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A solução estava no sonho do menino. Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, claro

Depois de sete jogos consecutivos a vencer, Fernando Santos deu descanso ao capitão (em risco de ficar fora da "final" contra a Suíça, caso fosse amarelado) e Portugal sofreu a bom sofrer para conseguir marcar um golo a Andorra. Mas depois Ronaldo entrou... e marcou, claro. E Portugal venceu (2-0)

Mariana Cabral

Cristiano Ronaldo começou o jogo em Andorra no banco, mas entrou ao intervalo

PASCAL PAVANI/GETTY

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18/08/1999: Portugal 4-0 Andorra

28/02/2001: Portugal 3-0 Andorra

01/09/2001: Andorra 1-7 Portugal

07/10/2016: Portugal 6-0 Andorra

Se, antes do jogo, alguém dissesse que Portugal iria estar empatado com Andorra ao intervalo, poucos acreditariam. O histórico era de goleadas, Andorra nunca se apurou para prova nenhuma e mais de metade dos jogadores da seleção que luta para não ficar no último lugar do apuramento são amadores.

Mas, às vezes, há acontecimentos improváveis.

Como o de um menino pobre da Madeira sair da ilha para se tornar um dos melhores jogadores da história do futebol. "O sonho do menino", foi assim que Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro chamou à sua própria história, contada esta semana na primeira pessoa no site "The Players' Tribune" (pode lê-la aqui).

E, convenhamos, a história do capitão português é bem mais improvável do que qualquer uma que os andorrenhos pudessem ter para contar. Mesmo empatando ao intervalo com o campeão europeu em título.

Sim, Portugal teve uma 1ª parte desinspirada, sem criatividade e, especialmente, sem soluções coletivas para ultrapassar um bloco de 11 jogadores praticamente parado (bom, parado como quem diz, que eles fartavam-se de dar porrada) em frente à área. Pepe tentava os lançamentos longos, Gelson procurava as fintas e André Silva bem procurava a bola, mas nada funcionava - e o sintético também não ajudava, com a bola constantemente a fugir aos pés de jogadores que raramente têm esse tipo de dificuldades.

Andorra não assustava minimamente Rui Patrício - não fez qualquer remate na 1ª parte e teve a bola apenas para chutá-la para a frente (22% de posse de bola) -, mas ia fechando com sucesso todos os caminhos para a baliza de Josep Gómes, que viu Quaresma falhar a melhor oportunidade de golo - um cabecamento desviado ao segundo poste.

Só que, ao intervalo, Fernando Santos, que já estava com cara de poucos amigos, fartou-se. Esqueceu o 'perigo' do amarelo - se Ronaldo fosse amarelado esta noite, não jogaria na terça-feira contra a Suíça - e chamou o capitão.

David Ramos

Cristiano entrou (Gelson saiu) e fez o que todos esperávamos que fizesse - o mesmo que fez nos últimos sete jogos de qualificação em que jogou: marcou. Aos 63', Ronaldo aproveitou uma bola perdida na área para marcar o seu 15º golo na qualificação, igualando o recorde histórico de golos na zona europeia, definido esta semana pelo polaco Robert Lewandowski.

Fernando Santos suspirou de alívio, os portugueses tranquilizaram-se e, já a acabar, Ronaldo cruzou, Danilo tocou de cabeça e André Silva desviou para o 2-0.

À mesma hora, a Suíça goleou a Hungria por 5-2 e marcou a "final" - como lhe chamou Fernando Santos - com Portugal para terça-feira, no Estádio da Luz (19h45). Quem vencer, apura-se diretamente para o Mundial na Rússia. Quem perder, segue para o 'playoff' - sendo que um empate também não convém a Portugal, uma vez que tem menos três pontos do que os suíços.

É que, na 1ª volta, a Suíça venceu Portugal por 2-0. Mas, nesse jogo, o primeiro da qualificação, não havia Ronaldo, lesionado. E, quando há Ronaldo, já se sabe como acaba a história. Ainda bem este menino é nosso.

  • Seleção

    O selecionador nacional reconheceu as dificuldades sentidas da primeira parte e reconheceu o efeito de CR7 na partida. Sobre o jogo de terça-feira com a Suíca, no estádio da Luz, Fernando Santos diz que é "ganhar ou ganhar. Já não há outra conversa". Se fosse Scolari diria que é um jogo de "mata-mata".