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“Como não dormi nada na noite em que ganhámos o Euro já não sabia se estava a sonhar ou se estava acordado”

Fernando Santos explicou esta tarde, no congresso "The Future of Football", organizado pelo Sporting, a que se deveu a vitória de Portugal no Europeu e admitiu que o próximo objetivo é conquistar o Mundial

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Fernando Santos é selecionador nacional desde 2014

José Coelho/Lusa

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Os próximos objetivos da seleção

“A nossa motivação agora é ganhar o Mundial. O objetivo prioritário é chgar à fase final e então, depois de alcançá-lo, objetivamente e sem nenhum rodeio afirmar que vamos lá para vencer.

Os jogadores agora não se podem sentir, de maneira nenhuma, confortáveis, isso seria o pior erro que podia acontecer. Quando atinges um patamar tens de procurar sempre novos desafios. Mal chegámos do Euro, nas primeiras palestras que dei falei disso, temos de ter sempre outros objetivos”.

As razões do sucesso do futebol português

"A minha convicção não era alicerçada no ar, era alicerçada na qualidade do futebol português - e eu tenho formação em engenharia, portanto isso é como se pensasse em fazer um prédio sem base.

Temos qualidade nos jogadores, nos treinadores e temos um fuetebol bem organizado em Portugal, independentemente de ter mais ou menos público.

Temos de referir a formação, onde os clubes têm contribuído em pleno. A Federação tem feito um trabalho fantástico nesta área e agora ainda mais com a Cidade do Futebol. Esse é o primeiro fator de sucesso.”

O pragmatismo

“Portugal sempre foi um país que deu grandes talentos, está ali um sentado [Luís Figo]. Não podemos pensar que só agora há grandes jogadores. Obviamente quando as condições de trabalho são melhores... Na Federação há uma organização quase perfeita, perfeita nunca existe. É potenciar o que é colocado ao nosso dispor.

Talvez tenha faltado um pouco de pragmatismo à equipa nacional. Em outras ocasiões podia perfeitamente ter sido campeã da Europa ou do mundo. Faltava incutir isso na cabeça dos jogadores.”

As lições do engenheiro

“O mais importante foi a vitória, foi a alegria. Eu como não dormi naquela noite já não sabia se estava a sonhar, se estava acordado. Só passado dez meses é que sinto o que se passou. Foi um momento histórico para o futebol português.

A vitória é sempre efémera. Isto é tudo muito bonito, muitas festas, muitos abraços, muitos convites, mas se isto der para o torto acaba-se tudo.

Isto é o equilíbrio da nossa vida, saber viver com o sucesso e com o insucesso. Às vezes até é mais fácil viver com o insucesso do que com o sucesso, porque o sucesso mexe muito com as cabeças.

A Taça das Confederações

“É perfeitamente natural que nos exijam a Taça das Confederações e nós também criámos essa obrigação.Vamos fazer tudo para dar mais uma alegria aos portugueses. Ainda bem que sobe o nível de exigência, porque isso também nos obriga a sermos melhores”.