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É a tal história do prova o que dizes

Cristiano Ronaldo vai com nove golos marcados nesta fase de qualificação para o Mundial de 2018. Tem mais golos em cinco jogos desta caminhada do que oito jogadores da seleção que já se estrearam a marcar por Portugal. É a estória que há dentro da história que se espera que a seleção conte esta sexta-feira (19h45, RTP1) - uma vitória contra a Letónia

Diogo Pombo

Acabado de vencer a Liga dos Campeões pela quarta vez, Ronaldo pode chegar à dezena de golos neste apuramento para o próximo Mundial, caso volte a marcar à Letónia

Foto Francisco Leong / AFP / Getty Images

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Dentro de uma grande história costuma estar outra, ou outras, mais pequenas. É como um quadro grande, que é bonito e maravilhoso quando exposto na parede, mas que nada é sem as cores, os efeitos e as pinceladas que o compõem. Ou como uma sopa, na qual apenas damos uma colherada porque, antes, uma catrefada de ingredientes foram batidos lá no meio. Ou, e prometo que é a última analogia, como os filmes bons e que nos prendem com pessoas e estórias e peripécias pequenas que, no final, nos fazem ver a big picture. Como no “Crash”, que nos pôs a pensar no quão mau e manhoso é o racismo entrelaçando vários episódios paralelos que, juntos, tornaram a mensagem mais forte.

E pronto, chega, porque a ideia era chegar à moral que está por trás do Letónia-Portugal que se vai jogar esta sexta-feira (19h45, RTP1). Que é esta - não há como a seleção meter os pés pelas mãos e não vencer os letões. Agora é a parte de explicar porquê e de ir à pequena estória que existe dentro de uma grande.

Foto Pedro Nunes / Reuters

Correndo o risco de ser repetitivo e redundar no óbvio, esta história gira em torno de um rapaz cuja vida, com o avançar da idade, se centrou em golos e no estar mais perto da baliza.

Esse rapaz, que jogou 138 vezes por Portugal, marcou nove golos só na fase de qualificação para o Mundial que aí vem, em 2018. Em cinco jogos, portanto, esse rapaz tem mais golos do que o total de oito jogadores que foram convocados para estarem na Taça das Confederações e que sabem o que é marcar com a camisola de Portugal. São eles Ricardo Quaresma (oito), João Moutinho (sete), André Silva (seis), Pepe (quatro, Pizzi (dois), Raphaël Guerreiro (dois), Danilo (um) e Bernardo Silva (um).

O tal outro rapaz é quem já fez entrar 600 bolas nas balizas das equipas que jogaram contra ele, o mesmo que levantou há pouco tempo a sua quarta Liga dos Campeões, a que o fez cumprir a promessa de rapar o cabelo. A estória particular entre Cristiano Ronaldo e a Letónia resume-se pelo saldo de 9-1 em golos a favor do português. E a moral que retiramos para a história maior é que se o capitão da seleção tem estes números, então será porque está, e quase sempre esteve, uns quantos degraus acima dos outros, o que ajuda a seleção a também elevar-se sobre a maioria das equipas contras as quais joga.

Em novembro, a seleção ganhou à Letónia no Estádio do Algarve por 4-1

Em novembro, a seleção ganhou à Letónia no Estádio do Algarve por 4-1

Patrícia de Melo Moreira/AFP/Getty Images

Ou seja, se Portugal, que é campeão europeu de seleções, tem Cristiano Ronaldo na forma em que está, há que vencer a Letónia. Ponto final.

Mesmo que haja sempre o parágrafo em que Fernando Santos fala, munido da cautela e prudência habituais, dizendo-nos que as favas estão longe de estar contadas. Ou que até Nani, o primeiro na lista de sucessão dos capitães, tenha dito que espera “uma Letónia mais confiante” e que sabe que este será um jogo mais difícil do que o 4-1 com que Portugal bateu a Letónia em novembro no Estádio do Algarve - onde, segundo ele, o adversário “complicou muito”.

Nani referia-se à seleção que tem três pontos em cinco jogos, apenas dois golos marcados e que está em penúltimo de um grupo que tem em último lugar Andorra. À equipa cujos jogadores “ainda ficam nervosos” por defrontarem Portugal no provável maior jogo da vida deles, como Maris Verpakovskis, melhor marcador de sempre da Letónia e hoje uma espécie de diretor desportivo da seleção, admitiu à Tribuna Expresso, em novembro, antes do primeiro encontro entre as duas seleções nesta fase de apuramento.

Foto Mário Cruz / EPA

Maris Verpakovskis, antigo avançado, reconheceu nessa entrevista à Tribuna Expresso que os portugueses são mais técnicos, mais rápidos e, no fundo, melhores. Por isso estão em segundo lugar do grupo, a três pontos da Suíça, adversário para o qual querem manter a distância até à última jornada, quando se defrontarem. Logo, é preciso vencer a Letónia no campo e não só aqui, com as palavras, onde é fácil disparar superioridades, como disse entretanto Fernando Santos: “Teremos de mostrar que somos melhores. Cá fora é fácil, lá dentro é que é mais difícil”.

É a tal estória do prova o que dizes. Agora é esperar se a história grande, no final, nos diz que Portugal partiu para a Taça das Confederações com mais uma vitória somada na qualificação para o Mundial de 2018.