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Em terras russas, quem manda de início é a Rússia

Na abertura da Taça das Confederações, a anfitriã Rússia não vacilou e venceu a Nova Zelândia por 2-0 com Smolov em destaque

Tiago Oliveira

Os anfitriões abriram a Taça das Confederações com uma vitória

MLADEN ANTONOV/GETTY

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No primeiro exame rumo ao Mundial 2018 a aluna Rússia não foi vítima de greve e passou com positiva frente à Nova Zelândia no jogo de abertura da Taça das Confederações. Vitória sem sobressaltos por 2-0 com o auto-golo de Boxall e o tento de Smolnov a selarem um triunfo que (e perdoem o chavão) sem ser brilhante, foi sólido perante a diferença de qualidade entre as duas equipas.

A participarem pela quarta vez na competição, os "All Whites" da Nova Zelândia (em referência aos seus dominadores congéneres do rugby) apresentaram-se em São Petersburgo com a esperança de estragar a festa à anfitriã, que tinha tudo em teste perante um mundo de olho, por vários motivos. Com poucas (ou nenhumas) estrelas dignas desse nome o objetivo era o de qualquer "underdog": aguentar a pressão e trabalhar por um esporádico lance.

Já a Rússia entrava com muito para provar e com a pressão de mostrar que pode ser mais do que figura de corpo presente além de um recinto de festas convidativo para todos. Depois da má figura deixada por jogadores e adeptos no Euro 2016, o selecionador Stanislav Cherchesov foi chamado para dar nova cara à equipa com espaço para os valores emergentes de uma nova geração. Bola para eles.

A seleção russa que venceu a Nova Zelândia

A seleção russa que venceu a Nova Zelândia

MLADEN ANTONOV/GETTY

O início do jogo não fugiu ao guião traçado de antemão e mostrou uma Rússia a partir para cima do adversário com duas grandes oportunidades de golo logo nos primeiros dez minutos. O poste e, depois Tommy Smith, em cima da linha de golo, negaram o 1-0 perante os mais de 50 mil espectadores que não chegaram a encher o estádio Krestovsky em São Petersburgo.

O golo adivinhava-se e foi sem surpresa que, aos 31 minutos, tudo se desenrolou. Erokhin ganha uma bola, dá rapidamente a Poloz que, num repentino lance de improvisação, faz um passe pelo ar para Glushakov que passa a a bola por cima do guardião Marinovic. O poste ainda tentou adiar, mas numa tentativa desesperada de corte, Boxall colocou a bola dentro da baliza. 1-0 e tudo parecia controlado.

Sempre com Smolov

Até intervalo, tudo continuou na mesma toada e o reinício trouxe mais do mesmo: Rússia a pressionar e Nova Zelândia a tentar aguentar. O reatamento trouxe mais oportunidades para os anfitriões e um jogador a destacar-se acima dos outros. Foi a parte de Smolov, atacante do Krasnodar, pelo qual todos os lances de qualidade passaram. Por isso, quase que já pode adivinhar o que aí vem no próximo parágrafo.

Jogada conduzida pelo meio por (quem mais) Smolov, abertura para a esquerda onde Samedov apareceu para um cruzamento para a grande área, com o mesmo Smolov a concluir a jogada que tinha começado. De S para S, aos 69 minutos, a vitória estava certa.

Mas eis então que finalmente se viu Nova Zelândia no relvado. Os All Whites pareceram libertar-se das amarras e tiveram duas grandes oportunidades de golo que obrigaram, primeiro Akinfeev e depois Zhirkov a aplicaram-se para negarem o tento. Um canto de cisne que durou pouco e que trouxe depois a Rússia sempre mais próxima do terceiro golo de que a Nova Zelândia de reduzir.

No final, vitória clara para a Rússia que, raramente, esteve em causa. Teste passado e, agora, palavra para as outras equipas que querem passar no exame da casa do anfitrião.