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Rogério Casanova

Rúben Ribeiro e a estreia mais incompreensível da história do futebol: fiasco, catavento e desespero (a *ironia* por Rogério Casanova)

Aqui se traça o perfil do jogador que foi sacudido “por tremores de ansiedade” numa noite em que assistiu Bas Dost, sem saber como, e que saiu aos 65 minutos, sem saber onde estava

Rogério Casanova

Rúben Ribeiro trocou o Rio Ave pelo Sporting

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Rui Patrício

Duas saídas afoitas aos pés de adversários e uma defesa fácil a um descompensado remate do meio-campo nos últimos minutos foram os únicos intervalos de acção em mais um jogo que encarou com a tranquilidade atenta e inquisitiva de quem sabe que, à excepção de grandes penalidades, ou das periódicas tentativas de Coates para marcar autogolos, as oportunidades para exercer a sua actividade profissional continuam a ser ultrajantemente reduzidas.

Piccini

Lasciò la fuga ad Amilton alle 12 minuti e fu nuovamente superato da un altro cittadino a 67. Oltre a ciò, nei primi minuti fu eccessivamente complicato, mancando qualche passaggio. Molto limitato! Tre milioni di euro? Uno scandalo! Sono stati una rapina! Non è un giocatore per grandi squadre, tanto meno per la Juventus, o qualsiasi altra squadra del campionato italiano, abituato a grandi difensori. Piccini è solo un Topo Gigio. Niente di tutto questo. Meglio andare altrove. Buon pomeriggio, ragazzi e scoutini transalpini.

Coates

Mesmo num jogo fácil, ficou mais uma vez a sensação de que não atravessa um bom momento de forma. Fez um passe terrível ao minuto 18, deixou-se antecipar dentro da área, permitindo um cabeceamento à barra, e já na segunda parte falhou uma intercepção em esforço, após um passe feito para as suas costas. Tratando-se de Coates, diria que a questão é menos de técnica ou de táctica, e mais de endocrinologia: relembrá-lo de que o futebol é um combate de hormonas, e que precisa de voltar a odiar avançados, descartando esta recente tendência para a simpatia.

Mathieu

Andersonpolgou dois passes longos esquisitos, perdeu uma bola semi-perigosa no meio-campo e deixou-se estatelar na grande área após uma finta de Salvador Agra, tudo na primeira meia-hora. O que aos olhares mais desatentos poderiam parecer sinais de desconcentração foram na verdade acções deliberadamente tomadas em nome de um projecto igualitário, suportando a nobre intenção de nivelar oportunidades e abolir temporariamente hierarquias de talento e qualidade. Após essa efémera experiência social cansou-se, e voltou a impor o seu habitual estilo fascista.

Fábio Coentrão

Protagonizou um momento de frisson ao minuto 85 quando, numa disputa de bola perto da linha de fundo, levou uma joelhada em cheio na cabeça. Todo o estádio, e toda a comunidade científica internacional, arregalou os olhos de curiosidade: seria desta que Coentrão iria mostrar algum desconforto físico? Ainda não, mas a forma como coçou a cabeça durante alguns segundos indica que sentiu uma leve comichão, um sintoma a acompanhar atentamente nas próximas horas. Mas tudo indica que a forma mais provável de voltar a cruzar-se com o Dr. Varandas é este sofrer um problema qualquer no banco, e Coentrão ter de sair das quatro linhas para lhe prestar assistência médica.

William Carvalho

Estreou-se finalmente no ano civil de 2018 e fez um bom jogo, desenrolando aquelas espirais que reproduzem os blocos de ácido desoxirribonucleico, os braços de galáxias distantes, as contorções de saca-rolhas a afundar-se na cortiça.

Bruno Fernandes

Mais recuado no meio-campo, passou a primeira parte em tarefas administrativas e de gestão de recursos, incluindo os seus, limitando-se a fazer as coisas simples invariavelmente bem e a deixar aos outros a tarefa de as complicar. Com a saída de Rúben, avançou uns metros e começou a jogar mais no risco, sem grande sorte. Tentou a bujarda da ordem aos 79 e foi ele a desmarcar Piccini no flanco para o 3-0. Nos últimos minutos, adoptou a já habitual postura perante o facto de não conseguir marcar um golo: a vontade mal reprimida de escavacar à biqueirada tudo à sua volta.

Gelson Martins

Sofreu a primeira falta, fez o primeiro drible, ganhou o primeiro canto, sofreu o primeiro penalty, acendeu-me o primeiro cigarro, e o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto. Não anda claramente num pico de inspiração, e parece atacar cada lance com uma estranha forma de hipocondria: qualquer que seja a condição da jogada, Gelson reage como se a mesma corresse um qualquer risco iminente, necessitando da implementação imediata de um plano de emergência. Precisa de calma, a mesma calma que algumas das suas decisões em campo nos vão impedindo de ter.

Acuña

Embora existam romances intitulados Oliver Twist e Jane Eyre e David Copperfield e Silas Marner e Moll Flanders e Taras Bulba e Eusébio Macário, é altamente improvável que alguém tenha vontade, após esta noite, após as últimas semanas, de escrever um romance intitulado Marcos Acuña. E por bons motivos. Nesta fase dos acontecimentos, um romance intitulado Marcos Acuña não teria princípio, nem fim, nem meio. Não teria capítulos, nem parágrafos. Não teria pontuação. Não teria páginas. Não teria personagens. Não seria lido, publicado, folheado, ou sequer incinerado.

Rúben Ribeiro

Uma das estreias mais incompreensíveis em toda a história do futebol. Sacudido por tremores de ansiedade, sem sequer saber o nome dos colegas, foi tentando timidamente algumas combinações ao primeiro toque e, em acessos de puro pânico, aberturas para o espaço vazio (uma para Gelson, de calcanhar, outra para Piccini, deixando-o isolado na linha), tudo para tentar disfarçar a confusão que sentia. Ao minuto 31, num momento confragedor, viu-se com a bola na área, completamente perdido: tal como um catavento, virou-se para um lado, virou-se para outro, e em desespero acabou por cruzar para a molhada, onde a bola, por milagre, chegou à cabeça de Dost.

Substituído ao minuto 65, certamente sem saber porquê, nem onde estava, nem qual era o resultado, nem que dia é hoje. Um fiasco em toda a linha. E lá foi ele, a caminho de um balneário irremediavelmente destruído pela sua titularidade.

Bas Dost

Observou anonimamente o panorama com a paciência de um agente de mudança confiante nas suas capacidades e que sabe quão rápida e radicalmente pode alterar a ordem vigente, com todo o caos arquivado na sua cabeça e pronto a ser distribuído. O seu propósito na vida é marcar golos. E o camião de golos que continua a acumular prova, entre outras coisas, que quando se tem um propósito, isso funciona melhor que um objectivo, que por sua vez funciona melhor que um intuito, que por sua vez funciona melhor que um desígnio, que por sua vez funciona melhor que uma resolução, que por sua vez funciona melhor que um intento, que por sua vez funciona melhor que um plano, que por sua vez funciona melhor que um alvo, ou uma vontade, ou uma desinência, ou uma Somersby.

Battaglia

Não entrou tão bem como na semana passada, pelo que, logicamente, hoje não tem direito a física quântica.

Bryan Ruiz

Numa frase que pareceria ficção científica há apenas três meses, substituiu na ala esquerda um jogador que, nesta altura, parece oferecer menos à manobra ofensiva do que ele.

Podence

Numa frase que pareceria ficção científica há apenas três meses, perdeu a titularidade para um jogador com o cabelo mais oxigenado que o seu.