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Fernando Santos, um homem do mais puro sangue lusitano, vai reencontrar “um senhor” chamado Juan Antonio Pizzi

Meias-finais da Taça das Confederações, um lugar na final em jogo e um reencontro entre dois homens: Fernando Santos e Juan Antonio Pizzi. O selecionador do Chile, com quem Portugal joga amanhã a partir das 19h (21h locais) em Kazan, foi treinado por Fernando Santos no FC Porto e o selecionador nacional só tem coisas boas a dizer do rival

Lídia Paralta Gomes

Laurence Griffiths/Getty

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O futebol no fundo, é um pequeno aquário. Ainda há dias, Carlos Queiróz recordava ao Expresso que tinha treinado Fernando Santos no Estoril. E daqui a pouco mais de 24 horas é a vez do selecionador nacional enfrentar um antigo pupilo. Chama-se Juan Antonio Pizzi, argentino mas internacional por Espanha e agora selecionador do Chile.

E onde é que estes dois se encontraram? No FC Porto, na última época de Fernando Santos nas Antas. Depois de brilhar em Espanha, ao serviço de Tenerife, Valencia e Barcelona, o avançado voltou à Argentina mas em 2000 os dragões foram resgatá-lo ao Rosário Central. O regresso à Europa não correu às mil maravilhas (jogou apenas 11 vezes e marcou três golos), mas Fernando Santos não podia ter melhores recordações do homem que na quarta-feira terá de bater na Kazan Arena para chegar à final de domingo em São Petersburgo.

“Trabalhámos pouco tempo, infelizmente, porque tinha sido operado e vinha de uma lesão quando chegou ao FC Porto. Mas há coisas que marcam claramente e ele foi um verdadeiro senhor, quer enquanto homem como enquanto jogador”, começou por dizer o selecionador nacional que, confiando nas suas palavras “previu” o futuro de Pizzi como treinador.

“Sempre falámos muito sobre futebol e sempre fiquei com a convicção que ia ser treinador e que o futuro dele ficaria ligado ao futebol. Está aqui por mérito próprio. Já tive a oportunidade de o encontrar aqui no sorteio da Taça das Confederações, vou agora voltar a encontrá-lo e é sempre um prazer, foi muito bom conhecê-lo como pessoa. É um senhor”, continuou Fernando Santos, na conferência de imprensa de antevisão ao embate das meias-finais, que se joga em Kazan (19h de Lisboa, 21h locais).

YURI KADOBNOV/Getty

Questionado sobre se receia que Pizzi tenha aprendido alguma coisa com ele nos tempos em que coincidiram na Invicta, Fernando Santos afastou esse medo, sublinhando o “enorme prazer” que foi trabalhar com o avançado.

Do Chile, Fernando Santos lembrou que é uma equipa “muito bem servida, dinâmica, com capacidade guerreira e um espírito muito forte”, mas deixou claro que nesse aspecto, o jogo de quarta-feira vai ser equilibrado. “Nós descendemos do sangue lusitano, do mais puro que há. Somos grandes guerreiros, com uma humildade enorme uma inabalável dedicação”.

“Inabalável”, um adjetivo que Fernando Santos tem utilizado amiúde nas conferências de imprensa na Rússia: “Tenho uma confiança inabalável na determinação, na coragem desta equipa. Com estes jogadores vou ao fim do mundo, sempre à frente”.

Bernardo talvez, Raphael nem pensar

Quanto ao que os portugueses podem esperar do onze para amanhã, Fernando Santos desfez as dúvidas sobre Raphael Guerreiro (“Continua a fazer tratamentos, mas amanhã está de fora), mas não sobre Bernardo Silva. “Temos mais 24 horas para analisar. Fez treino de adaptação e não reagiu mal. O tempo conta muito e amanhã tomaremos a decisão”:

E com Pepe de fora, quem estará no eixo da defesa portuguesa? Fernando Santos não disse tudo, mas quase, quando questionado sobre a meia-final do Europeu, frente ao País de Gales, quando Pepe também esteve indisponível: “Nessas meias-finais foi Fonte e Bruno Alves. Espero que a história se repita”.

E se a história se repetir, Portugal joga domingo a final da Taça das Confederações em São Petersburgo. Seria então a segunda final consecutiva numa competição de seleções, algo inédito, mas que nem assim muda a forma de pensar de Fernando Santos. “Se sou o melhor selecionador de sempre? Vocês já me conhecem e sinceramente, por muito estranho que possa parecer, não é algo que me preocupa. O que me motiva é o meu povo, a minha equipa e conseguir mais um feito histórico”.

Adrien, o anti-turista

Os jornalistas russos que acompanham Portugal parecem, por estes dias, mais preocupados em saber o que pensam os jogadores da Seleção do seu país do que exatamente com jogo de amanhã. O que é normal, diga-se. Face ao que foi a participação do país anfitrião nesta Taça das Confederações, de futebol é que esta malta não quer ouvir falar nos próximos tempos.

"Turismo? É por ali, por aqui não"

"Turismo? É por ali, por aqui não"

YURI CORTEZ/Getty

Portanto, logo para início de conversa, uma pergunta para Adrien Silva sobre a chuva que vai e vem em Kazan, se chateia, se é problemática. O médio do Sporting ouve a tradução, acha estranho, depois sorri e responde. “Não viemos cá para passear, assim que na chuva não condiciona. Também chove em Portugal e chove em todos os países em que jogamos”. Pois.

E depois de dizer que o grupo está “com vontade”, “preparado”, mais uma perguntinha de um russo, agora subordinada ao tema, “que palavras em russo já aprenderam desde que chegaram”.

“Só spasiba, nada mais!”.

Depois ainda há espaço para o momento “a minha cidade é mais bonita que a tua” quando um jornalista de Kazan pergunta a Adrien qual das três cidades em que Portugal jogou (Kazan, Moscovo e São Petersburgo) o médio mais gostou. E o médio mais uma vez reforçou que não está na Rússia para fazer turismo. “Só posso falar dos estádios, porque não fomos às cidades. Os estádios, sim, achei-os todos impressionantes”.

Agora é tempo de erguer o caneco. Passear fica para outra ocasião.

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