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Um, dois, três, quatro cordeirinhos rumo às meias-finais

Portugal até só precisava de empatar com a Nova Zelândia para se qualificar para a fase a eliminar da Taça das Confederações, mas não quis fazer serviços mínimos. Foram 4 golos que garantiram o 1.º lugar no Grupo A. Missão cumprida

Lídia Paralta Gomes

Buda Mendes/Getty

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Nesta São Petersburgo de noites brancas em junho, nada de zonas negras para Portugal, que venceu a Nova Zelândia por 4-0 e assegurou o 1.º lugar no Grupo A. Num jogo que começou estranho e acabou com a Seleção Nacional a golear, a equipa de Fernando Santos conseguiu sem dificuldades assegurar um lugar nas meias-finais que estava quase carimbado.

Faltava o quase e ainda antes do final da 1.ª parte já Portugal tinha tratado do assunto, face a uma equipa da Nova Zelândia que tem vontade, que gosta de pressionar, mas não tem o talento ou a experiência para causar mais do que cócegas aos adversários.

Portugal chegou ao sumptuoso Estádio de São Petersburgo com a certeza que uma vitória da Nova Zelândia era assim tão improvável quanto os Lobos fazerem um ensaio aos All Blacks.

Oh wait, mas isso aconteceu. Lembram-se, Mundial de França, 2007, Rui Cordeiro, o veterinário?

Assim, e como nisto do desporto não há impossíveis, convinha não ficar a contar cordeirinhos, coisa que a Nova Zelândia tem com fartura lá nos antípodas (são sete para cada humano) e coisa que Portugal não percebeu nos primeiros 20 minutos de jogo. E como explicar o que foram os primeiros vinte minutos de jogo? Estão a ver o desenho de uma criança de 3 anos? Foi mais ou menos isso, mas num campo de futebol - e atenção, nada contra riscalhadas de crianças, são obras de arte que eu muito aprecio, mas esta rapaziada já tem idade para, pelo menos, conseguir desenhar uma linha reta.

Em suma, foi mauzinho. Aos 18 minutos um neozelandês fez um túnel a Bernardo Silva, o que diz bastante sobre quão estranhos foram os primeiros momentos de jogo: Portugal sem conseguir pegar no jogo, a falhar passes, a não conseguir desembaraçar-se da pressão dos neozelandeses, que lá iam tentando a sua sorte com bolas para a área, onde Chris Wood - que é grande, mas não exatamente tosco - esperava um qualquer erro de Pepe ou Bruno Alves.

KIRILL KUDRYAVTSEV/Getty

Os erros não aconteceram, porque é Pepe e Bruno Alves, mas a verdade é que foi de Chris Wood o primeiro remate enquadrado do jogo, depois de uma receção com o peito que teve alguma classe, principalmente vinda de um rapaz com corpo de porteiro de discoteca.

Mas claro está que dificilmente a Nova Zelândia iria aguentar os mesmos níveis de pressão durante muito mais tempo e a partir dos 25 minutos de jogo começou a haver mais espaço e apareceram as primeiras oportunidades para Portugal. Ronaldo teve duas seguidas em dois cruzamentos: no primeiro cabeceou com pouca força e no segundo com muita, só que a bola foi com estrondo à barra.

Portugal começava a carregar e à passagem da meia-hora, a defesa neozelandesa faz uma autêntica placagem a Danilo (está-lhes nos genes, não há nada a fazer) e penálti para Portugal. Cristiano Ronaldo não falhou e estava desbloqueada uma questão que, na verdade, nunca esteve em perigo.

Poucos minutos depois, o golo para terminar com qualquer dúvida. Naquela que terá sido a melhor jogada de ataque da Seleção Nacional, Quaresma picou a bola para Eliseu, o lateral foi por ali fora, sem oposição e cruzou rasteiro e atrasado para a entrada de Bernardo Silva, que só teve de encostar - e magoar-se no processo.

A 2.ª parte foi para controlar, o que até permitiu aos kiwis abeirarem-se da área portuguesa um par de vezes, para delírio dos 56 mil espectadores que, face à linda figura que a seleção russa ia fazendo no outro jogo do grupo, optaram por festejar qualquer lance mais afoito da equipa da Oceânia.

A Nova Zelândia teve até uma bela oportunidade, aos 58 minutos (Chris Wood, sempre Chris Wood a emendar um cruzamento contra Rui Patrício), mas quando o golo chegou foi para Portugal. Já sem Ronaldo em campo, André Silva apanhou uma bola perdida, correu com ela como quem diz “este golo vai ser meu”, aguentou uns quantos porteiros de discotec… ai desculpem, uns quantos defesas e rematou para o fundo da baliza de Marinovic.

Era o golo que faltava para Portugal ficar seguro no primeiro lugar do Grupo A e fazer as malas para Kazan, onde regressa para jogar a primeira meia-final desta Taça das Confederações, na quarta-feira. Nani ainda teve tempo para fazer o quarto, após uma bela jogada de André Silva, que sem Ronaldo assumiu sem medos o ataque de Portugal, tanto a marcar como a construir.

Se começámos o jogo a contar cordeirinhos, acabámos a contar golos. Os neozelandeses, de facto, não são deuses do futebol, mas para uma seleção que, dizem, só defende, quatro golos não está mal.