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O Real Madrid venceu, mas Ronaldo e Bale não passaram a bola um ao outro

Avançados não trocaram passes na vitória diante do Nápoles. Última jogada entre ambos que resultou em golo foi há quase um mês

Francisco Perez

JAVIER SORIANO/Getty

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Gareth Bale regressou ao "onze" da equipa de Zidane, para ajudar a garantir a vitória por 3-1 diante do Nápoles, depois de ter falhado o encontro da primeira mão. O galês não interveio nos golos dos espanhóis, mas também não trocou passes com… Cristiano Ronaldo.

Sérgio Ramos, Dries Mertens na própria baliza e Álvaro Morata foram os marcadores de serviço. O internacional espanhol rendeu Karim Benzema, pois o trio de ataque da equipa não estava a produzir efeitos.

Cristiano Ronaldo alinhou os 90 minutos, ao passo que Gareth Bale foi substituído aos 68. O capitão da seleção portuguesa realizou 17 passes para os seus companheiros, nenhum para o galês.

Do outro lado, a situação foi semelhante: o camisola "11" não passou o esférico uma única vez a CR7, privilegiando outros colegas.

Toni Kroos (7) e Marcelo (5), que jogaram do lado esquerdo, foram os principais “parceiros” de Ronaldo no encontro, enquanto Bale procurou sobretudo Dani Carvajal (6) e Luka Modric (4), que estiveram do lado direito.

Olhando para o sistema tático do Real Madrid, a situação não será estranha, mas merece uma nota. Ronaldo e Bale são os extremos do 4x3x3 com que Zidane tem alinhado, com Benzema no centro do ataque.

O francês recebeu a bola de cada um apenas uma vez, o que poderá mostrar alguma falta de sintonia no ataque madrileno.

Desde que Bale regressou de lesão - frente ao Espanhol de Barcelona - a 18 de fevereiro, o Real Madrid ainda não assistiu a uma combinação dos dois jogadores mais caros do mundo que resultasse em golo.

Depois de quatro jogos sem marcar, Benzema festejou por duas vezes diante do Eibar, mas antes disso não tinha acertado na baliza há um mês, precisamente diante do Nápoles. O que poderá ser um indício de que a tripla "BBC" (Bale, Benzema, Cristiano) não estará a passar um bom momento (Benzema marcou 15 golos, Bale marcou 9 e Cristiano marcou 25 - comparando com o trio "MSN", do Barcelona: Messi, Suárez e Neymar já contam com 39, 28 e 14 golos marcados, respetivamente).

O convívio com o "ídolo" e as discussões com o agente.

Gareth Bale chegou ao Real Madrid em 2013, protagonizando a maior transferência da história do futebol quando saiu do Tottenham por 100 milhões de euros.

Poucos meses depois, numa entrevista dada à revista oficial da Champions, o galês revelou quem era a sua maior referência. "O meu ídolo é o Cristiano Ronaldo. Ele tem-me dado conselhos, falamos muito. Foi sempre impecável comigo. Ajudou-me muito, dentro e fora do campo. Aprendo com ele, só de o ver jogar e treinar. Era o meu ídolo antes de o conhecer e agora é ainda mais. Podemos formar uma grande dupla dentro do campo".

Em três anos com a camisola dos atuais campeões europeus, o galês conquistou cinco títulos, e desencadeou algumas polémicas com CR7, por causa do seu agente.

Em outubro de 2015, Jonathan Barnett concedeu uma entrevista ao "The Guardian", onde abordou a relação dos dois jogadores. "Eles não jantam todas as noites juntos, mas não há problema. Não há ódio. O Gareth é um homem tranquilo. Eles são diferentes, mas penso que ele poderá aprender muito com o Ronaldo. Mas ele quer a sua própria reputação. O Gareth é um excelente futebolista, um dos seus objetivos é ser o melhor do mundo. Julgo que ele não quer ser o melhor modelo do mundo, ou o melhor vendedor de roupa interior".

As declarações não caíram bem na capital espanhola e, de acordo com a imprensa espanhola, Bale terá pedido desculpa a Ronaldo pelas declarações do seu agente. O "AS" adiantou ainda que CR7 não teria ficado chateado com o episódio.

Poucos dias depois, Rafa Benítez, então treinador do Real, abordou o caso, garantindo que não havia "nenhum problema entre os dois".

Gareth Bale chegou a ser apontado ao Manchester United várias vezes, mas a transferência nunca se materializou.

Jonathan Barnett chegou a pronunciar-se sobre o caso, falando ainda de… Ronaldo. "Porque é que ele quereria sair? O Real é o maior clube do mundo. Ele tem 26 anos [agora 27] e os melhores da carreira a caminho. Penso que nos próximos dois ou três anos ele será visto como o melhor jogador do mundo. Ele quer a Bola de Ouro e acho que tem hipóteses. Tens o Cristiano, que está a chegar ao final da carreira, e o Messi também".

Entretanto, Ronaldo ajudou o Real Madrid a vencer a 11ª Liga dos Campeões, capitaneou a seleção portuguesa rumo ao título no Euro 2016 e foi eleito o melhor jogador do mundo. As palavras de Barnett parecem, no mínimo, precipitadas.