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Da oval para a redondinha, há um mundo de distância: o que vale a Nova Zelândia, por Rui Malheiro

Hoje é o último jogo de Portugal na fase de grupos da Taça das Confederações. A equipa de Ronaldo e companhia vai jogar contra a equipa de R... Pois. Se quiser saber mais da Nova Zelândia, leia este texto

Rui Malheiro

FRANCK FIFE

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É claramente a seleção mais limitada do Grupo A, como atestam as desmesuradas arduidades que evidencia quando enfrenta adversários fora do seu continente. No último ano, em 4 jogos somou 1 empate – ante os Estados Unidos da América – e 3 derrotas – diante de México, da Irlanda do Norte e da Bielorrússia.

Anthony Hudson, jovem inglês de 36 anos, com passagens discretas pela seleção do Bahrein, pelo Newport County (onde chegou, por indicação de Harry Redknapp, com o epíteto de “jovem Mourinho”), pelas reservas do Tottenham, e pelos estado-unidenses do Real Maryland Monarchs, tem vindo a ser criticado pelo futebol pouco espetacular e pela gestão de vantagens curtas nos jogos continentais (venceu a final da competição continental, ante a modesta Papua Nova Guiné, apenas no desempate por pontapés da marca de grande penalidade), onde se esperava uma maior capacidade de imposição.

Fiel a uma estrutura com 5 defesas, alterna a utilização do 1x5x3x1x1 (desdobrável em 1x3x5x1x1), com um médio-ofensivo/segundo-avançado nas costas de Wood – e do 1x5x3x2 (desdobrável em 1x3x5x2), com dois avançados mais fixos, a Nova Zelândia demonstra muitas dificuldades, principalmente ante adversários de maior grau de dificuldade, em assumir a posse e estabelecer um futebol conetivo com base em passes curtos e médios a partir da sua linha defensiva, exibindo demasiadas limitações em construir e ligar jogo por dentro ou por fora.

Existe, sim, uma total dependência de uma construção longa direcionada a Chris Wood, referência ofensiva, que ganha maior critério quando McGlinchey, médio-defensivo com qualidade no passe e leitura de jogo, baixa no terreno e procura estabelecer essa conexão. Wood, avançado do Leeds United, é extremamente possante e arguto a conquistar primeiras bolas através do jogo aéreo (procurando depois conectar-se com os colegas de equipa ou o remate violento de fora da área com o pé direito), mas também é capaz de apresentar alguma sagacidade a atacar a profundidade e/ou a oferecer largura, para depois temporizar, antes de procurar conectar-se com um colega de equipa, aproveitando a mobilidade de Rojas,

Thomas e Lewis, sagazes a surgirem em zona de finalização, assim como de Kosta Barbarouses, Patterson e Smeltz, outras opções para o posto de (segundo-)avançado. Depois, espreitam a oportunidade de aproveitar lances de bola parada laterais, juntando os defesas-centrais a Wood, e livres diretos, já que Wood (destro, em força) e McGlinchey (destro, em jeito) mostram atributos interessantes na sua execução.

O processo defensivo, a este nível competitivo, roça o medíocre, tanto no momento de organização – mesmo quando defende num bloco baixo com as linhas muito próximas – como de transição – com muitos espaços a explorar nas costas dos três centrais e nos corredores laterais. São notórias as arduidades tremendas da definição da última linha, no controlo da profundidade e o excesso de referências individuais, o que desfralda problemas de posicionamento e conduz a arrastamentos, abrindo crateras para o rival explorar por dentro ou por fora do bloco, até porque a equipa tende a defender de forma centralizada, expondo excessivamente os corredores laterais: maior dificuldade para fazer face a cruzamentos rasteiros do que aéreos.

Nas bolas paradas laterais defensivas, o comportamento é razoável. Para isso contribui a presença de 10-11 jogadores dentro da área, alguns deles bastante altos, assumindo uma clara predominância pelo individual – superável por ações de antecipação do rival – com cobertura zonal do primeiro poste.