Tribuna Expresso

Perfil

Rogério Casanova

O clássico em que nasceu o predestinado que deu o primeiro de vários desgostos a benfiquistas (por Rogério-só-me-interessa-o-Plzen-Casanova)

Depois da derrota do Sporting no Dragão, Rogério Casanova alerta os sportinguistas para o que verdadeiramente importa: "Michael Krmenčík, o possante avançado do Viktoria Plzen, cuja capacidade de choque, mobilidade (apesar do seu metro e oitenta e sete) e sentido de baliza já lhe permitiram marcar dezassete golos esta época. Uma ameaça à qual convém estar muito atento"

Rogério Casanova

Rafael Leão

Carlos Rodrigues

Partilhar

Rui Patrício

Tocou na bola com os pés poucos segundos após o apito inicial, no que poderia ser um prenúncio de uma daquelas noites a fazer de líbero em part-time. E foi-o, na verdade, embora mais como auxiliar de construção do que propriamente como bombeiro atento às dobras, onde a sua intervenção praticamente não foi necessária. Ao minuto 26, por exemplo, viu Marega embalar isolado direito à sua baliza, e encarou o momento com a segurança e tranquilidade de quem sabe que o maliano foi condenado pela entidade reguladora do Karma cósmico a não marcar golos ao Sporting esta época, como se veio a verificar também noutro lance a dez minutos do fim.

Ristovski

Não pareceu sair muito bem do lance do primeiro golo, tal como toda a gente. Terá sido, na verdade, apenas o último, de entre todos os que não saíram muito bem no lance do primeiro golo, a não sair muito bem do lance do primeiro golo. Também não esteve nada feliz no lance do segundo golo, em que curiosamente voltou a ocupar o último lugar na fila dos que não estiveram muito felizes no lance do segundo golo. Eu próprio, para ser franco, não estive muito feliz no lance do primeiro golo, nem no segundo. Tem agora uma viagem inteira de autocarro para ouvir explicações sobre a ancestral doutrina filosófica que consiste em levantar a cabeça.

Coates

Cabeceou por cima, num pontapé de canto, ao terceiro minuto de jogo, não concretizando a oportunidade de golo que o enorme caudal ofensivo da equipa nos primeiros dois minutos e cinquenta e nove segundos já justificava. A situação repetiu-se mais um par de vezes, com o mesmo resultado. Cá atrás, Marega, Paciência e Aboubakar foram-lhe proporcionando um treino eficaz para o importantíssimo embate contra Michael Krmenčík, o possante avançado do Viktoria Plzen, cuja capacidade de choque, mobilidade (apesar do seu metro e oitenta e sete) e sentido de baliza já lhe permitiram marcar dezassete golos esta época. Uma ameaça à qual convém estar muito atento.

Mathieu

Mais confortável a partir do meio da segunda parte, onde pode finalmente regressar às funções de defesa central e deixar para trás a carreira temporária de guarda-costas da faixa esquerda. Disparou à baliza de livre direto, mas o remate, embora enquadrado, levou pouca força. Pode ser que tenha nova oportunidade na quinta-feira, e saiba aproveitar da melhor maneira a reduzida elasticidade do veterano guardião eslovaco Matus Kozacik.

Fábio Coentrão

Como tem sido habitual esta época, voltou a não entrar bem num jogo contra o Porto, em que teve de enfrentar o único tipo de ameaça ofensiva para o qual tantos anos a treinar no Real Madrid não o podiam preparar: um jogador como Marega. Acertou modestamente o passo na segunda parte, embalado pelo carinho de um público que o adora e que, como em tantos outros palcos neste país, insiste em presenteá-lo com isqueiros. Esteve também envolvido no episódio que culminou com a expulsão de dois elementos do INEM, um gesto que, se dúvidas houvesse, selou simbolicamente a sua emancipação definitiva da medicina convencional.

William Carvalho

Uma exibição quase (quase) à altura da que fez no mesmo estádio na época 2013/14, em que esse "quase" se deverá também ao facto de nessa altura não ter de segurar sozinho um meio-campo preso por arames. A reter a bola, pareceu hoje sempre dispor de um segundo a mais que os outros, um segundo dedicado não a praticar a modalidade finita que ocupa os que o rodeiam - com as suas regras, os seus limites temporais, as suas efémeras vitórias e derrotas - mas sim um jogo infinito, que consiste numa única jogada, cujo propósito se esgota em continuar a existir. Berrou fisicamente a um quarto de hora do fim, depois de um contra-ataque concluído com a única má decisão que tomou em noventa minutos.

