perto pela capacidade para conquistar lançamentos laterais em ocasiões onde não era fácil fazê-lo. Coisas menores, é certo, mas a festa não se faz só de foguetes.

Acuña

O milenarismo do cruzamento, como qualquer crença de que um estado de privação e infelicidade passará de um momento para o outro a um estado de abundância e alegria, (mudança essa operada por forças sobrenaturais), manifesta-se sobretudo em populações que já não acreditam no melhoramento parcial e progressivo. O cruzamento torna-se assim o gesto encoberto, que se descobre apenas no acto redentor. Foi curiosa a reação de Acuña, ao minuto 7, quando percebeu que fazer um cruzamento seria absurdo: abriu os braços, indignado; e depois fez um cruzamento. Apesar disto (e talvez por não ter voltado a ter fé nos cruzamentos), fez um grande jogo durante os sessenta e poucos minutos em que o físico o permitiu, e terá sido, com Coates e Piccini, dos melhores em campo

Bruno Fernandes

Dois remates enquadrados, um cruzamento perfeito para Dost, os melhores fogachos de qualidade ofensiva da equipa, e ainda deve ter corrido o equivalente à distância entre a Terra e Saturno. Terminou o jogo em tão aparentes dificuldades físicas que não me surpreenderia se José Gomes Ferreira o tivesse declarado nesse momento a pessoa menos cansada de Portugal.

Alan Ruiz

[Nota do Editor: Esta secção do texto originalmente enviado pelo autor, além de conter uma sucessão inexplicável de caracteres em maiúsculas, pontos de exclamação, e hieróglifos avulsos, encerrava também algumas afirmações peremptórias sobre Alan Ruiz, nomeadamente ao nível das suas faculdades cognitivas, aparelho reprodutor, e odor corporal, às quais não foi possível fazer fact-checking até ao fecho da edição. Aos leitores, as nossas desculpas]

Gelson Martins

Começou por espetar um banano nas trombas de Paco Alcácer, um gesto clarividente que só pecou, como costumam pecar os gestos de Gelson, no momento de definição (pouca força e colocação, neste caso. E noutros).

Bas Dost

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[Nota do Editor: Não foi uma noite fácil o autor, o que é que vocês querem?]

Fábio Coentrão

Entrou bem, fez o cruzamento para a segunda melhor oportunidade de golo da equipa, e a dada altura passou a toda a velocidade por Messi, que deve portanto estar gravemente doente.

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