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Como Moreno nos roubou a única boa notícia que íamos ter este domingo

Num dia difícil para quem é português, a Seleção Nacional empatou no jogo de estreia na Taça das Confederações, frente ao México (2-2), depois de sofrer um golo aos 90'+2. Houve equilíbrio, tanto nos bons como nos maus momentos da partida e até direito a uma intervenção decisiva das novas tecnologias. Feitas as contas, ganhou o vídeo-árbitro

Lídia Paralta Gomes

Ian Walton/Getty

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Nem sempre é fácil pensar em futebol quando se passa o que se passa em nossa casa e quando as notícias que chegam nunca melhoram, só pioram. Não é fácil para nós, nem para eles que estão ali em campo. Mas tem de ser.

E talvez por isso aquele golo já para lá dos 90 minutos de Hector Moreno, que deu o empate ao México, nos tenha custado um pouquinho mais. Uma vitória de Portugal esta tarde em Kazan, no jogo de estreia na Taça das Confederações, era mais do que três pontos. Era provavelmente a única boa notícia que íamos dar hoje.

Ainda assim, o empate 2-2 entre Portugal e México aceita-se, num jogo que foi equilibrado tanto nos bons como nos maus momentos, mais emotivo do que bonito, principalmente nos últimos cinco minutos. Portugal teve o pássaro na mão, quando Cédric fez o 2-1 a cinco minutos do fim, podia até ter feito mais um, por Gelson, mas o México reagiu bem e nunca baixou os braços.

Portugal entrou mal no encontro. Não que o México tenha entrado muito melhor, mas pelo menos teve mais bola, mais iniciativa e, essencialmente, errou menos passes. Nos primeiros 10 minutos não houve uma única jogada de ataque da Seleção Nacional e foi preciso esperar até aos 17’ para a bola visitar pela primeira vez a área mexicana - André Gomes cruzou na esquerda, mas a jogada morreu ao primeiro poste.

(O melhor dos primeiros 15 minutos? O colega mexicano que tinha ao lado na tribuna de imprensa da Arena Kazan. Começa por chamar nomes poucos próprios a Ronaldo, o que me faz levar as mãos na cabeça: vai passar 90 minutos a insultar os jogadores portugueses, penso. Engano-me, já que o bom do Antonio Ramirez logo flete o fel para o ‘seu’ Jiménez, a quem chama insistentemente de payaso e, quando no ecrã gigante surge Rafa Márquez, lança um viejito, que não percebo se é crítico ou fofo. Talvez seja fofo.)

Fofo não foi para nós logo a seguir o VAR. Para quem não está familiarizado com o termo, trata-se do Video Assistant Referee, vulgo vídeo-árbitro. Habituem-se, vão ouvir falar bem mais dele. Pois bem, aos 20 minutos Ronaldo bate um livre que vai direitinho para a barreira. A bola segue para Moutinho que, com um balão, coloca a bola da área. Pepe vai ao lance, a bola vai parar ao pé de Cristiano que de primeira remata à barra.

Mais uma segunda bola, mais uma bola para a área, Nani aparece e golo, festa, portugueses de braços no ar. Not so fast. Néstor Pitana, o gigante árbitro argentino vai com o dedo ao auricular, faz um sinal com os dedos de um retângulo e percebemos logo: vem aí o vídeo-árbitro.

A coisa demorou um minuto. Após o balão de Moutinho, Pepe estava, de facto, fora de jogo. Pontos para o vídeo-árbitro, ainda que tenha sido às nossas custas.

Não faz mal, vamos embora que ainda há muito jogo. Nos minutos seguintes há um livre direto de Vela que assusta Portugal e de seguida um cruzamento de William Carvalho quase dá golo: Salcedo vai com a cabeça à bola e Ochoa estica-se todo para afastar o perigo.

Logo a seguir, aos 34’, o golo de Portugal. Cédric chuta para a frente, Diego Reyes falha o corte e a bola vai parar a Ronaldo. Cristiano está meio sozinho e faz o que deve: aguenta, aguenta e aguenta até chegarem reforços. Aguenta mais um bocadinho os três jogadores que tem em cima quando André Gomes lhe pede a bola à entrada da área. Com sua visão periférica, Ronaldo já sabe que Quaresma vem a correr sozinho pela direita e quando o extremo chega à área, CR7 faz magia. Coloca a bola entre os três defesas e Quaresma responde com a mesma souplesse. Um toquezinho arrumou com Ochoa e depois foi só encostar.

Quaresma fez o primeiro golo de Portugal

Quaresma fez o primeiro golo de Portugal

Ian Walton/Getty

Aqui, parecia que Portugal ia arrancar para uma exibição portentosa. Aos 40 minutos alguém tem a feliz ideia de gritar ‘Messi’ nas bancadas. Ronaldo respondeu com um passe de calcanhar para Quaresma que rematou cruzado e muito perto do poste da baliza mexicanas.

Só que dois minutos depois, um erro muito atípico de Raphael Guerreiro bastou para estancar a cavalgada portuguesa. Após um cruzamento de Layún, o defesa do Borussia Dortmund falhou o corte, com a bola a chegar aos pés de Carlos Vela. O avançado mexicano cruzou, Chicharito mergulhou e empate na Arena Kazan.

Logo de seguida, o México podia ter marcado outra vez. Vela deu para Jiménez e o jogador do Benfica cruzou rasteiro para Chicharito. O remate foi parar ao Rio Volga.

Da 2.ª parte não se pode dizer que tenha sido exatamente um hino ao futebol: as oportunidades foram escassas, nenhuma equipa conseguia pegar no jogo e a partir de certo momento era tudo tão trapalhão que parecia claro que o jogo iria terminar empatado.

Só que aos 86 minutos, já depois de Fernando Santos arriscar tudo com a entrada de André Silva, Gelson (também aposta na 2.ª parte) cruzou, Herrera não conseguiu afastar e Cédric Soares rematou cruzado, com força, dando uma vantagem a Portugal que parecia certa e definitiva. Mas Hector Moreno, já para lá dos 90’, com uma antecipação a José Fonte e um cabeceamento seco, deixou tudo empatado. De novo. Quando já estavamos a contar com o pássaro.

Portugal parte agora para Moscovo, onde na quarta-feira joga com os anfitriões, a Rússia. Em Kazan, feitas as contas, não ganhámos nós nem eles: ganhou o vídeo-árbitro.