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Fernando Santos: o “candidato e não favorito” que põe as “mãos no fogo pelo senhor Ronaldo"

Selecionador nacional já vinha preparado para as perguntas sobre Ronaldo. E deixou vários recados: confia no capitão da Seleção a 100% e avisa que não é surdo. Ou seja, nem tudo o que se diz que se disse realmente foi dito (perceberam?)

Lídia Paralta Gomes

Fernando Santos na conferência de imprensa de antevisão do jogo contra o México, em Kazan

SERGEY DOLZHENKO / EPA

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Vai embora, não vai embora de Madrid… de repente a Taça das Confederações tornou-se uma espécie de filme em que o futuro de Cristiano Ronaldo é o plot principal.

A conferência de imprensa era de antevisão ao jogo deste domingo com o México, mas Fernando Santos já sabia o que aí vinha. E estava preparado e com recados para dar.

“Obviamente que entendo as vossas perguntas mas deixem-me dizer-vos uma coisa: vocês sabem que eu o conheço há muitos anos e fui o último treinador dele em Portugal, tinha ele 18 anos ainda. E gostava de dizer que ponho as mãos no fogo - e olhem que é coisa que raramente faço - pelo carácter e pela idoneidade do senhor Cristiano, quer como homem, quer como atleta”, começou por dizer o selecionador nacional.

As perguntas sobre Ronaldo continuaram. E Fernando Santos respondeu pela última vez.

“Tenho um pacto simples com os jogadores: vocês sabem que tenho uma relação dos jogadores de grande afetividade e as questões pessoais tratamos fora daqui. Por isso é que viajo muito e visito muito os jogadores, procuro estar com eles. Mas quando estamos em estágio, a nossa relação passa a ser mais estratégica e tática, isso é que é importante. Vi notícias sobre coisas que se disseram cá dentro… eu nunca ouvi nada. Eu não sou surdo, vocês sabem que eu ouço bem.”

No fundo, tudo isto para dizer: a seleção está com Ronaldo.

“Esta seleção tem uma relação fortíssima e é conhecida exatamente por isso, pela sua relação. Aqui há um ‘nós’, o ‘eu’ deixou de existir. Estamos sempre todos uns com os outros.”

E bem, depois de Ronaldo passemos finalmente para o futebol propriamente dito, ou seja, para o México.

A equipa azteca não tem exatamente um esquema tático ou um onze base. Questionam o selecionador sobre a imprevisibilidade, mas Fernando Santos diz que há características na equipa que não mudam.

“Em 23 jogos, essa imprevisibilidade resultou em 2 empates e 2 derrotas e o resto tudo vitórias. Quando olhamos para os jogos, praticamente nunca encontramos o mesmo onze, mas há uma forma de jogar característica, em primeiro lugar pela qualidade técnica dos jogadores, em segundo porque é uma equipa com jogadores que colocam muita paixão no jogo, em todas as competições entregam-se e dedicam-se muito ao jogo. E depois muita dinâmica no seu jogo. Têm processos que procurámos analisar bem. É um adversário muito forte mas vamos tentar vencer, que é o que nos traz aqui”.

Sobre a condição de favorito de Portugal, ideia que parece estar a crescer entre os jornalistas estrangeiros que estão na Taça das Confederações, Fernando Santos não mostra sinais de pressão, mas também rejeita o estatuto.

“Convivo bem com isso, mas não somos favoritos a nada, somos candidatos como sempre somos nestas competições. Há equipas mais favoritas.”

Antes de tudo isto, o selecionador nacional tinha começado por lançar um pouco de charme. Primeiro à Rússia (“quero agradecer e dar os parabéns às entidades russas e ao povo russo pela forma como tem procurado satisfazer as necessidades das equipas”) e depois à jornalista mexicana Inés Sainz. “Sabes muito disto”, atirou Fernando Santos à repórter, depois desta lançar a primeira pergunta da conferência.

Nada como promover a harmonia entre os povos. Quer dizer, ma non troppo. Quando questionado sobre o que vai fazer para travar o México, Fernando Santos riu-se. "Isso não vou dizer! Se não o Osório [selecionador mexicano] fica a saber. Sou amigo dele, mas não vou dizer!"

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