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Querem saber quanto vale o México? Perguntem a Rui Malheiro

O analista de futebol explica ponto por ponto os pontos fortes e os pontos fracos da seleção que está no caminho de Portugal na estreia na Taça das Confederações, esta tarde (16h, RTP1)

Rui Malheiro

YURI CORTEZ

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Juan Carlos Osorio, treinador colombiano que orienta a Seleção mexicana, tem realizado um trajeto pautado por uma tremenda irregularidade a nível de qualidade de jogo e de resultados. Isto conduz a duas ideias claras sobre os Tricolores: conseguem ser fortes contra os fracos, o que os tornam impositivos nas competições continentais organizadas pela CONCACAF; podem baquear, de forma contundente, ante adversários do mesmo nível ou mais fortes, como ficou atestado no impressionante 0-7 ante o Chile nos quartos de final da Copa América.

Fiel a uma estrutura em 1x4x3x3, apesar de mostrar elasticidade para recorrer a outras estruturas – principalmente com 3 defesas –, Osorio peca, em algumas situações, pela excessiva preocupação em jogar em função do rival que enfrenta.

Outros aspetos que marcam o seu ideário são a tendência para promover rotações profundas no onze de jogo para jogo – mais uma vez com o pensamento centrado na análise aos pontos fortes e fracos do rival –, o que constitui um travão à criação de rotinas, e a exploração ao máximo da versatilidade dos jogadores, procurando utilizá-los em diferentes funções.

O afastamento, por questões pessoais, do portista Jesús Manuel Corona, habitualmente utilizado no corredor esquerdo do ataque, constitui a principal baixa na abordagem à Taça das Confederações, o que poderá abrir as portas da titularidade a Hirving Lozano, revelação do futebol azteca que se destaca pela velocidade e pela imprevisibilidade.

As principais dúvidas prendem-se com a titularidade de Layún como lateral-esquerdo, após uma época apagada no FC Porto, o que pode constituir uma janela de oportunidade para Luis Ricardo Reyes, considerado o melhor jogador na sua posição no Clausura’2017 mexicano, ou para Oswaldo Alanís, defesa-central que pode também atuar como (defesa-)lateral; com a condição física do capitão Rafael Márquez, veterano de 38 anos, habitualmente utilizado como médio-defensivo, o que poderá obrigar ao recuo de Héctor Herrera para essa função, abrindo o espaço interior do meio-campo para a titularidade de Marco Fabián, virtuoso médio-ofensivo do Eintracht Frankfurt, ou para Giovani dos Santos, atualmente no LA Galaxy, após passagens por Villarreal, Galatasaray, Tottenham e Barcelona, onde chegou a ser apontado como uma das maiores promessas do futebol mundial; e, por fim, com o jogador escolhido para assumir o papel de referência ofensiva, posição disputada por Raúl Jiménez, por vezes adaptado aos corredores laterais do ataque, e por Chicharito Hernández, com Oribe Peralta à espreita.

Extremamente fortes no contragolpe, ao explorarem a mobilidade, velocidade e imprevisibilidade de Carlos Vela, a maior figura da Seleção, e de Lozano, fortes a protagonizarem condução aceleradas, como também a contundência apresentada por Jiménez ou Chicharito no ataque à profundidade, muitas vezes solicitados a partir de passes médios e longos, os mexicanos mostram também sagacidade na assunção de ações de ataque organizado, ainda que excessivamente dependentes da capacidade individual de Vela e do sucesso dos passes verticais dos médios, e um ótimo aproveitamento de lances de bola parada laterais, aproveitando a agressividade e antecipação no jogo aéreo de Chicharito, Rafael Márquez, Alanís, Diego Reyes, Moreno ou Jiménez.

Ao invés, é uma equipa que se expõe bastante no momento de transição defensiva, tanto no corredor central como nos corredores laterais, fruto do envolvimento de várias unidades no processo ofensivo e da assunção de riscos excessivos nas primeiras fases de construção, e na defesa de bolas paradas laterais, fruto de uma opção por uma defesa individual totalmente desajustada com o futebol moderno, em que coloca o mesmo número de jogadores do que o rival dentro da sua área, o que é convidativo à exploração de ações de antecipação.

Em organização defensiva, apesar de revelar indefinições nas zonas de pressão e um excesso de referências individuais, o México mostra mais conforto na defesa do espaço interior do que do espaço exterior, sentindo-se vulnerabilidades gritantes na defesa a cruzamentos por deficiente perceção espacial por parte das unidades mais recuadas