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O meticuloso transplante de medula de Fernando Santos: em duas campanhas trocou de tática, de jogadores, e pôs Ronaldo no sítio

Entre o caminho para o Euro2016 e a rota para o Mundial2018, o selecionador mudou muita coisa, sem que se desse muito por isso

Pedro Candeias, Mariana Cabral e Diogo Pombo

Pedro Nunes/Lusa

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Ora então, é chegado o tempo do balanço e a Tribuna Expresso optou por este: o que mudou entre as duas campanhas que levaram Portugal ao Euro 2016, primeiro, e ao Mundial 2018, depois. Contabilizando o número de minutos dos jogadores utilizados por Fernando Santos nos diferentes momentos (e Paulo Bento, não esquecer, porque fez o primeiro jogo da caminhada para França), percebemos que o selecionador fez uma espécie de revolução silenciosa, pondo uns, depondo outros, repondo aqueloutros quando as circunstâncias (castigos, lesões ou falta de ritmo) assim obrigavam.

Mas vamos aos onze jogadores que Fernando Santos escolheu mais vezes durante esta qualificação para o Mundial da Rússia: Rui Patrício (900 minutos), Cédric Soares (521 minutos), Pepe (701 minutos), José Fonte (720 minutos), Raphaël Guerreiro (412 minutos), William (596 minutos), Moutinho (516 minutos) Bernardo Silva (500 minutos), João Mário (634 minutos), Cristiano Ronaldo (765 minutos) e André Silva (782 minutos).

O onze mais utilizado na qualificação para o Mundial 2018

O onze mais utilizado na qualificação para o Mundial 2018

O que há a dizer sobre isto? Isto: Rui Patrício não tem concorrência; André Silva (nove golos) transformou-se num titular indiscutível e é indiscutivelmente o parceiro ideal para Ronaldo; e que no meio-campo já não habitam os habituées de outros tempos porque o tempo é da nova geração - só João Moutinho resiste à erosão e continua a bater e a bater bem.

E o que acabamos de dizer é sustentado pelos números da qualificação anterior: Patrício (720 minutos), Cédric (216), Ricardo Carvalho (456 minutos), Pepe (360), Eliseu (450), Tiago (416), Moutinho (560), Danny (440), Danilo (270), Nani (668) e Cristiano Ronaldo (540).

Os onze preferidos na qualificação para o Euro 2016

Os onze preferidos na qualificação para o Euro 2016

Por uma razão ou por outra, há seis nomes (Tiago, Danny, Ricardo Carvalho, Nani, Danilo e Eliseu) que agora não constam entre os mais usados por Fernando Santos – Eliseu tem jogado porque Coentrão e Raphäel estão lesionados –, e dois deles jogavam no centro do campo (Tiago, Danilo), outro lá atrás (Ricardo Carvalho) e ainda outros ao lado de Ronaldo (Nani e Danny).

Ou seja, no espaço de duas campanhas, e com uma fase final pelo meio, Santos operou meticulosamente um transplante de medula: trocou de jogadores no lugar onde mais dói a uma equipa (o meio-campo), impôs o 4x4x2 com dois avançados e dois falsos extremos, e deixou cair de maduro o clássico 4x3x3 (ou 4x2x3x1) que fizera escola na seleção, mas que deixara os selecionadores de mãos atadas quando Ronaldo começou a envelhecer. Com Santos, e nos nove jogos em que alinhou, marcou 15 jogos.

Com isto, Portugal ganhou nove jogos e perdeu um – logo na ressaca do Euro 2016 –, marcou 32 golos e sofreu quatro, começou a tremer e acabou confiante, irredutível e que antes não tinha o que agora já tem (ler AQUI).