Battaglia

Como teriam sido as coisas se o hiper-talentoso médio sérvio Radosav Petrovic tivesse sido despenalizado a tempo de integrar o onze titular (e não àquela hora convenientemente tardia) constituindo com a sua mera presença um meio-campo para todos os efeitos intransponível? Nunca saberemos. Sabemos apenas que Battaglia fez um jogo tão desinspiradamente anónimo que levou Luís Freitas Lobo, durante a 2ª parte, a afirmar que seria capaz de falar durante horas a fio sobre o "duelo tático" que travou com Herrera e Sérgio Oliveira, uma das frases mais ameaçadoras jamais ouvidas na televisão portuguesa. Ao minuto 79, alivou um chapéu de Marega em cima da linha de golo, num esforço inútil: mesmo que ninguém lhe tocasse, a bola arranjaria maneira de não entrar.

Bruno Fernandes

Houve alturas na primeira parte em que parecia um oásis portátil de talento, tanto no último terço ofensivo como até a defender (ao minuto 14 veio a correr desarmar Brahimi já na área, num lance que até Piccini deve ter testemunhado com um discreto aceno de apreciação). Alvejou a baliza várias vezes, criou desequilíbrios, e manteve até ao fim - mesmo depois de recuar no terreno - uma lucidez e um critério que deviam ser incompatíveis com o cansaço, mas com ele nunca são.

Bryan Ruiz

Também ele se esgatanhou todo para safar em cima da linha de golo um remate de Marega, logo ao minuto 11. Concedo que nessa circunstância não era fácil imaginar uma forma alternativa de a bola não entrar, mas isso compete ao Universo e não a nós, meros mortais. O gesto foi apenas o primeiro indício de que jogou num paroxismo de hubris: agressivo na luta pela posse de bola, sem medo de arriscar os duelos individuais, tentando várias vezes o 1x1, excelente a definir jogadas, e assistindo Leão para o golo do empate - Ruiz parecia hoje possuído pelo espírito do jogador que foi na época de estreia. Na segunda parte ainda cabeceou ao poste numa oportunidade de golo que nem sequer o era, uma intrigante e ousada alternativa ao que costumava acontecer-lhe em jogos decisivos.

Acuña

Travou com Maxi Pereira um duelo para o qual toda a evolução física, morfológica e cultural do Planeta Terra os preparou a ambos, desde que a Deriva Continental dividiu a Pangeia, separou os continentes, e lançou as bases futuras dos estereótipos sul-americanos. Estranhamente, foi poupando e poupando o seu inevitável amarelo, acabando por gastá-lo não em Maxi, mas em Corona. De qualquer maneira cumpriu o objectivo principal de poder descansar na próxima jornada, estando assim em condições de dar uma luta sem tréguas ao corredor direito do Viktoria Plzen.

Doumbia

Desenhou a primeira ação da equipa no meio-campo contrário, não com régua e esquadro, mas com o equivalente técnico-atlético de uma pedra lascada e uma moca de pregos. Usou a mesma combatividade rudimentar para ganhar as costas a Marcano ao minuto 20, numa lance em que só uma saída-relâmpago de Casillas o impediu de acrescentar mais um golo anulado à sua conta pessoal. Saiu lesionado ainda antes do intervalo, com certeza uma sequela do toque que sofreu de Dalot dentro da área, num dos contactos físicos mais fortes na história do futebol.

Rafael Leão

Um golo ao primeiro toque na bola, e uma corrida festiva para a bandeirola de canto, onde se viu de imediato cercado por colegas em pânico a gritar «Não te dispas! Não te dispas!». Certamente pouco habituado a ouvir tal exclamação, teve de esperar que chegasse a voz mais calma de Bruno Fernandes para lhe explicar que não se deve despir a camisola durante um festejo, não apenas pelo risco de ver um cartão amarelo, mas também para evitar que alguém vá a correr abrir o processador de texto para escrever uma coluna a repensar a toda civilização ocidental. Pouco solicitado na segunda parte, ainda conseguiu sacar um amarelo a Filipe na única vez que o deixaram embalar em velocidade. Ao minuto 88, teve a oportunidade para dar o primeiro do que se adivinham vários desgostos a adeptos benfiquistas ao longo da sua carreira; predestinado que é, não a desperdiçou.

Rúben Ribeiro

Um cruzamento letal para Rafael Leão, um passe incompreensivelmente falhado para Coentrão (que estava a um metro de si), duas ocasiões a segurar bem a bola para ganhar tempo (e faltas). Ainda assim, fez mais coisas boas e menos disparates totais do que naquela primeira parte em Astana.

Montero

Entrou a minutos do fim, para trazer uma lufada de metano fresco à manobra ofensiva da equipa.