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Com Adrien, a conversa é outra: penálti (finalmente) marcado dá pódio a Portugal

Num jogo cheio de incidências, e após mais uma grande penalidade falhada pela seleção, médio do Sporting não vacilou e converteu no prolongamento para selar a vitória por 2-1 sobre o México que deu o terceiro lugar a Portugal na Taça das Confederações

Tiago Oliveira

MARIO CRUZ/LUSA

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Até podia ser quase uma nota de rodapé do torneio, para muitos, um aperitivo (desnecessário, até, diriam) para a final de mais logo. Mas dentro de campo, o assunto pareceu sempre sério, por vezes até demais. Disputado, sentido, sempre com sangue quente de parte a parte, foram 120 minutos de futebol que deram a vitória a Portugal e a medalha de bronze na estreia na Taça das Confederações. 2-1 sobre o México, com espaço para converter um penálti, após quatro seguidos a falhar.

Na reedição do seu primeiro jogo na competição, Portugal apresentou-se a jogo com algumas baixas (com Ronaldo à cabeça) e um onze com muitas mudanças relativamente às habituais primeiras escolhas de Fernando Santos. Num 4-3-3 bem aberto, Neto, Pizzi e Gelson foram titulares pela primeira vez na prova e ajudaram à boa entrada em jogo da seleção.

Perante um México que também deu oportunidade a jogadores menos utilizados, desde cedo que que os campeões da CONCAF tiveram que lidar com o ímpeto português. Nani deixou um aviso logo de início, num excelente movimento coletivo, e o golo quase que já se sentia a rondar a grande área mexicana. Previsões que pareciam confirmar-se quando o veterano Rafa Márquez tocou na perna de André Silva e o árbitro, após consulta com o VAR, apontou para a marca de grande penalidade.

Mas, como a meia-final com o Chile deixou bem claro, a pressão na hora de marcar o penálti parece pairar como poucas sobre os jogadores nacionais. E, após três castigos máximos falhados no desempate de quarta-feira, seguiu-se mais um desperdício, o quarto seguido para Portugal. Desta vez foi André Silva que, aos 16 minutos, permitiu a defesa de Ochoa e não colocou a seleção na frente do marcador.

Logo a seguir, Nani falhou de novo na pequena área, e a baliza adversária parecia não querer nada connosco. A equipa das Quinas continuou a dominar e a criar oportunidades ao longo da primeira parte, com o México a tentar responder no contra-golpe e a obrigar Rui Patrício a uma grande defesa aos 30 minutos, por intermédio de Chicharito Hernández.

Após 45 minutos de domínio nacional, o México entrou com outras ideias na segunda parte e não demorou muito a ser recompensado pela postura mais audaz. Jogada pela esquerda de Chicharito, com um cruzamento venenoso que Patrício não conseguiu desviar e o estreante Neto colocou na própria baliza por estar no sítio errado, à hora errada. 54 minutos e 1-0 para os mexicanos.

Depois de quase ter ampliado a vantagem, foram empurrados por Portugal que, em poucos minutos, esteve por três vezes na cara flagrante do golo. Mais uma vez, tudo parecia enguiçado e o empate teimava em aparecer. Do banco, Fernando Santos, mexia as suas peças e Quaresma foi o primeiro a entrar para tentar agitar as águas. O jogo estava mais repartido, com oportunidades de parte a parte, e Patrício foi mantendo a equipa a acreditar.

Ainda assim, tudo estava a encaminhar-se para a vitória mexicana. Mas não digam a esta seleção que o impossível existe. Quando já nada o fazia prever, Quaresma surgiu pela direita, cruzou com conta peso e medida e Pepe, de regresso à equipa e a fazer de ponta-de-lança no final, surgiu na grande área a desviar para o fundo das redes. Empate nos descontos e mais um prolongamento para as nossas cores.

De expulsão em expulsão até ao final

Após ter arriscado em busca do 1-1, Fernando Santos arrancou os 30 minutos suplementares com a entrada de William, que trouxe outra serenidade às hostes portuguesas. Lozano ainda ameaçou o golo (sempre "São Patrício"), mas seria mesmo Portugal a marcar. E, por incrível que pareça, de penálti. À quinta tentativa, coube a Adrien Silva, que tinha entrado no decorrer da partida, tentar a sua sorte e o médio do Sporting não vacilou. Guarda-redes para um lado, bola para o outro, e a seleção nacional na frente pela primeira vez, aos 104 minutos.

Num jogo onde tudo aconteceu, os 15 minutos finais até deram para apimentar com polémica enquanto Portugal tentava segurar a vantagem. Logo no início da segunda parte do prolongamento, Nélson Semedo viu o segundo amarelo e foi expulso, enquanto o seu colega de clube, Raúl Jiménez, pegou na deixa e também foi mais cedo para o balneário (por falta sobre Eliseu). Tudo em família e dez contra dez no derradeiro assalto. O treinador do México também não aguentou até final, após um lance muito duvidoso na grande área portuguesa, que motivou quase um motim no banco e muitos protestos a imitar o já familiar gesto do VAR.

Ochoa não deixou de tentar o golo salvador no último lance, mas a vitória já não fugiu a Portugal. Triunfo por 2-1 e medalhe de bronze garantida na primeira participação lusa na Taça das Confederações. Mesmo sem Ronaldo na última exibição, o pódio chegou e a seleção mostrou valores, intermitentes mas presentes, que dão esperança que a primeira participação pode não ser a única. Antes, importa regressar à Rússia no Mundial em 2018.