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Com uma bela exibição no estádio da Luz, Portugal goleou a Hungria (3-0) e continua a depender apenas de si próprio para chegar ao Mundial 2018

Mariana Cabral

Está lá dentro: Ronaldo bisou contra a Hungria e já lá vão 70 (!) golos pela seleção portuguesa

PATRICIA DE MELO MOREIRA/GETTY

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A vida tem acontecimentos inexplicáveis e este é um deles: esta tarde, precisamente quando passava de automóvel pelo estádio da Luz, uma estação de rádio brindou-me com um belíssimo sentimento de nostalgia quando comecei a ouvir a música que todos ouvimos ad nauseam durante o Euro 2016 e que serviu de hino da prova (se não sabe do que falo, AQUI fica).

Já lá vão 276 dias desde que a ouvi(mos) no estádio do Lyon, numa tarde que teve tudo para correr mal, quando os húngaros se iam constantemente adiantando no marcador, mas acabou em bem, com Portugal a empatar (3-3) e a passar aos oitavos de final no 3º lugar do grupo. E o resto, como se diz, é história (ou, como escrevi na altura, um filme: AQUI).

A questão é que 276 dias são muitos dias e o que era verdade então, é mentira hoje. Naquele dia, Portugal não jogou o que poderia jogar e até o presidente da República, na bancada, se atreveu a dizer isto: "Somos melhores do que eles em tudo".

Eles, os húngaros, são de facto piores do que nós, pelo menos no que diz respeito à bola, e, 276 dias depois, os portugueses demonstraram-no com categoria - melhor dizendo, categoria de campeões europeus.

As diferenças em relação ao jogo disputado em Lyon começaram logo nos onzes: a Hungria já não tem Király, aquele guarda-redes que parecia que ia de pijama para os jogos (AQUI está ele), e Portugal tem agora um parceiro de luxo para Cristiano Ronaldo, chamado André Silva, que já leva cinco golos em seis internacionalizações pela seleção A.

Foi precisamente o miúdo de 21 anos a fazer o primeiro golo do jogo, aos 30 minutos, quando Portugal lutava para ultrapassar o denso sector defensivo da Hungria, composto por cinco defesas. Ronaldo baixou para receber uma bola à frente da defesa adversária, passou para o corredor lateral para a entrada do (fantástico) Raphaël Guerreiro e o médio do Dortmund/lateral da seleção cruzou a bola redondinha - e rasteirinha, como poucos fariam - para os pés de André Silva, ao segundo poste, que só teve de encostar.

Antes disso, Ronaldo já tinha assustado Gulácsi - o substituto de Király - com um cabeceamento a rasar o poste, correspondendo a um cruzamento de trivela de Ricardo Quaresma, titular no meio-campo também composto por William, André Gomes e João Mário (Bernardo Silva e Danilo começaram no banco).

Ainda com 0-0, o capitão português também terá tido um déjà vu daquele 3-3 do Euro quando bateu um livre direto para longe da baliza de Gulácsi - é que naquele dia fê-lo por quatro vezes... -, mas esta noite até isso correu na perfeição a Ronaldo, que bisou e atingiu o impressionante número de 70 golos em 137 jogos pela seleção portuguesa.

Logo aos 36 minutos, Ronaldo passou a ser o melhor marcador da qualificação da zona europeia para o Mundial (oito golos - que na 2ª parte passaram a nove), com um belíssimo remate de fora de área, a corresponder a um toque magnífico de André Silva, de primeira, no ar e de calcanhar, após um passe longo de Pepe.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/GETTY

Portugal dominava o jogo sem permitir grande réplica dos húngaros e o capitão português até teve oportunidade de tentar um pontapé de bicicleta, mas a bola saiu à figura do guarda-redes.

Na 2ª parte, a equipa de Bernd Storck entrou com um ímpeto mais ofensivo, mas a vontade durou pouco. É que, aos 64 minutos, Ronaldo fez aquilo que não tinha conseguido no tal jogo no Euro: marcou de livre direto.

Com 3-0, Portugal descansou - Fernando Santos até experimentou o outro Silva, Bernardo, ao lado de Ronaldo - e a vitória nunca esteve em dúvida, apesar de um ou outro ataque mais perigoso do 3º classificado do grupo B de qualificação para o Mundial na Rússia, com sete pontos.

Portugal continua a ser 2º do grupo (12 pontos), já que a Suíça (15 pontos) venceu a Letónia por 1-0, mas mantém-se apenas dependente de si próprio para atingir o primeiro e único lugar que dá acesso direto ao Mundial, já que ainda vai receber os suíços.

E, recordemos, esta é a seleção campeã europeia. Faz diferença? Faz, sim, senhor, como disse o ex-internacional brasileiro Roberto Carlos esta semana no Football Talks: "Incluo Portugal nos favoritos à conquista do Mundial".

Primeiro, há que chegar à Rússia. Depois, logo se vê. Pelo menos Portugal vai bem melhor do que a seleção holandesa, que perdeu esta noite com a Bulgária e ocupa o 4º lugar do grupo A de qualificação. E por que é que isto interessa? Porque sempre podemos enviar os nossos cumprimentos ao estimado Jeroen Dijsselbloem (AQUI). No futebol é garantido que não precisamos de ajuda nenhuma. Os holandeses, pelo contrário... Cruyff só houve um (AQUI).