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Depois d' Os Aurélios, Os Silvas. E Nani

Não havia Ronaldo e Renato, mas houve Nani e Os Silvas - Bernardo, Adrien, André e Rafa - que atropelaram a modesta seleção de Gibraltar (5-0)

Mariana Cabral

Nani, capitão português na ausência de Ronaldo, marcou dois golos contra Gibraltar

MIGUEL RIOPA/Getty

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Pode concluir-se alguma coisa de um jogo em que houve quase 40 remates para um lado e apenas um remate para o outro? Pode. Não que Portugal é superior a Gibraltar, porque isso já estávamos todos fartos de saber, mas que a seleção portuguesa já tem alternativas de futuro para os tempos que aí vêm.

É que mesmo sem Ronaldo, Renato, Vieirinha e Ricardo Carvalho - todos campeões europeus -, Fernando Santos tem muita matéria-prima por onde pegar para a qualificação para o Mundial-2018, que começa já na terça-feira, em Basileia, frente à Suíça.

Começando por João Cancelo, titular esta noite na lateral direita, e acabando n' Os Silvas, que entraram todos na 2ª parte: Bernardo Silva, André Silva, Rafa Silva e Adrien Silva (bom, este último já todos conhecíamos perfeitamente).

Disposta em 4-3-3, com Eduardo, Cancelo, Pepe, Bruno Alves, William, Moutinho, João Mário, Quaresma, Nani e Eder, a seleção portuguesa rapidamente pegou no jogo disputado esta noite no Bessa, até porque não era esperada grande réplica de uma seleção recheada de amadores.

Numa partida que mais pareceu um longo exercício de apenas um momento do jogo - organização ofensiva -, Portugal foi sempre superior, mas demorou a conseguir entrar no rochedo (como diriam os ingleses nesta altura: pun intended), porque insistiu excessivamente nas jogadas pelos corredores laterais, especialmente do lado de Quaresma, e nos cruzamentos para Eder.

Por falar em Eder, há que dizê-lo: voltou a ser o Eder que conhecíamos, ao falhar um golo fácil (desculpa, Eder, continuas a ser o maior), mas mostrou que já não é o mesmo Eder para quem o vê, porque o que antes acabaria em assobios, esta noite levou a uma ovação.

Não houve golos de Eder, mas houve Nani a fazer esquecer Ronaldo, ao marcar aos 27', após um canto, e aos 55', após uma assistência de um dos Silvas - Bernardo -, que também assistiu Pepe aos 79' e ainda marcou, aos 76'. E, aos 73', houve também uma arrancada de Cancelo a acabar em golo, já com Portugal de volta ao esquema agora habitual e que funcionou bem melhor - 4-4-2 -, com Nani e André Silva na frente, e Rafa, Adrien, Bernardo e André Gomes (que saiu mais cedo, com dores) no meio-campo.

5-0 simples e sem grande virtuosismo, mas num ambiente de festa merecido pelos campeões europeus. Pouca importa como jogamos, certo? Então venha daí a vitória sobre a Suíça.