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Campeões da Europa e da solidariedade. Só falta conquistar o mundo

Portugal venceu a Arábia Saudita - seleção que também está qualificada para o Mundial-2018 - facilmente, por 3-0, com uma exibição dominadora

Mariana Cabral

Portugal venceu a Arábia Saudita em Viseu

Octavio Passos/Getty

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Antes de irmos ao futebol propriamente dito, há que dizer isto: €359.213. Este foi o montante angariado, até ao último minuto do Portugal-Arábia Saudita, através da linha telefónica 760200200 e da venda de bilhetes para ambos os amigáveis da seleção: o desta noite, em Viseu (6800 adeptos nas bancadas), e o que irá ser disputado contra os EUA, terça-feira, em Leiria (20h45).

O dinheiro, de acordo a Federação Portuguesa de Futebol, "será aplicado integralmente em obras de reconstrução de casas de primeira habitação de famílias carenciadas dos concelhos afetados pelos fogos deste verão".

E foi assim que, depois de termos sido campeões da Europa, nos sagrámos campeões da solidariedade.

Agora, só falta mesmo... o Mundial. E é aqui que regressamos ao futebol. Quem esperava uma revolução no onze perante a Arábia Saudita, depois de uma convocatória com uma dezena de novidades - e sem Ronaldo -, acertou. Quer dizer, mais ou menos.

Fernando Santos já tinha avisado que "não há jogos mais ou menos importantes" e encarou a Arábia Saudita como aquilo que, na realidade, pode ser: um possível adversário no Mundial, já que os árabes também estão qualificados para a prova que decorrerá na Rússia em 2018.

No último onze de Portugal, contra a Suíça, houve Patrício, Cédric, Pepe, Fonte, Eliseu, Bernardo, William, Moutinho, João Mário, André Silva e Ronaldo. Esta noite, contra a Arábia Saudita, mantiveram-se quatro pilares: Pepe - capitão -, Bernardo, João Mário e André Silva.

O onze de Portugal frente à Arábia Saudita

O onze de Portugal frente à Arábia Saudita

Octavio Passos/Getty

Mas também houve, claro está, lugar aos novos: Anthony, Neto, Kévin Rodrigues, Cancelo, Danilo, Manuel Fernandes e Guedes. Entre estes, são quase todos mais ou menos conhecidos, daí que o sublinhado vá apenas para dois nomes: o de Kévin, lateral esquerdo de 23 anos da Real Sociedad que se estreou na seleção, depois de ter disputado cinco jogos pelos sub-21 - nos sub-19, foi vice-campeão europeu... pela França; e o de Manuel Fernandes, médio de 31 anos do Lokomotiv de Moscovo que já somava nove internacionalizações, mas não estava na seleção desde 2012, com Paulo Bento.

E foi precisamente Manuel Fernandes a mostrar desde o início o que foi a seleção em Viseu: muita vontade de mostrar serviço. Aos 8', o médio foi o primeiro a rematar à baliza, seguido por João Mário - acertou na barra -, que rubricou uma excelente exibição (é um crime não jogar mais no Inter de Milão) na esquerda, assim como Bernardo na direita (quer dizer, no fundo, eles andavam em todo o lado).

A primeira grande oportunidade de golo surgiu aos 15', quando Gonçalo Guedes (num momento positivo, claramente confiante com o reconhecimento que anda a ter em Valência), num canto, sozinho em frente à baliza, cabeceou ao lado. Não marcou, mas deu a marcar, aos 32': depois de um passe magnífico de (pé esquerdo de) Danilo, a rasgar o campo, Guedes acelerou pelo corredor lateral direito e cruzou atrasado para Manuel Fernandes rematar para o 1-0.

Manuel Fernandes voltou à seleção, cinco anos depois e... marcou

Manuel Fernandes voltou à seleção, cinco anos depois e... marcou

FRANCISCO LEONG/GETTY

O golo demorou, mas a história do jogo, na 1ª e 2ª partes, foi quase sempre a mesma: Portugal foi sempre dominador perante um adversário claramente inferior, que raramente conseguiu ter bola ou chegar perto da área de Anthony Lopes.

Pelo contrário, quando João Mário e Bernardo combinavam, ou quando Guedes acelerava, o golo ficava sempre perto de aparecer na área saudita. Foi já com Ricardo Pereira no lugar de Cancelo que, aos 52', o lateral direito portista irrompeu pela direita, tabelou com Bernardo e depois ofereceu a bola a Guedes, que marcou o 2-0, já dentro da área.

Tudo fácil e Fernando Santos a ver que não faltam alternativas à seleção, em quase tudo o que é posição. E, aos 55', saíram Pepe, Manuel Fernandes e Bernardo para as entradas de Edgar Ié (estreia), Bruno Fernandes (estreia) e Gelson - e o sistema passou do (agora habitual) 4-4-2 para um claro 4-3-3, que normalmente é utilizado quando não há Ronaldo.

Perto do final, a Arábia ainda se chegou um bocadinho mais à frente - com Fernando Santos a repetir um grito de ordem claro: "Não deixa jogar" -, mas foi Portugal a conseguir os 3-0, com um grande remate de fora da área de João Mário.

E, antes, ainda houve tempo para Rúben Neves e Bruma (outra estreia) entrarem. Para terça-feira, ficam José Sá, Beto, Ricardo Ferreira, Antunes, Semedo, Rony e Gonçalo Paciência. E ainda há, em casa, no sofá, todos aqueles que não foram convocados... É equipa para conquistar o Mundial ou não é?