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Fernando Santos: "Lá direi no tempo certo a data de regresso. As coisas não funcionam assim, não tenho nenhum dom especial de adivinhação"

Em entrevista à RTP, o selecionador nacional avisou que o assunto da invasão à academia de Alcochete não vai entrar na preparação para o Mundial, explicou a convocatória e disse que Portugal é candidato a ganhar o Campeonato do Mundo

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Matthias Hangst

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Aos 63 anos, Fernando Santos vai competir pela quarta vez num grande torneio. O Campeonato do Mundo arranca dia 14 de junho, com o Rússia-Arábia Saudita. Em entrevista à RTP, o selecionador português diz não ter poderes de adivinhação, explicou por que razão vai levar Adrien e refletiu sobre o jogar bonito, feio, bem e mal.

A data do regresso, algo que anunciou durante o Campeonato da Europa (“Já disse à minha família que só volto dia 11 de julho”), ainda está por definir na cabeça do treinador. “Lá direi no tempo certo, conforme as circunstâncias. As coisas não funcionam assim, não tenho nenhum dom especial de adivinhação. As fotocópias não colam”, avisa.

Fernando Santos, que junta os europeus à Argentina e Brasil como favoritos, diz que Portugal não está na pole position, mas é candidato. E deixa um alerta à tripulação: “O assunto [da invasão de adeptos a Alcochete] terminou. Não vou permitir que nos momentos coletivos da equipa possa interferir na preparação para o Mundial”.

O treinador campeão da Europa diz que Cristiano Ronaldo continua a ser o melhor jogador do mundo e que isso “acrescenta uns pozinhos” nas possibilidades de vencer. “Representa algo muito importante para a seleção, o espírito coletivo e a entrega. Sozinho não ganha jogos, mas a qualquer momento pode resolver”.

Eder, “o patinho feio [que] virou cisne, elegante e bonito”, ficou fora da convocatória e Santos tem pena. O técnico rejeita a ideia de ser conservador, na convocatória e na busca pelo golo. Se tivesse Danilo, explica, poderia retirar um central da convocatória e chamar mais um avançado. “É a quarta vez que vou estar numa fase final de um campeonato desta envergadura. Conheço muito bem este tipo de competição e o desgaste que provoca.”

Nani não foi chamado porque tem muita concorrência, que oferece outras soluções a Portugal. Mas Adrien é outra louça: “É um jogador com características diferentes, que oferece duas questões importantes: rigor tático muito importante e um conhecimento muito profundo daquilo que é a nossa maneira de jogar”. E depois, explica, liga muito bem com William e João Mário, ex-colegas no Sporting.

A estética veio a seguir. Afinal, importa-se ou não que digam que a seleção poderia jogar mais? “Quem não joga bem perde. Quem joga mal perde sempre. Quem joga muito bem ganha mais vezes. Outra coisa é [jogar] bonito e feio. Confude-se. O bonito e o feio é estético. O bem e mal é outra coisa. Portugal foi a segunda equipa com mais golos marcados no apuramento, é muito interessante para uma equipa conservadora e defensiva. O objetivo é ganhar. Para ganhar é preciso marcar golos. Se jogas para não sofrer, vais empatar ou perder…”

Fernando Santos admite que se não ultrapassar a fase de grupos seria um fracasso e diz que Espanha e Portugal são os grandes favoritos do Grupo B. O selecionador considera a equipa de Iniesta e companhia uma das grandes favoritas a ganhar o Mundial. Quanto a Marrocos e Irão, Santos considera-as as seleções mais fortes de África e Ásia. “O Lopetegui disse precisamente a mesma coisa. Já vi mais de 10 jogos dos adversários, são fortíssimos.”