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Quando o engenheiro fala, alguém ainda duvida? Nem a Madonna

Fernando Santos garantiu que Portugal ia ganhar à Suíça... e ganhou mesmo. A seleção venceu por 2-0, termina o apuramento em 1º lugar do grupo B e já está qualificada para o Mundial 2018

Mariana Cabral

A festa portuguesa de qualificação para o Mundial 2018

FPF

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"A trabalhar assim, com este talento e esta atitude, Cristiano Ronaldo vai ser o melhor do mundo";
- agosto de 2003

"Já avisei a minha família que só vou no dia 11 de julho para Portugal. E vou ser recebido em festa";
- 19 de julho de 2016

"Portugal não perderá pontos até ao jogo com a Suíça";
- 24 de agosto de 2017

"Vamos ganhar à Suíça".
- 7 de outubro de 2017

É o professor Zandinga? Não, mas também já lhe arranjámos um nome catita: é o engenheiro anteriormente conhecido como penta - atualmente diplomado com o Euro. É Fernando Santos, senhoras e senhores, o homem com mais fé do que 10 milhões (talvez um pouco mais) de portugueses, de quem já não é possível duvidar, jogando bem ou jogando mal: é Portugal, é campeão europeu e é candidato a conquistar o Mundial 2018.

Custou, mas foi.

Desde 6 de setembro de 2016 que Portugal andava atrás da Suíça no grupo B, ao estrear-se com uma derrota (0-2) no apuramento. Mas desde 7 de outubro de 2016 que Portugal só somava vitórias, mais ou menos gordas - contra Hungria, Ilhas Faroé, Letónia e Andorra -, que permitiram que o nosso engenheiro vaticinasse mais um dos seus prognósticos: Portugal ia chegar ao último jogo da qualificação e ganhar à Suíça, apurando-se diretamente para o Mundial.

Dito e feito.

Num Estádio da Luz a abarrotar - até Madonna, a nova coqueluche lisboeta, foi à bola - Portugal teve uma entrada forte em jogo e rapidamente mostrou à Suíça que ia dar tudo para ganhar. Com cinco mudanças em relação à vitória frente a Andorra (2-0) - saíram Semedo, Neto, Danilo, Quaresma e Gelson e entraram Cédric, Fonte, William, Moutinho e Ronaldo - Fernando Santos apresentou aquela que tem sido a equipa base da seleção (juntando-se aqueles a Patrício, Eliseu, Pepe, João Mário, Bernardo e André Silva) e não demorou muito para vermos o melhor Portugal.

É certo que a criação de oportunidades de golo foi escassa, até porque Portugal insistia em construir pelos corredores laterais e os cruzamentos saíam invariavelmente tortos, mas foram quase sempre os anfitriões a mandar na partida, empurrando a Suíça para trás - e foi essencialmente na organização defensiva que os suíços estiveram focados.

O primeiro lance de golo esteve nos pés de Bernardo Silva, aos 32', mas Yann Sommer estragou a festa. Só que alguns minutos depois, Eliseu (até era Cédric quem atacava mais, pela direita, mas os cruzamentos eram pouco inspirados) cruzou para a área e João Mário tanto atrapalhou Sommer e Djorou que o defesa suíço acabou por marcar na própria baliza.

JOSE MANUEL RIBEIRO

O golo não poderia surgir em melhor altura, porque obrigava a Suíça, na 2ª parte, a abrir-se bem mais para o ataque, algo que pouco tinha feito na primeira metade - William ia impedindo a construção suíça e Rui Patrício foi sempre um espectador sossegado.

Quando os portugueses começaram a encontrar mais buracos no ataque, foi a vez dos baixinhos criativos brilharem: João Mário, Moutinho e Bernardo têm uma jogada brilhante pelo corredor direito, os suíços distraem-se na área e André Silva aparece sozinho a fazer o 2-0, aos 57'.

A festa portuguesa

A festa portuguesa

JOSE MANUEL RIBEIRO/GETTY

Antes, também Bernardo já tinha combinado com Ronaldo, mas o remate do capitão tinha saído torto - não conseguiu marcar esta noite (nem quando apareceu isolado em frente ao guarda-redes, aos 79'), ou seja, acabou a qualificação com 15 golos, menos um do que o polaco Robert Lewandowski.

Já com Antunes (Eliseu saiu lesionado) e André Gomes (por troca com André Silva) em campo, Portugal recuou os setores, mas foi sempre criando ocasiões de golo e nunca pareceu verdadeiramente ameaçado na defesa, apesar da cara de poucos amigos de Fernando Santos.

O que interessa é isto: Rússia, aqui vamos nós. Só falta mesmo saber se é para ganhar. Ó engenheiro...